sábado, janeiro 16, 2010

AMAR A DEUS. UM CONVITE AO RELACIONAMENTO COM O MEU IRMÃO


AMAR A DEUS. UM CONVITE AO RELACIONAMENTO COM O MEU IRMÃO

“Quanto a nós, amemos, porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’ e, no entanto odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus a quem não vê. E este é justamente o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também ao seu irmão”. I João 4.19-21

INTRODUÇÃO

Você ama a Deus? A resposta a esta pergunta é, invariavelmente, sim. Mas como demonstrar amor, de forma prática, a alguém a quem não podemos ver, ouvir ou tocar. O apóstolo João propôs uma solução desafiadora para esta questão: Ame ao seu irmão.

Este desafio torna-se significativo num momento em que o individualismo é valorizado cada vez mais. “A sociedade contemporânea, chamada sociedade do conhecimento e da comunicação, está criando, contraditoriamente, cada vez mais incomunicação e solidão entre as pessoas. O mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, caracterizado pelo encapsulamento sobre si mesmo e pela falta do toque, do tato e do contato humano”. (1)

Diante desta realidade, qual é a importância da igreja na construção dos relacionamentos humanos? Qual o valor destes relacionamentos? De que forma a expressão do meu amor ao próximo irá determinar a qualidade do meu amor a Deus?


1. Igreja, lugar de relacionamentos.
  • Na bíblia, nosso amor a Deus é estabelecido a partir do amor que temos ao próximo.
  • Não há como estabelecer qualquer relação com Deus desvinculado das relações humanas.
  • “Não podemos amar a Deus em sua majestade; devemos amar a Deus nas suas criaturas”. (Lutero)
2. Individualismo, o anticorpo dos relacionamentos.
  • A busca pela independência e autonomia não é outra coisa senão a opção que sempre fazemos pelo poder.
  • Ao optar pelo poder torna-se necessário negar o amor.
  • O amor nos torna vulneráveis. “Até certo ponto perdemos o controle de nossa própria vida quando estamos abertos aos outros. A comunhão de corações é uma coisa bonita, mas também perigosa. (...) É perigosa, porque deixar cair nossas barreiras internas significa que podemos ser facilmente feridos. A comunhão nos torna vulneráveis”. (2)
3. Os Relacionamentos nos proporcionam a realização enquanto pessoa.
  • Deus nos criou para amarmos e sermos amados.
  • Encontramos a nossa felicidade e o sentido de ser pessoa nas relações de amor e amizade.
  • O grande desafio da igreja é resgatar o caminho do amor e da amizade desinteressada como a expressão maior da nossa espiritualidade e devoção.

CONCLUSÃO

“Uma das características mais fortes da modernidade é o individualismo. A autonomia individual é fundamental para a realização do homem moderno, uma vez que a liberdade proporcionada pela individualidade é indispensável para as conquistas profissionais. Qualquer envolvimento afetivo que coloque em risco a minha carreira pessoal e profissional é descartado por tornar-se uma ameaça à milha liberdade. Por outro lado, assumir que somos seres relacionais e que só encontraremos a liberdade e a pessoalidade no ato de amar traz todos os riscos que esta opção impõe sobre nós. Estes riscos foram bem descritos por C.S. Lewis, que afirma:

“Não existe investimento seguro. Amar é ser vulnerável... Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal... evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife seguro, sombrio, imóvel, sufocante ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai se tornar inquebrável, impenetrável, irredimível... O único lugar fora do céu onde se pode manter perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.”

Alguém já disse que o inferno é simplesmente a ausência de amor “. (3)

NOTA
  1. BOFF Leonardo Saber Cuidar. p.11
  2. VANIER, Jean O Despertar do ser p.35.
  3. SOUZA, Ricardo Barbosa de. O caminho do Coração. p.91.

REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS
  • SOUZA, Ricardo Barbosa de. O caminho do Coração: Ensaios sobre a trindade e a Espiritualidade Cristã. Curitiba – PR – Ed. Encontro – 2002.
  • BOFF Leonardo. Saber Cuidar - Ética do humano, compaixão pela terra Editora Vozes - 2ª Edição - Petrópolis - RJ - 1999 -
  • VANIER, Jean O Despertar do Ser Tradução de Magda França Lopes – Campinas – SP - Ed. Verus – 2002.
  • Bíblia Sagrada – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo e Euclides Balancin – Editora Paulus – SP – 1991.

3 comentários:

Luiza Pinheiro disse...

Acredito que a forma como nos relacionamos com o outro reflita como o fazemos com Deus.
Nossa comunhão com os irmãos na igreja é de suma importância também, para melhorarmos a cada dia.

Juliana Pires disse...

Olá! Vim aprender mais um pouco com seu blog.
Agora sei que a maneira de amar à Deus é amando nosso próximo, mesmo correndo riscos de decepção, devemos amar mesmo assim! Infelizmente as pessoas estão ficando individualistas, sem saber dos malefícios desse sentimento.

Excelente lição!

Até a próxima!

Anônimo disse...

Acredito sim,que possa ainda existir um amor desinteressado,mas é muito dificil quando vivemos em conflitos e provações.È necessario crer que existe uma fe capaz de suportar a tudo e principalmente a fazer fecundar um amor sincero e semear este sentimento por onde passe.