sexta-feira, março 16, 2012

POESIA E PROFECIA - V Sarau IBCaminho

POESIA É PROFECIA


POESIA E PROFECIA

Porque a poesia e a profecia caminham tão próximas uma da outra? Porque poetas e profetas fazem da palavra o instrumento de sua arte.

O poeta fotografa o sentimento com os seus versos e neles descreve as alegrias, as expectativas e o desalento deste complexo ser que é o humano.

O profeta fica indignado com os poderosos que corrompem o direito dos necessitados e denuncia armações, que de outra forma, permaneceriam tranquilamente escondidas.

Após décadas no exílio, os hebreus voltaram à sua terra e a encontraram abandonada, destruída. A alegria serem livres lhes motivou a cantar, a fim de expressar o desejo de viver num lugar onde a justiça fosse regra e não exceção, para poucos e privilegiados.

Eles compuseram um salmo para exaltar o amor e a fidelidade a Deus, que lhes traria a tão sonhada paz:

Amor e Fidelidade se encontram, Justiça e Paz se abraçam.

A Fidelidade brotará da terra, e a Justiça se inclinará do céu.

O Senhor nos dará a chuva, e nossa terra dará o seu fruto.

A Justiça caminhará à frente dele, a salvação seguirá os seus passos.

Salmo 84.11-14.

A sensibilidade do poeta lhe revela segredos que, expostos, cativam ouvintes atentos. Ele semeia mudanças porque rompe barreiras e amplia as expectativas daqueles que vivem fechados em seu mundo. Quando proferida diretamente, a verdade alcança o cérebro e pode ser rejeitada. Na forma de poesia, ela toca os corações e transforma vidas.

O profeta é a voz daqueles que foram emudecidos pela tirania. De sua boca sai o grito da mãe desesperada pelo filho doente que não consegue atendimento nos hospitais públicos e da criança que sofre abusos, mas não tem com quem dividir o seu sofrimento.

O profeta sente a dor do outro como se sua fosse, por isso ele segue à risca a recomendação feita pela bíblia sagrada: “Abra a boca em favor do mudo e em defesa dos desfavorecidos. Abra a boca e dê sentenças justas, defendendo o pobre e o indigente”. Provérbios 31.8-9

Poesia e profecia são irmãs, filhas do amor, filhas de Deus. Fomos chamados para testemunhar e comissionados para sermos profetas e poetas com o objetivo de anunciar, em alto e bom som, a boa notícia de que o Reino de Deus está entre nós.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

EMERGÊNCIAS

EMERGÊNCIAS

"Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: Não tenha medo; apenas tenha fé!” Marcos 5.36.

Todos os dias durante o exercício do ministério os pastores, missionários e líderes eclesiásticos lidam com o drama das pessoas que estão à sua volta. Os problemas não escolhem hora, eles simplesmente aparecem e precisam ser resolvidos.

Jesus tinha acabado de libertar um homem possesso por maus espíritos e tomou uma barca para atravessar o Mar da Galileia. Mal chegou à praia foi cercado pela multidão e um homem desesperado se aproximou implorando por sua filha enferma, que agonizava.

Diante de um pedido como este qualquer pessoa, em sã consciência interromperia suas atividades para atender ao pai e tentar evitar que o pior acontecesse. Na mesma hora Jesus se dirigiu à casa de Jairo, um importante líder religioso da cidade. Mas com tanta gente cercando-o, era difícil avançar com rapidez.

Neste momento de tanta pressa, mais um drama começa a se desenrolar na frente de Jesus. "Aí chegou uma mulher que sofria de hemorragia já há doze anos; tinha padecido na mão de muitos médicos, gastou tudo o que tinha e, em vez de melhorar, piorava sempre mais. A mulher tinha ouvido falar de Jesus. Então ela foi ao meio da multidão, aproximou-se de Jesus por trás e tocou na roupa dele, porque pensava: “Ainda que eu toque só na roupa dele, ficarei curada.” Marcos 5.25-28

A mulher desesperada por seu problema de saúde tenta se aproximar pelas beiradas, a fim de ter uma chance de chegar perto deste homem poderoso e tocar em suas vestes. Quando ela consegue, o cortejo para, e Jesus lança uma pergunta aparentemente sem sentido naquela ocasião: “Quem foi que tocou na minha roupa?” Com tanta gente ali, era impossível que ele não tivesse sido tocado centenas de vezes.

O texto bíblico não traz esta informação, mas acredito que Jesus percebeu a mulher enferma desde o primeiro momento, mas a deixou à vontade para que ela se aproximasse da maneira que lhe parecesse melhor, para derramar diante dele toda a ansiedade que habitava em sua alma.

Após a cura, Jesus pede que a mulher se apresente, certamente para que ela soubesse que ninguém pode se esconder de Deus. Ao vê-la ,amorosamente lhe diz: “Minha filha, sua fé curou você. Vá em paz e fique curada dessa doença”.

Mais um problema resolvido e todos vão embora felizes da vida, correto? Não! Enquanto o cortejo ficou parado e Jesus atendia à mulher Jairo, angustiado pensava que os preciosos momentos perdidos certamente fariam falta para salvar a sua filha.

Não demorou muito e os piores temores daquele pai se confirmam: "Jesus ainda estava falando, quando chegaram algumas pessoas da casa do chefe da sinagoga e disseram a Jairo: Sua filha morreu. Por que você ainda incomoda o Mestre?”.

Diante daquele homem decepcionado Jesus tranquilamente declara: “Não tenha medo; apenas tenha fé!”. O que ninguém ali sabia é que estavam diante de alguém que tinha o poder para vencer a morte e que a partir desta perspectiva, as emergências humanas perdem a razão de ser.

Quando entrou na casa enlutada suas palavras mais uma vez não fizeram sentido para aqueles corações doloridos: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu. Ela está apenas dormindo”. Um misto de indignação e raiva deve ter invadido aquele lugar: Se é tão poderoso, porque não chegou antes? Devem ter pensado.

Após entrar no quarto, acompanhado dos pais e de Pedro, Tiago e seu irmão João, Jesus, com a sua palavra, devolveu a vida à menina e a alegria daquela casa foi grande. Qual é a emergência que angustia o seu coração? Coloque-a nas mãos de Deus, porque ele cuida de seus filhos com amor.

sábado, fevereiro 25, 2012

Uma Bênção Antiga

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Esperança Alimento Para a Alma - O Livro

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domingo, janeiro 22, 2012

SÉRIE REVIRAVOLTA 1º Capítulo



SÉRIE REVIRAVOLTA 1º Capítulo

O seriado, produzido pela Igreja Batista de São Tomé e dirigido por Renata Oliveira, que é missionária da Junta de Missões Mundiais, está sendo exibido na TVS - televisão santomense, para todo o país.

Os episódios são voltados para os jovens, abordando os problemas que eles enfrentam na perspectiva dos princípios bíblicos, e trazem cenas de ação, para prender a atenção dos espectadores.

Não estou muito atualizado sobre o que os missionários brasileiros têm feito pelo mundo afora, mas considero uma grande ousadia, em termos de estratégia missionária, a ideia de produzir um seriado. Ainda não tinha visto algo semelhante.

Através da arte de representar é possível discutir os temas importantes do cotidiano e mostrar que o evangelho pode trazer respostas consistentes a todos eles. É também uma boa oportunidade para nós que estamos aqui no Brasil, e acompanhamos o ministério da Renata, conhecermos um pouco da vida e da cultura de São Tomé e Príncipe.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Mesa Teológica

Assunto: Consumo desenfreado, um estilo de vida perigoso.
  • Consumir é o passatempo preferido da sociedade pós-moderna. Para alguns o ato de comprar é uma verdadeira terapia. De que forma os hábitos de consumo contribuem para o aprofundamento do abismo social? Será que é possível comprar sem culpa?
Palestrante: Marcos Vichi

Objetivos:
  • Proporcionar a reflexão de que a busca pela justiça social também faz parte do exercício de uma vida devocional sadia.
  • Discutir o tema da preservação ambiental, a partir de bases bíblicas, que nos tornem capazes de olhar para o lugar em que vivemos, como um bem precioso, que deve ser cuidado.
Data: 11 de Fevereiro – Consumo desenfreado, um estilo de vida perigoso.

Horário: 16h00m

Local: Igreja Batista do Caminho (Congregação da PIB Niterói)

Endereço: Rua 137 (Rua Alódio Monteiro dos Santos), casa 162, Piratininga -
* Referência: Esquina com a Avenida Doutor Acúrcio Torres.

Veja o mapa no Google Maps.


domingo, janeiro 01, 2012

FELIZ ANO NOVO!

FELIZ ANO NOVO!

"Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor". Romanos 8.38

Os laços de relacionamentos modernos estão cada vez mais frouxos. Os vínculos entre as pessoas, que antes eram sólidos e confiáveis, se tornaram tênues, quase imperceptíveis. Grupos de amigos, e até casamentos, vão se formando por interesses diversos, menos pelo desejo de acolher o outro do jeito que ele é e como ele está.

Na contramão do individualismo que está na moda, o texto bíblico fala sobre um amor desinteressado, que se traduz numa união eterna entre a pessoa, Deus e o seu próximo. Não há crise econômica, catástrofe natural ou conjuntura política que seja capaz de abalar o amor de Deus pelos seus filhos.

O poeta Tom Jobim detectou a grande ansiedade humana: “é impossível ser feliz sozinho”. O novo ano será feliz, à medida que estejamos abertos a investir tempo para construir novos relacionamentos, a olhar o outro como alguém digno de atenção e respeito.

Quanto mais próximos estivermos das pessoas, mais capazes seremos de perceber a dimensão do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor.

Feliz 2012!

sábado, dezembro 31, 2011

ADEUS ANO VELHO!

ADEUS ANO VELHO!

Apesar de ter sido muito difícil, eu gostei de 2011. Neste ano eu tive a felicidade de alcançar objetivos importantes e há muito tempo sonhados. Minha expectativa é que 2012 seja um tempo de consolidação e de estabilidade.

Um texto bíblico que me sustentou o ânimo durante as crises foi: "Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou". Romanos 8.37. Somos mais do que vencedores, porque mesmo nas situações que não terminam da maneira que desejamos, a graça divina se encarrega de transformar os maus resultados em novas oportunidades para irmos além e superarmos as limitações. "Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o projeto dele". Romanos 8.28

Despeço-me de 2011 com alegria e desejo a todos um fantástico 2012!

segunda-feira, dezembro 26, 2011

O GRANDE SACRIFICIO EM CORDEL

sábado, dezembro 24, 2011



NOITE SANTA

Mark Hayes & Adolphe Adam

Noite de Amor, estrela radiante.
Porque nasceu o menino que é Deus.
Para salvar o homem do pecado,
Com grande glória se abrem os céus.
***********************************
O mundo enfim exulta de esperança,
Na noite em que nasceu o salvador
Cristo é o Rei. Agora e para sempre,
Natal, Natal! Nasceu o Redentor.
***********************************
O redentor livrou-nos do pecado,
E livres somos para adorarmos o Pai.
Cheios de amor levemos a mensagem,
Do evangelho do nosso Senhor.
***********************************
Felizes cantaremos a esperança,
Jesus o Rei dos reis e Salvador,
Cristo é o Rei agora e para sempre.
Natal, Natal! Nasceu o Redentor.

Amazing Grace

Jesus Alegria dos Homens - Johann Sebastian Bach

sexta-feira, dezembro 23, 2011

NATAL, UMA VEZ POR ANO - Ricardo Gondim

NATAL, UMA VEZ POR ANO - Ricardo Gondim

Ricardo Gondim

Eu era menino e achava que o natal devia acontecer todas as semanas. Depois, na adolescência, pensei que um por domingo era demais. Na vida adulta, acabei me contentando com dois natais: o meu e o de Cristo.

Chego à madureza sem detestar ou supervalorizar o natal.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, alguns saiam da rotina e visitem hospitais, lares de idosos, creches. Sei, sei, isso devia ser feito semanalmente. Concordo, natal serve para aliviar a consciência de quem gastou os outros trezentos e sessenta e poucos dias do ano basicamente com ele mesmo. Mas não sejamos tão cruéis com a humanidade – pequenos gestos valem.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, procuramos nos comportar como o Samaritano da parábola. Mesmo com todo o apelo consumista, intuitivamente, recordamos que Jesus de Nazaré contou aquela estória não só para nos ensinar a ser bons, mas para deixar claro quem viverá com Deus. Certo rapaz perguntou-lhe o que devia fazer para herdar a vida eterna. “Ame a Deus e ao seu próximo”, respondeu o Rabino de Cafarnaum. Como não estava mesmo interessado com a resposta, o mancebo retrucou: “E quem é o meu próximo?” Daí nasceu a parábola: “Um homem viajava por uma estrada deserta e perigosa. Assaltantes o abordaram e tiraram tudo o que possuía; depois de espancar, deixaram o pobre meio morto na beira da calçada. A caminho dos ofícios religiosos, passavam por ali sacerdote e teólogo. A dor do que agonizava não os sensibilizou. Eles não pararam; provavelmente, sem tempo para socorrer o moribundo. Mas um estrangeiro o viu naquele estado miserável e se condoeu. Parou e cuidou dele”. O arremate de Jesus foi contundente: “Aprenda a reconhecer no desconhecido o seu próximo. Se quiser herdar a vida eterna, cuidado, nunca seja indiferente; aja como o samaritano”.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, nos lembramos de reunir família e gente querida ao redor da mesa. Juntos fazemos uma refeição litúrgica e comer se torna um rito sagrado. Avisamos à alma: precisamos parar e esperar uns pelos outros. Dizemos que “com-panhia” (com-pão) tem a ver com a alegria de repartir. De tarde, enquanto se prepara a comida, do forno quente brotam memórias. Empilhados, cada prato tem dono (alguns se foram, meu Deus, quanta saudade!). E o brinde promete continuarmos juntos, venha o que vier. Jantamos. As grades do berço primordial, que um dia nos protegeu, ganham ares de parapeito. As pessoas que amamos são o parapeito, a segurança mínima, que precisamos na vida inclemente, e no precipício do tempo.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, acendemos luzes e, de alguma forma, nos conectamos a Deus, pai das luzes, que não abriga sombra em seu caráter. Se somos ambíguos e sutis em nosso convívio, no natal procuramos ser íntegros. Esforçamo-nos para não deixar o lado cavernoso, dissimulado, escuro, reinar sobre o resto de nossa humanidade. Escrevemos votos de alegria, reanimamos a esperança e apostamos na grandeza do outro.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, celebramos o Deus menino. O reino celestial, nos garantem os Evangelhos, tem características infantis. Cristãos festejam a fragilidade do bebê que dependeu dos braços maternos e das decisões paternas para sobreviver. Esvaziado, humilde e carente, Deus se revelou à humanidade numa estrebaria. Talvez nessa revelação repouse a mais alvissareira mensagem do cristianismo: Deus abraçou a humanidade em sua pequenez. Desde cedo, no desterro do Egito, conviveu com olhares odiosos. Criticado dentro de casa, soube amargar a incompreensão. Caçado e morto por sacerdotes e políticos promíscuos, experimentou o abandono derradeiro. No que sofreu, Jesus se tornou o patrono dos desgraçados, paraninfo dos sem-teto, amigo de proscritos. Ele é o ânimo dos que se desgastam pela justiça; o aceno de esperança para os que nadam contra a correnteza. Nele reside a promessa de que o bem semeado no mar da iniquidade jamais será esquecido.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, cuidamos para que cínicos não tomem conta da vida. Sempre vale a pena celebrar, se acendemos uma centelha, um brilho, nos olhos de algum pobre, doente, idoso, discriminado, exilado, viciado, abandonado. Se não conseguirmos, podemos até fingir que estamos alegres no natal; quem sabe a gente gosta de se sentir alegre e quer repetir o natal em outros dias?

Soli Deo Gloria

extraído do site: www.ricardogondim.com.br.

quarta-feira, novembro 16, 2011

A IMPACIENTE EXPECTATIVA DA CRIAÇÃO

A IMPACIENTE EXPECTATIVA DA CRIAÇÃO

Penso que os sofrimentos do momento presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós. A própria criação espera com impaciência a manifestação dos filhos de Deus. Entregue ao poder do nada - não por sua própria vontade, mas por vontade daquele que a submeteu -, a criação abriga a esperança, pois ela também será liberta da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. Romanos 8.18-21

Este texto remete à esperança cristã, que não é apenas escatológica, mas alcança o momento presente, cheio de ansiedade na luta diária pela sobrevivência.

Paulo fala sobre do dilema da vida, em que o sofrimento e a redenção caminham lado a lado, pois, uma olhada na situação ao alcance da vista, mostra um quadro bastante complicado, com agressões ao meio ambiente e crises das mais diversas atingindo países e instituições, que antes eram consideradas muito sólidas.

Tudo isto pode parecer muito distante, mas o mundo globalizado eliminou as fronteiras, principalmente no que se refere às finanças fazendo com que os reflexos de qualquer evento, se espalhem instantaneamente por todo o planeta.

Quando o apóstolo contempla as tribulações da vida presente ele o faz a partir da perspectiva da redenção. No meio de tantos problemas, ele pode caminhar tranquilo, porque sabe que algo melhor lhe espera mais adiante.

A criação sofre com o resultado do pecado. Em desequilíbrio, a natureza produz o caos, respondendo às agressões que tem sofrido. Os ricos estão tranquilos, pois suas casas estão protegidas contra os rigores da tempestade. Os mais pobres, elo mais fraco desta corrente, se angustiam, porque não possuem tantos meios para defender-se.

Quando tudo vai mal, os ricos abandonam as suas casas e se mudam para os melhores lugares, deixando como herança a terra devastada. Aos pobres, resta a opção de viver, pelo tempo que lhes for concedido, nos lugares onde ninguém deseja permanecer tais como: antigos lixões, encostas de morro ou terrenos abandonados.

Quando estas áreas começam a apresentar algum interesse comercial, se inicia o processo de remoção, para que a oportunidade do lucro não seja perdida.

A grande injustiça da sociedade capitalista está em que não existem condições de se manter o padrão atual de consumo e estendê-lo igualmente para que todos os habitantes da terra usufruam de seus benefícios. Então, para que poucos acumulem muito, muitos precisam viver na miséria, sem perspectivas de vislumbrar qualquer melhoria.

Mas nem tudo está perdido, pois a criação abriga a esperança de redenção, a partir do caos em que ela se encontra atualmente.

Durante milhões de anos a terra viveu e sustentou-se muito bem se qualquer vestígio da presença humana. A natureza não depende do homem para se recompor, após cada desastre, ela mesma vai se reorganizando para voltar a se apresentar com toda a sua exuberância original.

A esperança cristã é exatamente esta, de que um dia possamos viver num mundo onde não haja injustiça, fome tristeza ou violência. É por isso que oramos e pregamos a boa nova do evangelho.

Quando absorvemos o evangelho e começamos a espalhar a sua semente no coração das outras pessoas, temos a oportunidade para estabelecer uma agenda ministerial libertadora, que não se preocupe apenas com as questões internas da igreja, mas que aborde os temas sensíveis da sociedade e repudie com veemência toda a manifestação de opressão e injustiça que teime em se legitimar pelo silêncio das lideranças acomodadas.

A redenção que esperamos, trará paz e liberdade e ela começa a partir do momento em que o Reino de Deus se estabelece em nosso coração. Que sejamos estes agentes de transformação social que Jesus sonhou quando estabeleceu a igreja na terra, para dar continuidade ao seu ministério.

quarta-feira, novembro 02, 2011

A CERTEZA QUE É FRUTO DO ESPÍRITO

A certeza que é fruto do Espírito

"Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. E vocês não receberam um Espírito de escravos para recair no medo, mas receberam um Espírito de filhos adotivos, por meio do qual clamamos: Abba! Pai! O próprio Espírito assegura ao nosso espírito que somos filhos de Deus. E se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus, herdeiros junto com Cristo, uma vez que, tendo participado dos seus sofrimentos, também participaremos da sua glória". Romanos 8.14-17

Introdução

A característica marcante da pós-modernidade é a ausência da certeza. O avanço da tecnologia produz tal quantidade de informação, que é praticamente impossível assimilar tudo adequadamente.

A relativização das ideias fragmentou o conceito de certo e errado determinando que cada um possui a sua verdade particular e, dependendo do ponto de vista, a que é submetido, todos têm razão.

As relações de trabalho se degradam a olhos vistos e o crescimento dos índices de desemprego estimula a concorrência desleal, que deixa o trabalhador inseguro em relação ao futuro.

Diante deste cenário caótico, a Bíblia aponta para um fato que nos garante conforto, acolhimento, segurança e a certeza de que pertencemos à família de Deus:

1) Somos filhos porque fomos escolhidos.

Paulo não deixa espaço para dúvidas: "Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. A primeira consequência deste reconhecimento é assumir uma postura diferente diante das exigências apresentadas pela vida.

Ao dizer que não somos mais escravos, ele afirma que não somos objetos que se prestam a esta ou aquela utilização, mas que possuímos identidade somos filhos e não precisamos temer o relacionamento familiar.

O filho não teme porque confia que o seu pai lhe oferecerá carinho e proteção. A condição de adotado não lhe causa desconforto, porque ele sabe que foi escolhido e acolhido com amor no coração paterno.

Esta certeza não está apoiada em pressupostos frágeis, por que...

2) A convicção de ser filho de Deus é dada pelo Espírito Santo.

O próprio Deus confirma em nosso coração e oferece um testemunho plenamente confiável da nossa condição. Não há porque temer a rejeição.

“Contrapondo-se ao egoísmo, a ação do Espírito cria um novo tipo de relacionamento dos homens entre si e com Deus: a relação de família. Agora podemos chamar Deus de Pai, pois somos seus filhos e isto é a base de relações sociais recompostas: o clima de família se alastra porque todos são irmãos”. [1]

Olhar o outro como irmão significa acolher esta pessoa da mesma forma que fomos recebidos por Deus. Ele deixa de ser estranho ou estrangeiro e passa a ser parte da minha família. Por conta disso, eu passo a me importar com a sua vida e o seu futuro.

Fazer parte desta família espiritual traz um privilégio, que é a intimidade. Deus quer estar próximo, por isso permite que o chamemos de paizinho (Abba pai). Não existe nada melhor do que saber que podemos voltar para casa e encontrar ali tranquilidade, proteção e o alívio das tensões diárias.

O Espírito Santo trata de afastar qualquer dúvida que venha a assaltar o nosso coração assegurando-nos de que somos filhos e que nada pode revogar esta condição diante do pai.

3) Ser filho de Deus nos torna participantes de sua glória.

O ato de reconhecimento de paternidade traz consigo o direito dos filhos à herança. No caso humano isto se refere aos bens da família. Mas “A herança prometida por Deus aos ‘que são guiados pelo espírito’ consiste em participar do Reino. Isto implica a seriedade de um testemunho como o de Jesus Cristo” [2].

Participar do Reino é ter a oportunidade de olhar para o mundo onde vivemos com um olhar inconformado. Este inconformismo deve ser o estopim para a busca de transformações efetivas para a sociedade.

Em seu ministério, Jesus não foi condescendente com as injustiças que presenciou. Ser participante da glória de Deus é um privilégio, que carrega em si a responsabilidade de cuidar dos nossos irmãos que sofrem as consequências da pobreza e da exploração.

Da mesma forma que cuidamos do bem estar da nossa família, precisamos nos importar com a sociedade, para que ela se torne um lugar mais justo. Assim, seremos capazes de ver o Reino de Deus se estabelecendo e vencendo o pecado. Esta é a herança de filhos, que nos está reservada.

Conclusão

Neste tempo de alta competitividade e solidão é alentador saber que podemos fazer parte de uma família que nos recebe amorosamente, apesar das imperfeições que fazem parte da condição humana.

A certeza que o Espírito Santo oferece de que somos filhos amados de Deus não nos desconecta da vida real e de seus sofrimentos, mas anima o coração a resistir, porque conforme a bíblia afirma: “uma vez que, tendo participado dos seus sofrimentos, também participaremos da sua glória”.

Participar da glória divina é consolidação da esperança cristã. Enquanto esperamos que ela se realize, podemos espalhar a mensagem do evangelho, para que mais pessoas entendam que o Reino de Deus começa agora e vai nos acompanhar por toda a eternidade.

Precisamos aprender a entregar as nossas angústias nas mãos daquele que nos ama de verdade. Precisamos aprender a descansar como crianças nos braços do Pai. Precisamos aprender a ser filhos de Deus.

NOTAS

1 e 2 – BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – p. 1383.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Esperança no Meio da Crise

Esperança no meio da crise by compartilhandopalavras

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Esperança no Meio da Crise

Efésios 3.16-20

Introdução

Numa conversa em casa minha mãe me perguntou: Como a religião nos prepara para suportar as pancadas da vida? Na hora a minha resposta limitou-se ao lugar comum, a repetir aquelas expressões que ouço desde que comecei a frequentar a igreja: Deus é bom, ele nos protege, espera milagres, etc. Todas estas afirmações são corretas, mas eu não fiquei satisfeito e continuei pensando sobre o assunto.

Alguns dias mais tarde, pensei sobre a fé em Deus e na importância que ela teve para me ajudar a superar as dificuldades da vida, que não foram poucas. Cheguei à conclusão de que é o relacionamento com Deus que faz toda a diferença na hora em que a tempestade chega com força.

O texto de Efésios 3.16-20 sempre me vem à mente nas horas difíceis. Ao estuda-lo podemos ver o quanto o relacionamento com Deus pode nos ajudar a encontrar esperança, mesmo no meio de uma grande crise.

Para facilitar o entendimento da mensagem, dividiremos o texto em três partes:

I

"Que ele se digne, segundo a riqueza da sua glória, fortalecer a todos vocês no seu Espírito, para que o homem interior de cada um se fortifique. 17 Que ele faça Cristo habitar no coração de vocês pela fé". Efésios 3.16-17a.

Para enfrentar uma trilha difícil, é preciso estar bem alimentado. Quando alguém está fraco, à medida que o tempo passa, a força se reduz sinalizando que o corpo está sentindo falta da alimentação que não recebeu. Dependendo do preparo físico, a pessoa não conseguirá chegar ao fim do caminho e terá que voltar para receber ajuda.

A boa alimentação produz força para seguir em frente, ela torna o corpo resistente às doenças que debilitam, desanimam, roubam a energia vital e podem até matar.

Fortalecer o espírito também é importante, pois é complicado acordar, sair de casa, enfrentar o trânsito para trabalhar e pensar que o final do mês está se aproximando e que o dinheiro não será suficiente para pagar todas as contas.

O texto bíblico afirma: “segundo a riqueza da sua glória, fortalecer a todos vocês no seu Espírito, para que o homem interior de cada um se fortifique”. Quando o espírito está forte, temos condições de suportar a luta diária pela sobrevivência, para enfrentar as incertezas e as crises, que estão rondando e aparecem para causar problema e tirar a paz.

O apóstolo Paulo ressalta a fé como o ponto de partida para a nossa união com Deus. A fé nos aproxima do Pai celestial. Este contato proporciona a consciência do amor de Cristo. Conscientes deste amor, podemos cuidar do alicerce de nossa fé.

II

"Enraizados e alicerçados no amor, vocês se tornarão capazes de compreender, com todos os cristãos, qual é a largura e o comprimento, a altura e a profundidade, de conhecer o amor de Cristo, que supera qualquer conhecimento, para que vocês fiquem repletos de toda plenitude de Deus". Efésios 3.17b-18

As árvores suportam ventos fortes no momento da tempestade. Quando estão bem enraizadas elas se vergam, mas não caem. Aquelas que estão doentes, ou com o tronco comido pelos cupins, não resistem, e causam muitos prejuízos.

Casas bonitas e bem arrumadas também sofrem as consequências da falta de um alicerce profundo e são levadas pela enxurrada causada por uma chuva mais forte. Quanto mais enraizados e alicerçados estivermos em Cristo, termos mais condições para resistir no dia mau.

Este enraizamento é fruto de um relacionamento com Deus. Uma árvore não cresce de um dia para o outro, ela precisa de tempo para se desenvolver e aprofundar as suas raízes no solo.

Da mesma forma acontece na vida com Deus, se cultivamos um relacionamento com ele, na hora em que a necessidade aparecer, saberemos onde buscar. Quando estamos fortes, mesmo que as pancadas nos atinjam de forma dolorida, elas não irão nos derrubar.

As amizades se fortalecem com o tempo. Quanto mais investimos em conhecer alguém, mais chances haverá para descobrir interesses comuns, preferências, até que chegar ao ponto de entendermos o que o outro quis dizer apenas com um olhar.

Devemos nos envolver com Deus de tal forma que não sejam necessárias muitas palavras, seja para expressar os nossos sentimentos, ou para ouvir a sua doce voz.

Conhecer intelectualmente o amor de Deus não é suficiente. É necessário experimentá-lo. A partir do momento em que estamos alicerçados e enraizados no amor, podemos compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo.

Estes conceitos remetem às construções que traze a ideia de uma casa onde podemos entrar e encontrar proteção e refúgio do mundo ameaçador. O lar é o nosso lugar, que transmite segurança e paz.

O Senhor nos convida a habitar em seu amor e a descobrir que a bênção que ele nos oferece, supera qualquer expectativa que possamos ter do que seja melhor.

Ao compreender esta dimensão do cuidado divino, podemos olhar as dificuldades de um novo patamar, o da esperança. Não temos a capacidade para resolver todos os problemas, mas confiamos naquele que pode cuidar daquilo que escapa ao nosso controle.

III

"Deus, por meio do seu poder que age em nós, pode realizar muito mais do que pedimos ou imaginamos; a ele seja dada a glória na Igreja e em Jesus Cristo por todas as gerações, para sempre. Amém!" Efésios 3.19-20.

Fazer muito mais é transformar o mal em bênção. Ao olhar para a minha vida posso contar muitas situações que poderiam gerar consequências terríveis, mas que me proporcionaram coisas boas, quando foram colocadas na perspectiva do amor divino.

Em alguns momentos difíceis, eu achei que estava sozinho, mas ao analisar todos os fatos, percebo o quanto fui ajudado por pessoas que estiveram ao meu lado e me ampararam. Elas representaram a presença de Deus me consolando e renovando as forças.

Estas bênçãos precisam ser colecionadas no coração, armazenadas na memória para que sejamos capazes de recordá-las nos tempos difíceis e consigamos renovar a esperança.

Fazer muito mais é trazer novas perspectivas para a vida a partir das tragédias pessoais. Não é somente o desemprego e a falta de dinheiro que atrapalham a vida. A doença, o acidente e até mesmo a morte, podem surpreender e nos deixar sem chão. Ainda que estes problemas machuquem, nos façam chorar, Deus tratará de cada situação e revelará novas perspectivas.

Decisões erradas produzem arrependimento, mas Cristo estabelece pontos de restauração, que permitem a construção de uma nova história, cuja matéria prima está nos cacos da antiga.

Fazer muito mais, na perspectiva divina, é poder contemplar os pequenos milagres do cotidiano. Isto é importante porque às vezes a situação está muito complicada, mas temos a oportunidade de ver Deus atuando em alguns detalhes, que se são prestarmos a devida atenção, passarão despercebidos.

Uma conversa com o amigo, a visão do por do sol, uma viagem ou um passeio. Coisas simples no dia a dia, que vão encher o coração de alegria. Estes são pequenos milagres que acontecem e nos ajudam a caminhar. Quase sempre eles não resolverão todo o problema, mas trarão conforto e consolo para a alma.

Fazer muito mais é não perder a capacidade de sorrir, mesmo sentindo dor. A alegria de que a bíblia fala, é fruto de uma esperança que não está associada à situação presente, mas à fé que tem a certeza de que, independentemente do resultado, tudo vai colaborar para o bem daquele que ama a Deus. Sorrir, ainda que sentindo dor, traz saúde ao coração.

Conclusão

O apóstolo Paulo tinha experiência com as situações difíceis e podia falar com autoridade sobre como o seu relacionamento com Deus produziu a esperança que lhe fortaleceu para superar as crises que ele precisou enfrentar ao longo do seu ministério.

Em II Coríntios 4.8-9 ele define como o poder de Deus opera levando-nos mais além do que podemos imaginar: "Somos atribulados por todos os lados, mas não desanimamos; somos postos em extrema dificuldade, mas não somos vencidos por nenhum obstáculo; somos perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados".

Esta é a essência que da bênção de Deus. Ela não nos retira do mundo nem nos livra dos problemas, mas nos ajuda a vencê-los. Ela nos ajuda a rir, apesar de tudo, porque a nossa alegria está mais adiante, nas mãos do Pai.

Um entendimento que obtive a partir das dificuldades que enfrentei é o seguinte: Por mais demorada que seja uma provação, ela sempre passa. Por mais complicado que seja um problema, ele termina. Quando deixamos a semente da esperança florescer no coração, somos capazes de enfrentar os problemas e chegar ao fim alegres e com saúde.

Precisamos habitar no amor de Deus, trazer as suas promessas para o nível da realidade. É nesta esperança que eu desejo finalizar a mensagem convidando-os para orar e receber a bênção do Senhor.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Desafios da Educação - Isabele Rangel

domingo, outubro 16, 2011

O TEMPO DA ORAÇÃO

O TEMPO DA ORAÇÃO

Debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: Tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta. Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir. Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempo para bailar. Tempo para atirar pedras e tempo para recolher pedras. Tempo para abraçar e tempo para se separar. Tempo para procurar e tempo para perder. Tempo para guardar e tempo para jogar fora. Tempo para rasgar e tempo para costurar. Tempo para calar e tempo para falar. Tempo para amar e tempo para odiar. Tempo para a guerra e tempo para a paz. Eclesiastes 3.1-8

Introdução

Em suas observações sobre a vida o Sábio escritor do livro do Eclesiastes notou que ela está repleta de momentos contraditórios: paz, guerra, amor, ódio, etc.

Como é impossível possuir o controle absoluto sobre a existência, o ser humano costuma utilizar a oração como um auxílio, uma válvula de escape para a alma atribulada.

Ao falar sobre a oração tratamos obrigatoriamente sobre o tempo cronológico e as questões que ele desperta: porque esperamos tanto por algumas respostas que nem sempre são tão claras? O que fazer com as orações que não são respondidas? Quais são os tempos da oração?

O primeiro tempo da oração é o tempo da necessidade, quando tudo parece dar errado. O sábio chama estes momentos de: “Tempo para morrer, tempo para chorar, tempo para destruir”. Quando a saúde dá um susto, quando esgotamos todos os nossos recursos, nos lembramos da importância da oração começamos a pratica-la.

Ao invés de diálogo, esta oração se assemelha a uma lista de compras, com inúmeros itens desejados e o relacionamento com Deus fica no segundo plano, sufocado pelas necessidades.

O segundo tempo da oração é o tempo de esperar: quando o coração aperta de ansiedade: “Tempo para gemer, tempo para procurar, tempo para calar”.


O instantâneo é a exigência de nosso século. As redes sociais, smartphones, e-mails, tablets nos conectam a internet e tornam a comunicação imediata. Em consequência disto, ninguém tem mais paciência para esperar.


Neste ambiente a oração parece não fazer muito sentido, porque ela remete à inatividade. Quando oramos nos recolhemos e abandonamos as atividades normais, para suplicar a ação divina em resposta às nossas demandas.


A oração é um período de aparente imobilidade, mas ela move as regiões espirituais, e produz resultados que fogem à capacidade humana de intervenção.


O terceiro tempo da oração é o tempo da resposta, quando um ciclo se fecha e outro se inicia. O escritor do Eclesiastes fala: “tempo para curar, tempo para rir, tempo para amar”. É o tempo para aproveitar e curtir a bênção


Algumas respostas apontam caminhos diferentes. Quantas vezes planejamos seguir um determinado caminho e na hora de colocar em prática, aparecem desvios que nos obrigam a reprogramar a rota inicialmente planejada.


Outras respostas não vêm como desejamos. Esperávamos o sim, mas veio o não e ficamos bastante chateados. As orações respondidas negativamente oferecem a oportunidade para reorganizar a vida e abandonar planos que não dariam certo e só consumiriam o nosso tempo em vão.


O relacionamento com Deus, fruto da oração habitual, nos concede sabedoria para identificar as respostas divinas e transformá-las e bênção para a vida.

As orações respondidas acalmam o coração e marcam o encerramento de um ciclo. Por mais difícil e demorada que uma crise pareça, ela sempre passa e um dia, vamos olharemos para traz e vamos perceber o quanto crescemos ao enfrentar estes problemas.

A vida continua, outros desafios aparecerão, vão exigir novos esforços e receberão novas respostas, que fortalecerão a fé e alimentarão a esperança para viver a dinâmica dos ciclos da vida: “tempos de calar, de sofrer, de rir de amar e celebrar”.

Conclusão

A caminhada por uma trilha na floresta tem momentos em que precisamos parar para tomar fôlego e beber água. Alguns pontos são íngremes e exigem um esforço bem maior, mas o final é recompensado com uma bela paisagem e todo o cansaço do caminho se transforma em alegria.

Antes mesmo de ser atendida ou não, o maior milagre que a oração proporciona é o relacionamento que nos aproxima de Deus. Ela tira o nosso olhar da limitada dimensão humana e mostra as infinitas possibilidades divinas de transformar o mal em bem e a tristeza em alegria.

Nos braços do Pai ouvimos a sua voz dizendo que somos filhos amados, recebemos o conforto, a cura e a vida adquire um novo sentido.