quarta-feira, junho 27, 2007

ESPIRITUALIDADE E ECOLOGIA

ESPIRITUALIDADE E ECOLOGIA

Atualmente existe um ramo da teologia que cuida da ecologia. Estes teólogos consideram a preocupação com o meio-ambiente como evidência de maturidade espiritual. O planeta terra não é somente um amontoado de pedras, água e minerais, mas um organismo vivo que precisa de cuidado. É a casa comum que Deus nos deu. Nesta abordagem o homem não é visto como dominador, mas como parte integrante do sistema de vida e tem a responsabilidade de não esgotar os recursos colocados à sua disposição. A extinção do planeta terra corresponderá ao nosso fim também.

À igreja cabe a responsabilidade de alertar às pessoas sobre a urgência de preservar mares, rios, florestas, animais porque eles também são criação de Deus e porque quando bem cuidada, a natureza responde com prosperidade, fartura e beleza. Dimesão simbólica do amor divino[1]. Quando ela é maltratada, responde com violência e produz a morte. Dimensão diabólica da conseqüência do pecado [2].

Que culpa teve Deus pelo Tsunami que matou tantas pessoas na Indonésia e países vizinhos, que eles até desistiram de contar? Uma das razões para esta tragédia pode estar nos países “cristãos” altamente industrializados produtores de tanta poluição, que elevam a temperatura do planeta, causando o derretimento das geleiras, que provocam a alteração das correntes marítimas e o aumento do nível do mar. Quando acontece um terremoto, tão comum naquela área, a bagunça se complica. Existem lugares no Brasil que foram construidos em terrenos aterrados. Hoje, alguns destes locais estão desaparecendo, porque o mar está invadindo e destruindo tudo. É culpa e Deus que estas pessoas fiquem desabrigadas?

Precisamos cuidar da natureza. A maneira como utilizamos a água, a energia elétrica, o critério de separação do lixo e as formas para evitar o desperdício, podem parecer ações sem valor, mas quando multiplicadas, podem fazer grande diferença. A sociedade está preocupada com os efeitos das alterações climáticas de que forma a igreja e a teologia serão capazes de apresentar respostas para estes questionamentos? Esta responsabilidade é minha, é sua, é de todos nós.

NOTAS

[1] Símbolo / Simbólico – Sua origem provém do grego clássico symbállein ou symbállesthai. Literalmente significa: lançar (bállein), junto (syn). O sentido é lançar as coisas de tal forma que elas permaneçam juntas. Num processo complexo significa re-unir as realidades, congregá-las a partir de diferentes pontos e fazer convergir diversas forças num único feixe. (BOFF, Leonardo. O Despertar da Águia, o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade – Editora Vozes – Petrópolis – RJ – 1998 – p. 11.)

[2] Diabólico – Provém de Dya-bállein. Literalmene significa: lançar coisas para longe, de forma desagregada e sem direção; jogar fora de qualquer jeito. Dia-bólico como se vê, é o oposto do sim-bólico. É tudo o que desconcerta, desune, separa e opõe. (BOFF, Leonardo. O Despertar da Águia, o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade – Editora Vozes – Petrópolis – RJ – 1998 – p. 12.)

3 comentários:

Ruben Marcelino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruben Marcelino disse...

Parabenizo você por escrever sobre um tema tão urgente como este. As religiões precisam estar mais do que atentas à questão ambiental, da qual depende a sobrevivência da humanidade e que, em relação à biodiversidade, é um assunto absolutamente moral. Do ponto de vista teológico, nem se fala. É impossível ser um religioso autêntico e desconsiderar o respeito a natureza, uma vez que ela reflete a imagem da divindade.

Um abraço!

Nora Silvina disse...

Como compartimos hace unas semanas, también somos administradores de la naturaleza y todo lo que en ella hay. La iglesia debería ser luz y sal también en este tema. Buenísimo que vos hagas tu aporte desde aquí :-)