quarta-feira, março 12, 2008

RELIGIÃO, RITUAL E LIBERTAÇÃO.


RELIGIÃO, RITUAL E LIBERTAÇÃO.

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar”.
Isaías 58.6-12

O profeta Isaías pregou esta mensagem a um povo religioso, que não se esquecia de suas obrigações rituais e que estava curioso pelo fato de não ver sua dedicação recompensada de forma satisfatória. Eles desejavam a prosperidade, ansiavam por ver a sua nação reconstruir o império da época de Davi e Salomão, mas as suas orações permaneciam sem resposta.

Nesta advertência, Isaías lembra que apenas participar das celebrações rotineiras não garante bônus espirituais para isentar do compromisso com a justiça e a libertação do faminto e do desamparado. É importante perceber que esta preocupação nasce como fruto do amor a estas pessoas que foram excluídas da sociedade e é vinculada à prática da verdadeira religião. De que adiantam as orações, os jejuns e os cultos solenes, se fora das quatro paredes do templo a dignidade humana é posta de lado em nome de conveniências econômicas e políticas.

Para ver a sua oração respondida e recuperar a grandeza de sua importância política, Israel teria que aprender a olhar para cada pessoa, independentemente da classe social, como um ser humano digno de cuidado. Somente assim o seu culto seria agradável a Deus.

Queremos ver a glória de Deus manifestando-se em nosso país, que a sua luz brilhe e que a sua cura se manifeste? Então está na hora de arregaçarmos as nossas mangas e partir para uma ação que permita aos nossos pobres, famintos, nus e abandonados perceberem que Deus existe para eles também. Esta não é uma tarefa fácil, pois o caminho esconde muitas armadilhas, mas Deus promete estar ao nosso lado e responder quando precisarmos de ajuda.


Não basta decretar que “Jesus é o Senhor desta nação”. Para reconstruir a nossa sociedade e torná-la um “jardim regado”, conforme diz o texto, precisamos sair do conforto de nossos templos, nos envolver e sentir como se fosse nossa, a dor daqueles que levantam todas as manhãs sem ter um motivo para sonhar com um futuro melhor.

Um comentário:

Pedro Grabois disse...

Marcos,
que texto heim, o seu e o de Isaías hehe... Isaías 58 é uma crítica maravilhosa... este paradigma de fé dá vontade de seguir... mas é difícil mesmo... muiiitas armadilhas no caminho...
tamos aí...
voz profética...

ABRAÇÃO,
PEdro.