terça-feira, junho 24, 2008

SEDE DE JUSTIÇA



JUSTIÇA SOCIAL TAMBÉM É VIDA DEVOCIONAL


Texto Básico: Amós capítulo 5


Mensagem – 02 – Amós 5.14-15



SEDE DE JUSTIÇA

"Procurem o bem e não o mal; então vocês viverão. Quem sabe, assim – como vocês dizem – Javé, Deus dos exércitos, estará com vocês. Odeiem o mal e amem o bem; restabeleçam o direito no tribunal. Quem sabe, assim, Javé, Deus dos Exércitos, terá misericórdia do resto de José". Amós 5.14-15


O povo brasileiro é apaixonado por futebol. Multidões se reúnem nos estádios e em frente à TV para assistir aos jogos dos campeonatos e em época de copa do mundo, o país para ao ver a bola rolar pelo gramado.

Os jogadores sabem que esta paixão é coisa séria e por isso se esforçam muito para fazer os gols que ajudarão a levar o seu time à vitória. Quando atuam mal, eles se escondem, pois sabem que a torcida reagirá com irritação e, em alguns casos, até com fúria.

Toda esta vibração com o futebol se transforma em apatia quando o assunto é a política, saúde ou segurança das cidades ou do país. Os sucessivos escândalos já não surpreendem mais. Como o profeta Amós pode nos ajudar a enfrentar esta estrutura social tão problemática? Como ele enfrentou os males do seu tempo?

1. Amós Lembrou que é Necessário Recuperar a Indignação Diante do Mal Social. "Odeiem o mal e amem o bem".

Os necessitados de minha cidade também são pessoas amadas por Deus

Ao nascer o bebê precisa de cuidado integral. Ele chora quando tem fome, sede ou sofre com alguma dor, pois sabe que a sua mãe o compreenderá e virá em seu auxílio. Abandonado, ele não terá condições para sobreviver. Esta é a primeira dimensão do cuidado que o ser humano enfrenta .
As necessidades mudam à medida em que a pessoa cresce, mas uma delas é comum à toda a humanidade: Ninguém pode viver só. Cuidar do próximo nos humaniza: "O cuidado revela de maneira concreta como é o ser humano (...) O ser humano é um ser de cuidado, mais ainda, sua essência se encontra no cuidado. Colocar cuidado em tudo o que projeta e faz, eis a característica singular do ser humano." (1)

A partir desta visão o outro passa a ter um rosto e um nome deixando de se apenas um número na estatística da violência e da miséria. Ele se torna gente.

O amor torna meu, o sofrimento do outro.

O Cuidado revela amor: "O cuidado somente surge quando a existência de alguém tem importância para mim. Passo então a dedicar-me a ele; disponho-me a participar de seu destino, de suas buscas, de seus sofrimentos e de seus sucessos, enfim, de sua vida."(2)

O envolvimento na causa da justiça social só se torna possível quando existe o amor. Este trabalho consome tempo, requer envolvimento com os problemas complicados de outras pessoas e nem sempre terá uma solução satisfatória. Qualquer expectativa de reconhecimento produzirá frustração. A recompensa deve acontecer pelo simples fato de poder colocar o cuidado em prática.

2. Amós Ouviu a Pergunta do Povo: Onde Deus Está Nesta Desordem Toda? "Quem sabe, assim – como vocês dizem – Javé, Deus dos exércitos, estará com vocês".

Porque ele não põe fim ao sofrimento?

Este questionamento atormenta a alma sempre que alguma tragédia atinge pessoas inocentes, mais ainda se estas forem crianças. O silêncio do Todo-poderoso incomoda quando nos sentimos impotentes para deter as conseqüências do mal. Será que o Pai celestial não se importa com o destino dos seus filhos?

Em Jesus, Deus tornou-se homem e sofreu a injustiça. Jesus sofreu por nós e sofreu conosco: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado." Hebreus 4:15.

A bíblia revela que o sofrimento humano entristece o coração de Deus de tal forma, que ele decidiu identificar-se completamente com a sua criação. Em Jesus, Deus tornou-se homem e sofreu a injustiça. Jesus sofreu por nós e sofreu conosco: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado." Hebreus 4:15.

A igreja como resposta divina à calamidade.

Jesus Cristo outorgou o Espírito Santo à sua igreja. Ele habita o coração de cada um de seus membros, proporcionando a certeza de que fomos resgatados do pecado e amorosamente acolhidos pela graça de Deus.

Cabe à igreja a tarefa de dar continuidade ao ministério de Jesus Cristo na terra tornando-se a sua presença nos lugares onde o sofrimento acontece. Onde Deus está quando sofremos? A pergunta certa deveria ser: Onde a Igreja está nestas horas (Pilip Yancey).

A igreja dará continuidade ao ministério de Cristo, marcando a sua presença nos lugares onde o sofrimento insiste em imperar. Não podemos ocultar esta esperança de redenção.

3. Amós Anunciou a Resposta: Deus é Encontrado Onde Há Justiça. "Restabeleçam o direito no tribunal. Quem sabe, assim, Javé, Deus dos Exércitos, terá misericórdia do resto de José".

A injustiça social é pecado.

A igreja não pode calar-se diante da iniqüidade. Ela deve lutar para que a causa do mais fraco seja ouvida e articular-se para cobrar do poder público a mudança das leis injustas. Desta forma ela dará um testemunho do amor divino mais forte do que várias pregações proferidas em seus templos.

Tortura, morte, assalto a trabalhadores ou aos cofres públicos são sinais de carência de amor numa sociedade. "A justiça é aquele mínimo de amor sem o qual a relação entre as pessoas deixa de ser humana e se transforma em violência" (3)

Uma doutrina sã não hesitará em condená-la

O Evangelho valoriza a vida acima da lei e das tradições. Quando a realização destas favorece a opressão dos mais fracos, certamente Deus as rejeitará, tal como Jesus fez, quando foi criticado por permitir que seus discípulos colhessem espigas de milho, num sábado, para mata a fome. "Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor." Mateus 12.7-8


Conclusão

O amor é o vínculo da nossa união com o outro e com Deus: "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim". João 17.22-23

A graça recebida só produz os seus efeitos quando é compartilhada com o outro, caso contrário, ela se transformará em egoísmo. O egoísmo destrói a relação com o próximo e nos afasta de Deus. "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" I João 4-1


Notas

1. BOFF, Leonardo, Saber Cuidar: ética do humano – p. 91

2. BOFF, Leonardo, Saber Cuidar: ética do humano – pp. 34 e 35

3. BOFF, Leonardo. Igreja Carisma e Poder – p. 66


4. BOFF, Leonardo, Saber Cuidar: ética do humano – p. 100

Referências

BOFF, Leonardo, Igreja: carisma e poder, Ed. Record – Rio de Janeiro – RJ – 200

BOFF, Leonardo, Saber Cuidar: ética do humano – compaixão pela terra – Vozes – Petrópolis – RJ – 1999

quinta-feira, junho 12, 2008

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL
Frei Betto

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: “Qual dos dois modelos produz felicidade?”

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à aula?” Ela respondeu: “Não, tenho aula à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde”. “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã...” “Que tanta coisa?”, perguntei. “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: “Tenho aula de meditação!”

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra!

Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!” O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de O desafio ético (Garamond), entre outros livros.

quarta-feira, junho 11, 2008

DEUS, VIDA E DIGNIDADE


JUSTIÇA SOCIAL TAMBÉM É VIDA DEVOCIONAL


Texto Básico: Amós capítulo 5.

Mensagem – 01 – Amós 5.4-7



DEUS, VIDA E DIGNIDADE

“Assim diz Javé à casa de Israel: Procurem a mim, e vocês viverão. Não procurem Betel, não façam romarias a Guilgal, nem corram para Bersabéia. Pois Guilgal irá toda para o exílio e Betel será reduzida a nada. Procurem a Javé, e vocês viverão. Senão, ele virá como um fogo sobre a casa de José e a queimará, e em Betel não haverá quem o apague. Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra.” Amós 5.4-7


O mundo é complicado, para qualquer lado que se olhe é possível observar que algo está fora da ordem. A grande expectativa das pessoas é perceber a intervenção de um poder superior, que promova num passe de mágica, aquilo que não temos sido capazes de produzir ao longo dos séculos: Justiça.

A bíblia registra em suas páginas episódios destas intervenções, e revela a sutileza da ação divina ao longo da história humana. Ao invés de buscar os holofotes e os poderosos do momento, Deus escolhe os mais simples, provenientes dos lugares mais afastados para, junto com eles, iniciar um processo de transformação que começa no dia-a-dia do povo, e produzirá um impacto espiritual profundo.

Amós era um simples vaqueiro que vivia tranqüilamente cuidando de algumas cabeças de gado em seu sítio, quando foi chamado por Deus para denunciar e “colocar em polvorosa todo um regime de injustiças”. O comprometimento do profeta em proclamar esta mensagem despertou o povo de Israel no século oitavo antes de Cristo, e ainda hoje toca os corações daqueles que consideram a justiça social como fator determinante da vida devocional da igreja e da sociedade. A mensagem de Amós incomodou aqueles que queriam que tudo permanecesse no mesmo lugar, porque ele ia direto ao assunto:


1. Amós Denunciava o Mal que Provocava o Afastamento de Deus. "Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra”.

Primeiro pecado: torcer o direito em favor dos privilegiados.

Como em todas as épocas, os ricos da terra de Amós, desfrutavam das facilidades que podiam comprar com o dinheiro que possuíam. Não contentes com isso, eles ainda buscavam comprar vantagens adicionais, subornando as autoridades para burlar a lei, que pretendia produzir a igualdade entre os diversos estratos sociais daquela nação.

A aliança entre o poder político e o religioso garantia o silêncio necessário para preservar a boa imagem dos poderosos na sociedade. Seria o plano perfeito, se não aparecesse um profeta impertinente para revelar com todas as letras possíveis o que estava sendo feito às escondidas: “Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra”.

O direito se transforma em veneno quando ele legaliza os meios de opressão e, ao invés de proteger o necessitado, amplia a miséria onde ele vive. Uma das formas de se lançar o direito por terra naquela época era o pesado sistema de impostos que sacrificava o povo, para sustentar os governantes e sacerdotes.


Segundo pecado: desprezar a justiça em nome da conveniência.

Quando acontece da notícia de um crime tomar proporções nacionais, é comum ouvir-se o clamor pela justiça contra os acusados, mas quantas vezes, em nosso dia-a-dia, permitimos que as injustiças aconteçam sem que isto nos incomode. O caso Isabela causou indignação, mas quantas outras crianças sofrem abusos, são feridas e mortas, sem que ninguém diga uma palavra em protesto? É necessário que a justiça seja feita neste crime, mas é fundamental que a partir daí, ela se espalhe como um rio de águas purificadoras, que procede do trono de Deus, para saciar a sede tantas famílias, que hoje padecem esquecidas.

O que a Igreja de Cristo pode fazer para encontrar caminhos para solucionar os problemas da comunidade em que ela vive? Como oferecer às crianças, em situação de risco, um futuro diferente do tráfico ou da prisão, ao qual elas parecem previamente condenadas?

2. Amós Alertou que Não Existem Atalhos no Relacionamento com Deus. “Não procurem Betel, não façam romarias a Guilgal, nem corram para Bersabéia. Pois Guilgal irá toda para o exílio e Betel será reduzida a nada. Procurem a Javé, e vocês viverão. Senão, ele virá como um fogo sobre a casa de José e a queimará, e em Betel não haverá que o apague”.

Os falsos profetas falavam o que o povo queria ouvir.

O sistema religioso é considerado a reserva moral de uma nação. Quando tudo falha, o povo espera de seus sacerdotes a atitude para trazer o equilíbrio necessário para restaurar a ordem. Como exemplos de líderes religiosos que lutaram pelo estabelecimento da justiça entre o seu povo é possível citar: Os monges budistas do Tibet, que se levantaram em protesto contra o domínio chinês, o arcebispo de Brasília, Dom João Brás de Avis, que durante um missa na câmara dos deputados, condenou o aumento que eles haviam se concedido.

“Como aceitar que um parlamentar ganhe R$ 800,00 por dia, quando boa parte das pessoas que representam é obrigada a viver com R$ 12,00 (por dia)? Como aceitar que o Judiciário legisle em alguns casos em seu favor, sem demonstrar sensibilidade para com o povo para o qual as leis são feitas? Atitudes como as que temos visto nestes dias matam o espírito de Natal”. 1

Como resultado daquela palavra corajosa denunciando um abuso, o aumento foi suspenso.

"Surpreendidos pela repercussão negativa nas ruas, na Igreja e nos movimentos sociais, deputados e senadores tentaram evitar o desgaste de votar, em plenário, novo percentual de reajuste para seus subsídios nesta legislatura. Envergonhados e pedindo desculpas à sociedade, e sem uma proposta de consenso que pudesse melhorar a imagem do Congresso Nacional, líderes e o presidente da Câmara, (...), desistiram, na noite desta quarta-feira, depois de muito bate-boca, da decisão de elevar os subsídios para o teto de R$ 24.500,00 - vetado na véspera pelo Supremo Tribunal Federal - ou mesmo aprovar um reposição inflacionária, que elevaria os atuais R$ 12.720,00 para R$ 16.475,00."(1)

Martin Luther King, lutou pelos direitos civis dos negros americanos e Mahatma Ghandi, com a sua resistência pacífica, lutou contra o domínio britânico e pela independência da Índia.

Quando os profetas se corrompem, eles ganham prestígio, por não entrar mais em confronto com os poderosos ao falar aquilo que eles desejam ouvir, mas a sociedade perde parte importante de seu poder de mobilização.

O pecado de Israel é quase sempre relacionado à idolatria, mas uma observação atenta à mensagem dos profetas, mostrará um Deus indignado com a exploração social que condenava os mais pobres, do povo que ele escolheu, a uma vida indigna e sem esperança.
Soluções superficiais produzem decepção.

Calar-se diante do mal traz benefícios imediatos, que podem durar bastante tempo, mas eles têm dia e hora para acabar. Soluções superficiais tendem a agravar um mal, que se fosse adequadamente tratado, teria uma solução mais rápida e eficaz. É mais fácil retirar os mendigos das ruas e esconde-los em albergues afastados, do que promover políticas que permitam a inclusão desas pessoas no mercado de tabalho.

O problema é que para encarar a sua estrutura corrompida a sociedade precisa encarar a si mesma e reconhecer a sua participação neste pecado. Isto fere o orgulho próprio, incomoda e exige o desejo se envolver com os excluídos, com o objetivo de inseri-los na comunidade. Este processo longo e tedioso favorece aos profetas de ocasião, valorizando as suas mensagens que falam muito sem nada dizer, mas aliviam as consciências culpadas.

A arte, que se expressa através da música, do teatro, da dança da pintura, etc, se apresenta como um instrumento importante para dizer a verdade, tocar os corações e promover mudanças na sociedade. O criador da logomarca da cidade de Nova York fez o seguinte comentário sobre a importância da arte: "É preciso fazer coisas que mexam com a mente, Se você diz algo diretamente, não será ouvido. A arte, pela música, pela poesia, etc, Faz com que as pessoas compreendam A mensagem que precisam ouvir."


3. Amós Mostrou o Caminho que Deveria ser Seguido. “Assim diz Javé à casa de Israel: Procurem a mim, e vocês viverão”.

Só Deus resgata a dignidade do ser humano.

Cada pessoa é um projeto infinito e precisa ser respeitada no seu direito de possuir condições para alcançar uma vida melhor para si e para a sua família.

Promover a dignidade do ser humano glorifica ao Senhor. Somos imagem e semelhança de Deus. Não podemos permitir que o nosso próximo seja humilhado, e que outros venham a obter lucros explorando a sua miséria.

Buscá-lo produz vida.

Vida abundante, porque a solidariedade humana se transformará num dos braços da providência divina no momento em que as dificuldades chegam. Nas comunidades carentes o sofrimento é amenizado porque as pessoas se importam com o drama das outras. Apesar de possuírem pouco, eles não se importam e dividir com o outro, quando sabe que isto poderá saciar a sua fome. É interessante perceber como esta atitude se aproxima do ideal de amor que Jesus requer daqueles a que ele chamará de “Benditos de Meu Pai” no dia do grande julgamento.

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Mateus 25.34-40


Buscá-lo produz paz.

Buscar a Deus resulta numa vida em paz por que a pessoa mantém a sua esperança na realização do Reino de Deus que foi prometido e que se estabelece à medida que a igreja levanta a sua voz profética em defesa da Justiça. “Abra a boca em favor do mudo e em defesa dos desfavorecidos. Abra a boca e dê sentenças justas, defendendo o pobre e o indigente”. Provérbios 31.8-9.

Conclusão

A igreja se torna relevante em sua comunidade à medida em que ela assume de corpo e alma o ministério de promover a dignidade de seus pobres de seus excluídos e lhes mostra o evangelho como um caminho que proporcionará a libertação espiritual do pecado, que os afasta de Deus e a libertação social, que os fará descobrir que eles podem ser protagonistas de suas vidas e não meros figurantes que se sacrificam, para produzir a riqueza de outros, sem nunca poder usufruir dos resultados do seu trabalho.
O Evangelho não é um projeto político, mas a sua vivência integral influencia todas as esferas da sociedade e faz da igreja um poderoso agente de transformação.

Nota e Referencias

quinta-feira, maio 29, 2008

CURSO CONTROLE SOCIAL



Há alguns dias eu recebi do Pedro Grabois, que escreve o blog Justiça Integral, o edital do "Programa Olho Vivo no Dinheiro Público" que está promovendo um curso para a formação de cidadãos para atuarem no controle social, fiscalizando os governantes. Esta é uma ótima oportunidade para as nossas igrejas assumirem um papel importante no combate à corrupção em nosa sociedade.

CURSO CONTROLE SOCIAL


APRESENTAÇÃO: A Controladoria-Geral da União (CGU) é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente ao Presidente da República quanto aos assuntos que, no âmbito do Poder Executivo, sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão, por meio das atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. Nesse escopo, a CGU desenvolve o Programa Olho Vivo no Dinheiro Público para incentivar o controle social. O objetivo é fazer com que o cidadão, no município, atue para a melhor aplicação dos recursos públicos. Diante dessa realidade e, dada a relevância do tema, a CGU, em parceria com a Escola de Administração Fazendária (Esaf), promove o curso Controle Social, com objetivo de incentivar o controle social e promover a cidadania.


OBJETIVO: Mobilizar cidadãos para que os mesmos atuem no controle social das ações do governo, promovendo melhor aplicação dos recursos públicos.


PRÉ-REQUISITOS: ·Ter disponibilidade de tempo para participação no curso;·Possuir conhecimentos básicos de informática: windows, Word e internet;·Possuir endereço eletrônico (e-mail);·Ter acesso à internet.


CARGA HORÁRIA: 40 horas.


PÚBLICO-ALVO: Agentes públicos municipais, conselheiros municipais, lideranças locais, professores, alunos e cidadãos em geral.


PERÍODO DE REALIZAÇÃO: O curso será realizado no período de 27 de maio a 27 de junho de 2008.


NÚMERO DE VAGAS: 1640 vagas, distribuídas em 41 turmas com 40 alunos cada.


INSCRIÇÃO: As inscrições serão realizadas no período de 16 a 25 de maio de 2008. Para inscrever-se, o interessado deverá acessar um dos seguintes sites:
Da CGU: http://www.cgu.gov.br/ no link "Olho Vivo no Dinheiro Público" na opção "Educação a Distancia"
ou no site da ESAF - http://www.esaf.fazenda.gov.br/ no link "Educação a Distância" na opção "Cursos Oferecidos".


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: O conteúdo programático está estruturado em 03 módulos:1- A participação popular no estado brasileiro. 2- O controle das ações governamentais. 3- O encaminhamento de denúncias aos órgãos responsáveis.


METODOLOGIA: O curso, desenvolvido na modalidade à distância, via internet, deverá ser acessado na Escola Virtual da Esaf, no endereço http://www.esaf.fazenda.gov.br/, no link Educação a Distância. Os alunos receberão uma senha de acesso, que será enviada para o email indicado no cadastro da Escola, realizado no ato da confirmação de sua matrícula.

AVALIAÇÃO: Participação no curso,participação nos fóruns,Questões objetivas,avaliação final.


CERTIFICADO: Receberá o certificado da ESAF o aluno que obtiver no mínimo 70% de aproveitamento geral, inclusive fórum.


INFORMAÇÕES: Para esclarecimento de dúvidas sobre o curso a distância ligar para: (61) 3412-6283 ou 3412-6164, ou enviar e-mail para ead.esaf9@fazenda.gov.br ou ead.esaf3@fazenda.gov.br

sábado, abril 19, 2008

UM NOVO OLHAR


UM NOVO OLHAR

Depois de várias semanas chovendo, o sol apareceu, brilhando num céu azul e sem nuvens. Acordei mais tarde, tomei o café da manhã, li o jornal e quando olhei pela janela, o vento convidou-me a sair, pois não era possível permanecer em casa num dia como aqueles. Fui à praia de Copacabana. Ao chegar comecei a caminhar na areia, à beira-mar. A água que comumente é fria estava morna e com ondas muito fortes.


Durante a caminhada eu olhava a paisagem recordando de quantas vezes já havia visto aquelas montanhas e o mar, em todos estes anos vivendo no Rio de Janeiro. Mas sempre me surpreendo com a nova perspectiva de luzes e cores que o sol e as nuvens podem lançar renovando este cenário a cada dia.


Não há nenhuma novidade no nascer e no pôr-do-sol, mas uma observação cuidadosa pode revelar que esta cidade esconde muitas surpresas a quem se dispuser a olhar e admirar as coisas belas que estão ao redor. Eu descobri isto hoje.(1)
NOTA
(1) Este texto foi escrito no dia 12/04/08 - Dia de muito sol.

sexta-feira, abril 04, 2008

SOBRE PÁSSAROS E GAIOLAS


SOBRE PÁSSAROS E GAIOLAS


Rubem Alves

Deus criou os pássaros.


As religiões criaram as gaiolas. As gaiolas criadas pelas religiões são feitas com palavras. Elas têm o nome de dogmas. Dogmas são gaiolas de palavras que pretendem prender o Pássaro. Guerra Junqueiro, poeta português, escreveu um longo poema que se tornou clássico sobre este assunto: “O Melro”. É bonito. Merece ser lido.


Escrevi, para minha filha pequena, uma estória sobre um Pássaro Encantado e uma Menina. Pássaro e Menina se amavam.Mas sempre chegava o momento quando o Pássaro dizia: “Preciso ir”. A menina chorava e dizia: “Não vá. Nós nos amamos tanto!” O Pássaro respondia: “Eu preciso ir para ter saudades. Porque o meu encanto nasce da saudade!” E partia. A Menina, então, teve uma idéia perversa: engaiolar o pássaro para que ele nunca mais partisse. E assim ela fez. Quando o Pássaro voltou, cheio de estórias para contar, cheio de penas de novas cores, enquanto ele dormiu, ela o engaiolou numa linda gaiola de prata. Ao acordar o Pássaro deu um grito de dor. “Menina, vou perder meu encanto. Vamos perder o amor!” E assim aconteceu. Foram-se as cores. Foram-se as estórias que ele contava. Foi-se o amor.


Escrevi esta estória porque eu ia partir para uma longa viagem e minha filha de quatro anos estava muito triste. Depois de publicada fiquei sabendo que meus colegas terapeutas a estavam usando para lidar com as relações amorosas, maridos engaiolando esposas, esposas engaiolando maridos, maridos querendo voar, esposas querendo voar... Aprovei. Aí um amigo me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” Perguntei: “Que estória?” Ele me respondeu: A da Menina e do Pássaro encantado. Pois o Pássaro Encantado não é Deus que as religiões tentam engaiolar?”.


Um Deus engaiolado nas gaiolas de palavras chamadas dogmas é sempre menor que a gaiola. Esse Deus não é pássaro que voa, é pássaro empalhado.

Deus mora na saudade.

Deus mora na nostalgia.


Pelo menos foi aí que Santo Agostinho o encontrou; num lugar obscuro e doloroso da memória, onde só há silêncio, não há palavras.


Deus não nos deu asas. Deu-nos o pensamento. Voamos nas asas do pensamento. A ciência, a literatura, a música, as artes plásticas, o balé, a culinária, os brinquedos, as coisas que nos dão alegria, são todas criaturas do pensamento. Primeiro voamos na fantasia para, a seguir, criar. Miguel Ângelo primeiro pensou a Pietá para depois esculpir a Pietá... O pensamento são as asas que Deus nos deu.


Assim, tudo aquilo que proíbe o vôo livre do pensamento é contrário ao nosso destino. A questão não é pensar certo ou pensar errado. Afinal, quem sabe o que é certo e o que é errado? A questão é simplesmente pensar. Sem pensamento livre a alma está engaiolada.


O fato é que a história do Cristianismo está cheia de gaiolas. Quantos foram mortos pelo crime de pensar diferente! Desse crime tanto católicos quanto protestantes são culpados. Os mortos foram pássaros que se recusaram a ficar dentro das gaiolas. Os hereges.



ALVES, Rubem, Dogmatismo e Tolerância – Edições Loyola – SP – 2004 – Pp 9-10.

quarta-feira, abril 02, 2008

COMO SERIA O NATAL SE CRISTO TIVESSE NASCIDO EM...


COMO SERIA O NATAL SE CRISTO TIVESSE NASCIDO EM...


Um dia eu comecei a pensar em como seria se Cristo tivesse nascido no Rio de Janeiro nos dias atuais e isto me trouxe a idéia de um projeto: saber como seria o cenário do Natal se Cristo tivesse nascido em Curitiba, Salvador, Belém, Buenos Aires, etc.
Inicialmente meu desejo era montar um presépio representando esta cena, mas a falta de habilidade nas artes plásticas fez com que eu o adaptasse à forma com a qual consigo lidar com mais facilidade: as palavras. Agradeço a todos os que dedicaram o seu precioso tempo para responder aos meus e-mails. MUITO OBRIGADO!
O artigo não se encerra aqui. Quem desejar, pode acrescentar a sua contribuição nos comentários e enriquecer a nossa percepção sobre como seria o nascimento de Jesus, caso ele acontecesse aí no lugar onde você nasceu ou vive atualmente.
Eu imaginei desta forma o cenário do nascimento de Jesus no Rio de Janeiro:
  • Estrebaria: Seria um barraco na entrada de uma favela. Na entrada e não no alto ou no meio da favela, para ser acessível a todos os que desejassem, pobres ou ricos.

  • Animais: Os animais típicos de toda favela carioca são: o cachorro, a galinha e o porco.

  • Pastores: Os pastores desempenhavam uma atividade importante, cuidavam dos rebanhos, mas eram desprezados pelos judeus. Aqueles que representam esta categoria no Rio são os trabalhadores da limpeza urbana chamados "Garis", que fazem um trabalho fundamental para a saúde do povo, mas que são igualmente desprezados pela sociedade.

  • Reis Magos: O personagem que melhor os simbolizaria seria um sambista, um jogador de futebol e um ator. Os presentes seriam respectivamente: um pandeiro, uma bola e as máscaras da alegria ou tristeza, que são o símbolo do teatro.


Thiago Azevedo - Belém – PA – Blog Descanso da Alma


  • Caro Marcos,

    Se Jesus nascesse em Belém-PA, acho que ele nasceria no Ver-o-Peso e os nossos amigos feirantes seriam os pastores, o presépio seria um paneiro revestido de palha da patichulim, o coral de anjos cantaria e dançaria um carimbó para louvar alegremente a Deus pelo nascimento do “minino mais pai d’égua” do mundo, os presentes seriam açaí, um brinquedo de miriti e uma cuia de tacacá.
    Abraços


Wesley Porfírio – Goiânia – GO


Eu imagino um Jesus nascendo não em Goiânia, mas no interioRRRRRRRRR de Goiás.

  • Estrebaria: Seria uma tapera, no meio do Cerrado, às sombras dos galhos de um pequizeiro. (o detalhe q o tronco tem pó-de-mico... mas isso a gente deixa pra lá).

  • Animais: Os animais atraídos pelo sobrenatural romperiam o medo da aproximação com o homem e iriam ver o menino Deus. Seriam eles o lobo guará, o tamanduá-bandeira, o tatu e o tucano.

  • Pastores: Os pastores seriam carvoeiros, que trabalham muitas vezes como escravos em fazendas cercadas por jagunços.

  • Reis Magos: O primeiro seria o Rei do Gado, o segundo o Rei da Soja e o terceiro o Rei do Sertanejo, com os respectivos presentes: um berrante, um carrinho de lobeira e uma viola caipira.


Evelyn Roxy Arrúa Sanders – Encarnación – Paraguay


Hola marcos!!


Buena pregunta de como seria o natal se Cristo tivesse nascido em Encarnación. pero esta dificil la respuesta, la verdad que no pense en eso nunca...

  • Creo que si nacia en encarnacion, seria en la zona rural, donde la gente es muy simple y que apesar de sus dificultades economicas, saben sonreir y tambien llorar porque son transparentes, y a veces hasta muy inocentes.

  • Los animales tipicos de alla son los perros, gallinas, chanchitos, caballos, las vacas lecheras, las gallinetas y los patitos.

  • Pastores, ... creo que serian los vendedores ambulantes, y los niños de la calle, porque estos son muy despreciados en la sociedad.

  • Los reyes magos........................ los 3 reyes magos seriamos mi esposo, mi hijita y yo... porque viviendo aqui tan lejos de encarnacion, si viesemos esa estrella anunciando su nacimiento, viajariamos como fuese, pero iriamos con todo lo que poseemos, para al REY ADORAR
  • Tradução:
    Olá Marcos!
    Boa pergunta esta sobre como seria o natal se Cristo tivesse nascido em Encarnación. É difícil responder, porque, na verdade, eu nunca pensei nisto...
    Creio que se ele nascesse em Encarnación, seria na zona rural, onde as pessoas são muito simples e, apesar das suas dificuldades econômicas, sabem sorrir e chorar, porque são transparentes e às vezes muito inocentes.
    Os animais típicos de lá são os cachorros, galinhas, porquinhos, cavalos, as vacas leiteiras, os pintinhos e os patinhos.
    Pastores: creio que seriam os vendedores ambulantes, e os meninos de rua, porque eles são muito desprezados na sociedade.
    Os reis magos: Seríamos meu esposo, minha filhinha e eu, porque vivendo tão longe de Encarnación, se víssemos esta estrela, anunciando o seu nascimento viajaríamos da forma que fosse possível, mas iríamos com tudo o que possuímos para ADORAR AO REI.


Nora Bouciguez – Buenos Aires - Argentina


Hola Marcos!


A ver si puedo responder tu pedido…

  • El pesebre creo que lo podemos armar en el establo de una casa de campo en el interior de la provincia.

  • Los animales alrededor serian algunas gallinas, patos, vacas, ovejas y caballos. Los pastores serian gauchos

  • Imagino que los mas representativos para el rol de reyes magos serian: Gaucho, un jugador de futbol y un tanguero.

  • Los regalos: un sombrero de ala ancha, una pelota y un pañuelo de compadrito (detalle infaltable en la vestimenta del tanguero)
  • Tradução:
    Olá Marcos!
    Vamos ver se consigo responder ao seu pedido...
    O presépio: Creio que poderíamos montá-lo no estábulo de uma casa de campo no interior de uma província.
    Os animais: Ao redor seriam algumas galinhas, patos, vacas, ovelhas e cavalos. Os pastores seriam os gauchos.
    Imagino que os que representariam melhor a figura dos reis magos seriam: Um gaucho, um jogador de futebol e um tangueiro.
  • Os presentes: Um sombreiro de aba larga, uma bola e o lenço da lapela (detalhe imprescindível na vestimenta do tangueiro).


Cláudio Luiz Mendes – Etiópia

Romão,

A idéia é muito boa. Mas confesso que depois de 11 anos longe da minha cidade natal (Curitiba), as coisas devem ter mudado bastante.Prefiro então falar sobre o pouco que conheço da Etiópia, é o que vejo diariamente.

  • Estrebaria: seria o que eles chamam de Sarbet; Com um detalhe: muitas vezes os animais que requerem maior cuidado (como vacas) ficam dentro da casa junto com os moradores.

  • Animais: cabras (você as vê por toda a Etiópia), burros e talvez umas vacas. Pastores: continuam sendo importantes, mas principalmente cuidando das cabras e dos rebanhos de vacas e bois (detalhe: em plena cidade no meio da rua ou no mercado de venda de cabras)

  • Os Reis Magos: seriam os motoristas de vãs ou de carros da ONU que andam aos montes na cidade e que acabam levando e trazendo coisas e pessoas.Acho que dá pra se ter uma idéia, ok?

Abração e me mande os resultados da pesquisa, ok?


Cláudio



Humberto Ramos – Pouso Alegre – MG – Blog Visão Integral


Olá, meu caro!

Bem, se Jesus nascesse hoje em Pouso Alegre, pode bem ser que ele nascesse:

  • Num casebre de um dos bairros rurais ou mesmo num barraco do Bairro São Geraldo ou São João (bairros periféricos, com algumas favelas).

  • Os animais típicos possivelmente fossem também cachorros, galinhas, porcos e cavalos, existentes tanto na zona rural quanto nas zonas mais periféricas - as favelinhas.

  • Os pastores poderiam muito bem ser trabalhadores rurais: caseiros, ordenhadores de vacas, ou pobres agricultores que vivem do seu próprio plantio.

  • Os reis magos poderiam muito bem ser um fazendeiro rico, um gerente de uma das indústrias aqui presentes e um bem-sucedido comerciante.

Abraços fraternos,

Humberto Ramos

quarta-feira, março 12, 2008

RELIGIÃO, RITUAL E LIBERTAÇÃO.


RELIGIÃO, RITUAL E LIBERTAÇÃO.

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar”.
Isaías 58.6-12

O profeta Isaías pregou esta mensagem a um povo religioso, que não se esquecia de suas obrigações rituais e que estava curioso pelo fato de não ver sua dedicação recompensada de forma satisfatória. Eles desejavam a prosperidade, ansiavam por ver a sua nação reconstruir o império da época de Davi e Salomão, mas as suas orações permaneciam sem resposta.

Nesta advertência, Isaías lembra que apenas participar das celebrações rotineiras não garante bônus espirituais para isentar do compromisso com a justiça e a libertação do faminto e do desamparado. É importante perceber que esta preocupação nasce como fruto do amor a estas pessoas que foram excluídas da sociedade e é vinculada à prática da verdadeira religião. De que adiantam as orações, os jejuns e os cultos solenes, se fora das quatro paredes do templo a dignidade humana é posta de lado em nome de conveniências econômicas e políticas.

Para ver a sua oração respondida e recuperar a grandeza de sua importância política, Israel teria que aprender a olhar para cada pessoa, independentemente da classe social, como um ser humano digno de cuidado. Somente assim o seu culto seria agradável a Deus.

Queremos ver a glória de Deus manifestando-se em nosso país, que a sua luz brilhe e que a sua cura se manifeste? Então está na hora de arregaçarmos as nossas mangas e partir para uma ação que permita aos nossos pobres, famintos, nus e abandonados perceberem que Deus existe para eles também. Esta não é uma tarefa fácil, pois o caminho esconde muitas armadilhas, mas Deus promete estar ao nosso lado e responder quando precisarmos de ajuda.


Não basta decretar que “Jesus é o Senhor desta nação”. Para reconstruir a nossa sociedade e torná-la um “jardim regado”, conforme diz o texto, precisamos sair do conforto de nossos templos, nos envolver e sentir como se fosse nossa, a dor daqueles que levantam todas as manhãs sem ter um motivo para sonhar com um futuro melhor.

sexta-feira, março 07, 2008

Para Pensar...


"Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto gostem de mim. Nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante é saber que eu, em algum momento fui insubstituível. E que esse momento será inesquecível!"

(Mário Quintana, poeta e jornalista gaúcho).

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O REINO DE DEUS VII – UM REINO ACOLHEDOR

UM REINO ACOLHEDOR

"Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve".
Mateus 11.28-30


Somos todos carentes. Uns mais, outros menos, mas todos necessitamos ser aceitos e de saber que alguém nos espera chegar em casa no final do dia. Jesus conquistou o coração da multidão porque as recebia com amor e demonstrava interesse sincero por suas aflições. Dois mil anos depois o mundo transformou-se completamente, mas esta carência permanece clamando por atenção.


A vida é composta de muitos cenários: trabalho, família, amigos, lazer, entre outros. Todos precisam ser bem administrados, pois o desequilíbrio de uma área certamente afetará a todas. O trabalho mal remunerado, ou que possua metas exorbitantes, fará a pessoa multiplicar as horas extras para complementar o salário a fim de fechar as contas no final do mês.

O excesso de trabalho rouba o tempo de convivência familiar. Marido, mulher e filhos não se encontram, porque quando um sai de casa, os outros estão dormindo e quando retornam, é tarde demais para estabelecer alguma conversa. A distância entre os familiares aumenta, até o ponto em que eles descobrem já não possuir nenhum interesse em comum.

A sociedade de consumo cria necessidades e a busca pela sua satisfação causa o acúmulo de dívidas, que encurtam a possibilidade de se alcançar um padrão de vida melhor, como fruto do trabalho. Este é o fardo da modernidade que produz cansaço, desanimo e depressão. Neste discurso Jesus apontou uma nova esperança para aqueles que achavam que a vida não oferecia mais nenhuma saída: O convite para fazer parte do Reino de Deus.

“Venham para mim”, disse Jesus, venham aprender que buscar a Deus é muito mais do que fazer pedidos de oração e receber a bênção tal qual um cliente que adquire uma mercadoria na loja. Para aprender, é necessário aproximar-se de Jesus, ouvir a sua voz, investir tempo na construção de um relacionamento e na prática dos seus ensinos. Aquele que se dispuser, descobrirá um Pai cheio de ternura e interessado em conceder o que há de melhor aos seus filhos: "Conheço meus projetos sobre vocês – palavra do Senhor: são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança. Quando vocês me invocarem, orarão a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão, e me encontrarão se me buscarem de todo o coração; eu me deixarei encontrar e mudarei a sorte de vocês – palavra do Senhor”. Jeremias 29.11-14

O descanso que Jesus oferece não livra dos problemas, mas os alivia porque traz sempre à memória a lembrança de que não estamos sós para suportar cargas da vida.

O Reino de Deus oferece alívio ao cansado porque o acolhe do jeito que está, sem cobranças, e trata de suas feridas físicas e emocionais restaurando-o integralmente para uma vida plena, onde a liberdade vence a opressão e a alegria de ser filho de Deus será compartilhada por todos os que foram alcançados pela boa notícia de que é possível viver com alegria neste mundo tão hostil.

domingo, janeiro 20, 2008

EU NÃO TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO



Eu considero o João Alexandre um dos melhores artistas cristãos brasileiros. Ele faz poesia e consegue passar a sua mensagem sem ser proselitista, toca bem o violão e proporciona a quem o ouve um momento de tranquilidade e reflexão. Num agradável bate-papo com a Zenaide, ela me enviou esta letra, que decidi compartilhá-la porque gostei da maneira como ele imaginou os nossos símbolos bíblicos transportados para a cultura nacional: "Imagine só: Maria fazendo uma feijoada; ver um cavaquinho nas mãos do rei Davi". Imaginei um pagode animado com o pessoal sentado em mesas no quintal sorrindo muito, saboreando uma deliciosa comida e trocando idéias com Jesus. Aliás, como seria o cenário do presépio, se ao invés de ter nascido na Palestina há dois mil anos atrás, Jesus nascesse no Rio de Janeiro hoje?
Curtam a letra,
Marcos Vichi
JOÃO BASILEIRO

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Sou mistura de negro, europeu e tupi guarani
Todo mundo já sabe meu nome é João, sou cristão.
Deus me deu minha voz pra quem quiser ouvir.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro não
Sou profeta do samba do frevo e do maracatu
Todo mundo já sabe as cores do meu coração.
Ele é verde, amarelo, branco e azul.

Imagine só: ver um cavaquinho nas mãos do rei Davi
Imagine só: S. Pedro pescando na praia de Itapuã
Imagine só: um frevo rasgado dos filhos de Levi
Imagine só: o apóstolo Paulo no Maracanã, já pensou...

Imagine só: Maria fazendo uma feijoada
Imagine só: Isaias pregando na Rocinha
Imagine só: Miriã dançando uma timbalada
Imagine só: Esaú se vendendo ao jabá com farinha...

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Sou mistura de negro, europeu e tupi guarani
Todo mundo já sabe meu nome é João, sou cristão.
Deus me deu minha voz pra quem quiser ouvir.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Quero mais florescer no lugar onde Deus me plantou
Tô aqui pra cantar minha história, meu povo, meu chão.
Brasil brasileiro que Ele tanto amou.

Imagine só: os salmos em moda de viola
Imagine só: os profetas virando repentistas
Imagine só: o Mestre e os doze batendo uma bola
Imagine só: a visão de Jacó pela voz de um sambista a cantar

Imagine só: os anjos tocando seus tamborins
Imagine só: cuicas nos braços dos serafins
Imagine só: pandeiros soando ao invés dos clarins
Imagine só: um céu brasileiro bem tupininquim.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro não...
É isso aí, eu não tenho vergonha de ser brasileiro...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

O REINO DE DEUS VI - O REINO DOS MAIS FRACOS



O REINO DOS MAIS FRACOS
“Naquele tempo Jesus disse: Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Meu pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar”. Mateus 11.25-27

Vivemos numa sociedade de fortes e habilidosos, que é voltada para o acumulo de bens. Nela se destacam os inteligentes e os que produzem muito gerando baixo custo. Qualquer sinal de fraqueza é tido como falha, que não pode ser admitida. Os que estão fora do padrão não têm escolha: ou se ajustam às regras do mercado, ou serão excluídos sem misericórdia.

O Reino de Deus inverte estas prioridades. Nele os fracos são privilegiados e aos pequeninos são revelados os mistérios do Pai. Por que os sábios e os fortes foram colocados em segundo plano nas questões espirituais? Existe alguma injustiça da parte de Deus?


1. Quem São os Pequeninos de Nosso Tempo?

Entre tantos que podem ser citados como pequeninos, um grupo significativo é o dos desempregados. Milhões de pessoas que por diversos motivos foram demitidas e agora enfrentam dificuldades para recolocar-se no mercado de trabalho. A falta de emprego compromete a estabilidade familiar, a qualidade de vida e dificulta o investimento no aprimoramento intelectual, que é necessário para obter as melhores colocações neste ambiente tão competitivo. A situação complica-se quando as contas começam a se acumular e as perspectivas de ingresso financeiro demoram a aparecer.

Outra categoria de pequeninos é a dos sem teto. Eles chegaram a um nível tal de pobreza, que perderam as suas moradias e hoje fazem da rua o seu lar. Algumas famílias já estão na segunda geração exposta a esta violência. Por estarem fora da cadeia produtiva, os sem teto não possuem poder de consumo. São considerados zero econômicos e, por isso, são tratados como refugo nesta sociedade excludente.

A terceira categoria a ser abordada é a dos enfermos. Quando prolongada, a doença desequilibra psicologicamente a família e o paciente. A enfermidade não escolhe classe social, idade ou nível cultural, mas une ricos e pobres, doutores e analfabetos na mesma dimensão da fragilidade do ser humano.


2. Por Que a Força Pode Atrapalhar?

Quem é forte acha que não precisa de ninguém. Esta atitude leva ao isolamento e traz problemas, pois se a crise fugir do controle a pessoa poderá não encontrar socorro disponível, pelo simples fato de que ninguém saberá de que ela precisa de ajuda.

Algo parecido acontece no relacionamento com Deus. Este relacionamento é alimentado pelo contato constante e pela renovação das experiências. Sempre que precisamos, recorremos à lembrança mais recente de seu amor e somos confortados. Quando não cultivadas, as experiências se tornam raras e chegará um momento em que elas serão esquecidas.

Jesus lidava com pessoas muito experientes em matéria religiosa, que possuíam autoridade para mostrar aos menos esclarecidos o caminho para encontrar-se com Deus. Estes líderes se tornaram fortes, política e religiosamente, mas esqueceram-se da misericórdia enquanto exerciam o poder e deixaram de se importar com a vida do seu rebanho.

Era contra estas distorções que Jesus protestava ao afirmar que o Pai escondeu a revelação dos seus mistérios aos sábios e inteligentes de seu tempo. Eles eram mestres na religião, mas não tinham condições de perceber a presença divina, pois tinham o seu coração fechado. O poder lhes trouxe a ilusão da auto-suficiência e os afastou de Deus.


3. A Vulnerabilidade que Abençoa

É entre os humildes que encontramos as demonstrações mais significativas de fé. Eles reconhecem que precisam de alguém e sabem que sozinhos não irão muito longe. Por isso estão dispostos a receber e oferecer solidariedade. Esta abertura de alma os permite identificar a atuação divina nos mínimos detalhes.

Os pequeninos desejam ouvir a voz de Deus, da mesma forma que a criança anseia pela presença dos seus pais. Conseqüentemente, eles desenvolvem um relacionamento fundamentado no amor e não na expectativa de receber algo em troca. É esta qualidade que os habilita a conhecer os maiores segredos que o Pai deseja lhes revelar.

Deus não se impressiona com títulos acadêmicos e cargos de autoridade nas esferas religiosas ou governamentais, mas a fé simples, exposta por um coração quebrantado, o emociona: “Quando ouviu isso Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: Eu garanto a vocês: nunca encontrei uma fé igual a essa em ninguém em Israel!” Mateus 8.10.

4. O Mistério é Revelado

As pessoas se aproximavam de Jesus com interesses diversos: uns desejavam a cura, outros estavam curiosos para conhecer a celebridade do momento, havia os que queriam ouvir uma mensagem de esperança, mas um grupo em particular o incomodava: aqueles que queriam utilizar-se do Reino de Deus como forma de obtenção de prestigio social. Jesus recusava-se a exibir demonstrações banais de poder. “Mas ele lhes respondeu, e disse: "Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas”. Mateus 12.39.

A condição primordial para conhecer os mistérios do Deus é crer que ele existe e que deseja comunicar-se com os que o procuram: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. Hebreus 11.6.

Os pequeninos, espiritualmente falando, são aqueles que reconhecem que dependem de Deus e desejam relacionar-se com ele simplesmente porque o seu coração se alegra por desfrutar de sua presença. A estes, o Pai se agrada em manifestar-se e tornar conhecidos os seus planos.

“Ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar”. Jesus, o filho, conhece o Pai integralmente. Sem o seu auxílio jamais conseguiríamos estabelecer a comunhão com Deus. A sua vinda ao mundo abriu um elo de comunicação fundamental entre o homem e o seu Criador. A revelação do mistério de Cristo não está oculta num esconderijo inviolável, mas só será disponibilizada àqueles que enxergam o Reino de Deus como um lugar onde ser forte, é demonstrar misericórdia e onde a vitória se realiza, quando a justiça é feita ao pobre e quando o rejeitado pela sociedade se sente acolhido e amado por Deus.


Conclusão

O Reino pertence aos fracos, porque não apresenta qualquer obstáculo a quem tenha um sincero desejo de relacionar-se com Deus. Ele representa a nossa esperança de que veremos a justiça triunfar e de que não será mais necessário fingir ser aquilo que não somos, pois o Pai nos aceita tal qual estamos.


Referências
BOFF, Leonardo - Ethos Mundial - Rio de janeiro - Sextante – 2003.

terça-feira, janeiro 01, 2008

FELIZ ANO NOVO



FELIZ ANO NOVO


“O Senhor te abençoe e guarde! O Senhor lhe mostre o seu rosto brilhante e tenha piedade de você! O Senhor lhe mostre o seu rosto lhe conceda a paz!”

Números 6.24-26.


Este seria apenas um feriado como outro qualquer onde acordaríamos mais tarde por não precisarmos ir trabalhar, se não fosse 1º de Janeiro. O ano novo chegou! Diversas simpatias estão aí para tentar garantir a felicidade em 2008. Pular as sete primeiras ondas, beber a água da primeira chuva do ano, comer lentilhas, etc. Mesmo alguns céticos que passam o ano todo longe das igrejas, aproveitam as comemorações para ir a uma missa ou culto a fim de assegurar a boa sorte.

O povo de Israel estava peregrinando pelo deserto após a fugir da escravidão sob o domínio egípcio. Ainda que aguardado ansiosamente, o caminho para a liberdade se apresentava mais difícil do que o imaginado. O cansaço, a limitação dos recursos, e a ameaça dos inimigos traziam desânimo às pessoas fazendo-as duvidar se deveriam seguir em frente. Após um ritual de consagração, o sacerdote Arão proferiu uma benção com o propósito de trazer a memória da presença de Deus àquelas almas exaustas.

O decorrer de um ano guarda muitas semelhanças com o deserto enfrentado por Israel no processo do êxodo para a terra prometida. Iniciamos com festa e muita expectativa, mas logo vem o dia 02 de Janeiro com suas lutas, contas para pagar e, ao longo dos meses, estamos cansados, necessitando de um oásis para reparar as forças.

“A bênção é um sinal da presença protetora e vivificante de Deus no meio do seu povo. (...) Tal bênção mostra que o povo pertence a Deus e que este o abençoa com a paz, quer dizer, com a vida plena, segundo o modo bíblico de entender a paz”. (1)

A palavra de Arão aos israelitas aborda conceitos importantes para alimentar a fé durante a caminhada em 2008 o primeiro deles é: “O Senhor te abençoe e guarde!”. O Senhor abençoe aos empregados para que eles desempenhem bem as suas funções, sejam promovidos e obtenham melhorias salariais. Abençoe aos desempregados para que eles encontrem caminhos que os levem a trabalhos dignos a fim de proporcionar o sustento às suas famílias. O Senhor nos guarde da violência que destrói vidas. Nos guarde das enfermidades físicas e emocionais que roubam as forças do corpo deixando-o prostrado.

Em seguida o sacerdote afirma: “O Senhor lhe mostre o seu rosto brilhante”. Ao revelar-se, Deus se faz conhecido por aquele que o busca. O brilho de seu rosto representa a glória que ilumina a mente, o coração e produz esperança ao apresentar novas perspectivas a caminhos que pareciam sem saída. “A esperança é aquilo que aposta no triunfo final da vida. Essa, talvez, seja a missão mais fundamental da fé: fazer-nos esperar, mesmo contra a esperança. A esperança, em grau maior ou menor, é que possibilita a preservação da vida”. (2)

Seguindo em frente, observamos a próxima declaração: “E tenha piedade de você!”. O ser humano é limitado. Ele deseja fazer o bem e realiza o mal.3 Precisamos da piedade divina que nos ama do jeito que somos e à medida que acolhe, realiza o seu propósito, enchendo a vida de alegria.

Finalizando Arão diz: “O Senhor lhe mostre o seu rosto lhe conceda a paz!”. Esta paz vai além da ausência de conflitos, pois ela permanece apesar dos problemas e confusões da vida, proporcionando um equilíbrio que beneficia aquele que confia em Deus e se espalha por sua família e comunidade.

Meu desejo para 2008, é que esta paz se torne real na sua vida. Acima de todas as superstições e simpatias, o que garantirá um ano feliz é a lembrança do cuidado de Deus. Recorra a ele todos os dias.

FELIZ ANO NOVO!



NOTAS



1 – Bíblia Sagrada Ed. Pastoral – 1991 - p.156.
2 – MARCELINO – Antes de o Ano Novo Chegar... Blog “As muitas Letras” – 2007.
3 – “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito, o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico”. Romanos 7.18-19





REFERÊNCIAS



BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991

MARCELINO, Ruben. Antes de o Ano Novo Chegar... - Blog “Asmuitas Letras” – 2007 - http://asmuitasletras.blogspot.com/2007/12/desde-ontem-tenho-estado-fim-de.html - Consultado em 01/01/2008.

http://www.shalomcampinas.com.br/significado.php – Consultado em 01/01/2008.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

ADEUS ANO VELHO

ADEUS ANO VELHO

“É BOM esperar em silêncio a salvação do Senhor”
Lamentações 3.26.

Eu vou guardar boas recordações de 2007. Neste ano viajei nas férias, experimentei um significativo desenvolvimento profissional, terminei a faculdade e, no apagar das luzes de Dezembro, consegui um emprego novo. Vou iniciar o novo ano com boas perspectivas e com a esperança de que ele será tão bom, ou até melhor do que o que está se encerrando hoje.

Não foi sempre assim. Houve um tempo difícil em que enfrentei um longo período de desemprego e de sub empregos. Os reveillons chegavam sem muita expectativa, pois os meses seguintes prometiam ser apertados. Nesta época, um versículo bíblico me trazia conforto e alimentava a minha fé “É bom esperar em silêncio a salvação do Senhor”

Eu esperava, em silêncio, porque faltavam palavras para definir o incômodo que sentia. Mas a esperança de que a salvação de Deus viria não me deixou desistir no meio do caminho. Continuei investindo, estudando, mesmo quando, ao redor, algumas pessoas diziam que era inútil tentar.

Foi bom esperar em silêncio, porque deixei de falar muitas palavras que me trariam arrependimento. Foi bom esperar pela salvação do Senhor, porque isto forjou o meu caráter, fortaleceu a fé e mostrou que existem limites a serem respeitados. Eu devo ir até certo ponto, a partir dali, Deus segue em frente e faz aquilo que está fora do meu alcance.

Hoje estes problemas fazem parte do passado, são histórias para testemunhar o cuidado de Deus que me permitiu vencer os obstáculos e chegar até o dia de hoje, com a saúde emocional preservada a ponto de poder comemorar mais um 31 de dezembro com alegria.
Ainda estou longe de realizar todos os meus sonhos, mas lembrar destas bênçãos me proporciona a certeza de que Deus seguirá cuidando de mim. Quando novas tempestades vierem, seguirei esperando, pois sei que: “O Senhor é bom para os que neles esperam e o procuram” Lamentações 3.25.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

UNA EXPERIENCIA ÚNICA

Ao ler o relato de minha amiga Nora sobre sua viagem à Índia, eu tive a sensação de estar caminhando pelas ruas movimentadas e barulhentas de Hyderabad e diverti-me com as diferenças culturais vividas por ela neste país tão exótico, para os nossos padrões. Para manter a fidelidade do texto, decidi publicá-lo em seu idioma original, o espanhol.

Boa leitura.

Marcos Vichi

UNA EXPERIENCIA ÚNICA

Por: Nora Bouciguez

Cuando supe que tenía la posibilidad de viajar a India comencé a recordar lo que me habían contado quiénes habían tenido esa oportunidad... Vinieron a mi mente anécdotas e imágenes, ahora sería yo quien viviría esa experiencia apasionante.

El viaje se concretó y después de muchas horas de vuelo, llegué a Bombay. Mientras esperaba en el aeropuerto doméstico el horario del próximo avión hacia Hyderabad, fui hasta el toillette... allí fue el primer impacto... el baño no estaba en las condiciones de higiene que esperaba, pero eso no era todo... las moscas hacían más desagradable el lugar y su zumbido se hacía más pesado aún por el calor y humedad reinantes; con asombro descubrí que en reemplazo del papel higiénico había una jarrita... que obviamente, era de uso común (esto se repetiría después en la mayoría de los baños públicos). Quedé pensando en ¿cómo sería el resto? Si esta era mi primera impresión y éste era el hall de entrada al país.

Finalmente, llegué donde me hospedaría... estaba desesperada por tirarme en una cama y recuperar horas de sueño. Entre las esperas de las conexiones y traslados llevaba casi 40hs sin estar en posición horizontal. Después de tomar un baño (con un balde, ducha no había), me zambullí en los brazos de Morfeo, mientras sobre mi cama un tul me protegía de mosquitos y demás insectos. Mi reloj biológico... no se que hora marcaba... aunque soñaba con dormir muchas horas seguidas, no lo conseguí, necesité casi 48hs para recuperar mi ritmo normal de sueño.

El próximo desafío me estaba esperando: las comidas super picantes!!! Encontrar sabores que no irritaran mi aparato digestivo, era una tarea nada fácil. Todo era picante. Un día sugerí , a mis compañeros de viaje, buscar un lugar donde tuviera la posibilidad de pedir alguna comida que no me produjera la sensación de fuego en mi boca. Ya en el restaurante, consulté con el mozo si el pollo al spiedo que ofrecía la carta era picante, “No, para nada”, me dijo. Para acompañar pedí un arroz blanco, sin ningún tipo de condimentos, como si tratara de comida para enfermos... y fue acertado de mi parte, ya que mezclándolo con el pollo (que sí era picante), pude comer algunos bocados.

Mientras esperaba que nos trajeran la comida observaba al resto de los comensales... estaban comiendo con la mano izquierda, sin cubiertos. Esto era todo un arte. Había que desmenuzar la comida (yo había pedido pollo) y hacer una bolita con el arroz y llevarlo a la boca sin chuparse los dedos... Ya estaba estresada y con suficiente hambre como para someterme a tal desafío, así que, corté por lo sano y le pedí al mozo un par de cubiertos, para disfrutar de mi porción sin tanto stress. Después de comer me acercaron un recipiente con agua con limón para lavarme las manos y unos granitos de anis para refrescar la boca.

No me di por vencida y pensé que tal vez, una pizzería sería una buena opción no picante. Entonces, para la próxima comida busqué una y estudié los sabores ofrecidos en la carta... elegí lo que creí que era la mejor alternativa...y nuevamente encontré que cada bocado iba aumentando la sensación de fuego en mi boca. Ja! Ja! ... Creo que bajé de peso como no lo había hecho en ningunas vacaciones anteriores. Eso sí, en los postres, encontré el aliciente para continuar.

En cuanto tuve oportunidad, salí a recorrer las calles y negocios de la ciudad. Fue divertido intentar entender por qué sonaban las bocinas de todos los vehículos simultáneamente, los códigos eran otros, aún para conducir. Las calles estaban llenas de autos, bicicletas, motos y alguna que otra vaca que se paseaba tranquila deteniendo el ritmo frenético. Yo viajaba en una especie de taxi/moto cuyo conductor era de lo más audaz para avanzar hacia el destino marcado. En India se conduce en sentido opuesto al nuestro, ya que han sido colonizados por Inglaterra, de manera que, hasta para cruzar la calle, implicaba una concentración extra.

Aquellas imágenes que había visto en otras oportunidades por fotos o películas se hacían realidad frente a mis ojos. Pobreza, miseria... niños vestidos con harapos y descalzos pidiendo limosnas, rostros que transmitían tristeza, los ojos negros no brillaban de vida sino clamaban por ayuda y una esperanza.

Quería captar con mis cinco sentidos todo lo que pasaba a mi alrededor... descubrí con asombro una mujer adulta con un manojo de paja a título de escoba barriendo la calle. Era una barrendera pública, lo que llamó mi atención era que su “escoba” no tenía la suficiente altura como para mantener su cuerpo erguido, de manera que la veía con su espalda lo suficientemente curvada como para dar el mensaje bien claro, de que ella pertenecía a la casta más baja de la sociedad, los dalits. Los dalits realizan las tareas más humillantes, no tienen acceso a la educación ni a la posibilidad de una vida mejor, ya que de acuerdo a la cultura, se nace y se muere en esa casta.

Si se trataba de experimentar otra cultura, no quería perderme detalle, así que, viajé en colectivo. Por lo general, los colectivos están llenos, como si siempre fuese “hora pico”. Pero en una oportunidad viajé en un colectivo casi vacío. La forma en que se ubican los pasajeros es la siguiente: en la mitad delantera del vehículo, las mujeres y en la trasera los hombres. Al subir, descubrí que había un solo lugar libre en la parte posterior, de manera que olvidando las costumbres del lugar hice uso del asiento... sentí el peso de varias miradas... pero continué descansando mi humanidad en el sector masculino.

¿Viajaste alguna vez en un tren cama de este lado del mundo? Esta fue otra forma interesante de conocer este pueblo. Me trasladaba desde Hyderabad a Bangalore eran alrededor de doce horas de viaje. Después de comprar el pasaje, llegar al andén y ubicar mi asiento/cama me dispuse a tomar un cafecito en el andén antes de partir. Las miradas de quienes viajaban, en su gran mayoría hombres, pesaban sobre mí. Era evidente que yo era extranjera y occidental por mi contextura y apariencia, pero continué disfrutando del café y compré algunas galletitas para el viaje ignorando lo que pasaba a mi alrededor, desafiando las reglas culturales.

El tren anunció su salida y comenzamos el viaje. No quería perderme de registrar con mi cámara todo lo que estaba viendo. Así que, me preparé para tomar algunas fotos, cuando por el pasillo no dejaban de pasar vendedores de comidas, bebidas, etc. Hasta que llegó un hombre que vendía jugos con una jarra. Con una sonrisa le agradecí esperando que siguiera su camino... pero él se paró frente a mi y dijo “foto, foto” repitiéndolo hasta que finalmente entendí que no se iría hasta que lograra una foto. (Aún hoy tengo la foto de aquel hombre desconocido y la anécdota para contar).

Como si se tratara de una ceremonia preestablecida, a las 21hs., las personas comenzaron a armar sus lugares para dormir y las luces del tren se apagaron, comprendí que era el momento de estirar mi metro ochenta sobre la cama cucheta. Como suponía... me faltaban (o sobraban) unos centímetros... pero me acomodé e intenté descansar.

Las luces del amanecer me despertaron y contemplé el cielo con los colores increíbles que dibujan las nubes mezcladas con los primeros rayos del sol.

Llegamos a Bangalore, era dónde debía bajar para continuar mi viaje. A la salida del tren nos esperaban los taxistas desesperados por conseguir un cliente para transportar. Me daba mucha risa ver como se peleaban entre ellos y con nosotros para regatear el precio. Hasta que finalmente, decidimos quién sería nuestro conductor.

Coincidentemente con mi paso por Bangalore, hubo elecciones. India, tiene un alto porcentaje de analfabetismo y por esa razón, las listas de los candidatos son identificadas no solo con nombres y números, sino también con dibujitos como: un paraguas, un autito, una balanza, una moto, etc. Para que todas las personas puedan distinguir a quien están votando.

Por los lugares donde estuve encontré varios templos hinduistas ubicados con poca diferencia de cuadras. Contemplé sus torres que llamaron mi atención por la cantidad de ídolos que las cubrían. En las mañanas siguientes supe que parte de la tradición es llamar a sus fieles, bien temprano en la mañana, con una música a todo volumen cuando aún la ciudad está en silencio... era un despertar bien diferente a lo que estaba acostumbrada!

Quise conocer más de esta cultura y su gente, así que, continué mi paseo hacia la feria para encontrar que allí existe la posibilidad de comprar carne fresca o pedir que frente a tus ojos sacrifiquen al animal elegido. El olorcito que rodeaba el lugar era nauseabundo una mezcla de corral y frigorífico. También vi frutas y verduras que nunca antes había visto y aproveché para comprar algo de lo conocido y aquí estaba segura que mi paladar no iba a ser agredido ¿o si?

Los roles que desarrollan mujeres y hombres también forman parte del impacto. En las construcciones son las mujeres quienes ayudan a cargar sobre sus cabezas las pilas de ladrillos y en algunos barrios son los hombres quienes ofrecen por unas rupias el planchado de la ropa en sus improvisadas tablas con sus antiguas planchas de carbón.

Mi viaje a India fue único, una experiencia enriquecedora, inolvidable e incomparable. Sus sabores, sus olores, sus tradiciones, la calidez de su gente y la elegancia de sus mujeres con las coloridas ropas y el delicado detalle de flores naturales adornando sus oscuros cabellos, imprimieron en mi los recuerdos más fascinantes.

Sin lugar a dudas India fue mi experiencia transcultural


Nora Bouciguez é agente de viagens e guia de turismo na cidade de Buenos Aires - Argentina - Visite o seu site BUENOS AIRES GUIADO

terça-feira, dezembro 11, 2007

SACIAR A SEDE DE ÁGUA E CIDADANIA

SACIAR A SEDE DE ÁGUA E CIDADANIA

"Por que nas edificações urbanas raramente se encontram equipamentos de captação da água da chuva, gratuita e potável?" Frei Betto

Como impedir que a população do semi-árido brasileiro prossiga vítima da seca? A melhor iniciativa é o Programa 1 Milhão de Cisternas, também conhecido por Programa de Mobilização e Formação para Convivência com o Semi-árido. Este mês, comemora-se o marco de 1 milhão de pessoas favorecidas pela construção de cisternas.
Quem o monitora, há quatro anos, é a Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA), ONG que conta com o apoio do governo federal, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), da sociedade civil e de vários parceiros nacionais e internacionais.
O programa parte da concepção de que o povo do semi-árido é capaz de dirigir seu próprio destino e encontrar meios de resolver seus problemas, desde que a ele sejam garantidos meios e políticas de convivência com a seca, e não de combate a este fenômeno natural. Assim como em outros países não se combate a neve, mas se aprende a conviver com ela, o mesmo se aplica à seca.
Até agora, o programa mobilizou cerca de 228.538 famílias e construiu 221.362 cisternas de placas para captação de água de chuva - via calha do telhado da casa -, para consumo humano. Nada mais potável que a água da chuva - que, nas cidades, irresponsavelmente desperdiçada, entope bueiros, causa erosão de encostas, alagamentos e enchentes.
Hoje, mais de 1 milhão de pessoas têm garantindo o acesso a água de qualidade para beber e cozinhar, o que significa, em termos de segurança alimentar e nutricional, efetiva revolução em suas vidas. Quando se sobrevoa o semi-árido notam-se pontinhos brancos esparsos na zona rural. São as cisternas alocadas nas casas dos agricultores, muitas em lugar de difícil acesso.
Um dos efeitos mais tangíveis é favorecer mulheres e crianças que, todo dia, deixam de caminhar quilômetros para buscar água, muitas vezes poluída. Agora, podem dedicar o tempo à educação, à família, à produção, ao lazer. Como muitas mulheres afirmam, sentem-se mais mães, mais esposas, mais companheiras, mais gente.
As crianças, agora mais saudáveis, já não são acometidas por doenças transmissíveis por recursos hídricos, entre as quais a diarréia; idosos e portadores de deficiências são atendidos; famílias inteiras, que anteriormente nunca tinham acesso a noções e cursos de tratamento da água e convivência com o semi-árido, agora usam essas informações para melhorar sua qualidade de vida.
As cisternas são construídas com, e não para as pessoas; essas se envolvem profundamente na obra, o que garante o seu cuidado. Como todo o processo é feito em comunidades, vê-se ali a erradicação da exclusão social e a afirmação da cidadania. São mais de 1 mil municípios do semi-árido que, mobilizados, compõem um novo cenário.
As cisternas, perfuradas ao lado da casa e revestidas de placas de cimento, são equipamentos simples, de tecnologia barata e fácil manejo. Têm longa vida útil quando cercadas de cuidados mínimos, de acordo com o que se aprende nos cursos. Ao visitar a região, notei em algumas girinos vivos, sinal de que a água é própria para consumo humano. Inaugura-se, assim, uma política pública não-clientelista, efetivamente voltada aos mais pobres.
Falta, agora, o governo federal dar mais apoio à ASA, para que se possa atingir a meta de construir 1 milhão de cisternas e favorecer 5 milhões de pessoas com acesso à água potável.E fica a pergunta que não quer calar: por que nas edificações urbanas raramente se encontram equipamentos de captação da água da chuva, gratuita e potável? O exemplo não deveria começar pelas obras do poder público?
Texto publicado no Jornal Estado de Minas, 15 de novembro de 2007
Texto extraído do Blog do FALE no dia 11/12/2007