quinta-feira, maio 24, 2012
ELISEU: PROFECIA É AÇÃO SOLIDÁRIA - Ruben Marcelino
terça-feira, abril 24, 2012
IGREJA, VISÃO E MISSÃO
terça-feira, abril 03, 2012
V Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica
quinta-feira, setembro 22, 2011
MARANHÃO 66
quarta-feira, julho 27, 2011
segunda-feira, abril 11, 2011
A tragédia na escola de Realengo: Há caminhos de esperança?

sexta-feira, março 25, 2011
Petição Campanha pela criação do Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis – RJ

Companheiras e companheiros!
Estamos divulgando o abaixo-assinado que tem por objetivo desapropriar a ‘Casa da Morte’, também conhecida como ‘Casa dos Horrores’, localizada em Petrópolis e considerada por alguns historiadores o pior porão da ditadura militar brasileira, e transformá-la no Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis.
No desejo de compor mais parcerias para esta empreitada e pressionar o poder público petropolitano, pedimos para que difundam ao máximo este abaixo-assinado entre seus contatos!
Aqui o link para assinar o documento e o texto na íntegra:
http://www.peticaopublica.com/
Campanha pela criação do Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis – RJ
No dia 01 de dezembro de 2010, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis realizou um ato-evento em comemoração aos 25 anos de lançamento do livro Brasil Nunca Mais, ocasião na qual foram rememoradas as atrocidades cometidas pela ditadura militar neste país e reivindicadas a memória, a verdade e a justiça para os sobreviventes, seus familiares e todos os brasileiros.
Nesta história obscura marcada por extrema covardia dos agentes do Estado, Petrópolis ficou conhecida entre os opositores do regime político da época como sede de uma casa de tortura da qual, ao que tudo indicava, ninguém saía vivo: a “Casa da Morte” ou “Casa dos Horrores”, localizada à Rua Arthur Barbosa, Centro, nº 120.
Foram muitos os que ali estiveram clandestinamente presos, tendo sofrido cruéis e por vezes sofisticadas técnicas de violência: Inês Etienne Romeu, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Heleny Teles Guariba, Paulo Celestino da Silva, Ivan Mota Dias e muitos outros que tiveram suas mentes dilaceradas, seus corpos destruídos ou enterrados em cemitérios clandestinos. De todos que passaram por esta nefasta casa, até onde se sabe, apenas Inês escapou à morte. Tudo por ousarem lutar pela liberdade e pela democracia.
O reconhecimento deste espaço como um lugar utilizado pela ditadura militar para torturar, matar e reprimir a luta pela democracia neste país, bem como a publicização dos documentos que revelem quem nesta casa esteve preso, é fundamental para que as novas gerações conheçam essa história e para que ela nunca mais se repita.
É por estes homens e mulheres e tantos outros assassinados nos porões da ditadura que o Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, constituído em 1979, na luta pela democracia e defesa dos direitos humanos, unido a outras organizações, movimentos e pessoas que assinam este documento, vêm reivindicar que a Prefeitura Municipal de Petrópolis, através de seu prefeito, Paulo Mustrangi, adquira a “Casa da Morte” de Petrópolis e que ali crie um Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis.
Nós, abaixo-assinados, somos favoráveis à Campanha pela criação do Centro de Memória, Verdade e Justiça de Petrópolis.
A cada companheiro tombado
nenhum minuto de silêncio
mas toda uma vida de luta.
Rua Monsenhor Bacelar, 400 - Centro - Petrópolis - RJ - 25685-113
As catástrofes naturais e teológicas - Caio Marçal
"Des-graçado Deus" - Lucas Gomes

sexta-feira, fevereiro 11, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
POR QUE TEMER O ESPÍRITO REVOLUCIONÁRIO ÁRABE?
A reação ocidental aos levantes no Egito e na Tunísia frequentemente demonstra hipocrisia e cinismo. A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo fato de que se está dando uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Tsé-Tung é pertinente: "Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente". O artigo é de Slavoj Zizek.
Quando um novo governo provisório foi nomeado na Tunísia, ele excluiu os islâmicos e a esquerda mais radical. A reação dos liberais presunçosos foi: bom, eles são basicamente a mesma coisa; dois extremos totalitários - mas as coisas são simples assim? O verdadeiro antagonismo de longa data não é precisamente entre islâmicos e a esquerda? Ainda que eles estejam momentaneamente unidos contra o regime, uma vez que se aproximam da vitória, a sua unidade se parte e eles se engajam numa luta mortal, frequentemente mais cruel do que aquela travada contra o inimigo comum.
Nós não testemunhamos precisamente tal luta depois das eleições no Irã? As centenas de milhares de apoiadores de Mousavi lutavam pelo sonho popular que sustentou a revolução de Khomeini: liberdade e justiça. Ainda que esse sonho tenha sido utópico, ele levou a uma explosão de criatividade política e social de tirar o fôlego, experiências de organização e debates entre estudantes e pessoas comuns. Essa abertura genuína, que liberou forças de transformação social então desconhecidas, um momento no qual tudo pareceu possível, foi então gradualmente sufocada pela dominação do controle político e do establishment islâmico.
Mesmo no caso de movimentos claramente fundamentalistas, é preciso ser cuidadoso para não perder de vista o componente social. O Talibã é usualmente apresentado como um grupo fundamentalista islâmico que impõe suas leis pelo terror. No entanto, quando, na primavera de 2009, eles tomaram o Vale de Swat no Paquistão, o The New York Times noticiou que eles arquitetaram "uma revolta de classe que explora profundas fissuras entre um pequeno grupo de ricos donos de terra e seus inquilinos desprovidos de um chão". Se, ao "se aproveitar" dos apuros dos agricultores, o Talibã estava criando, nas palavras do New York Times, "um alerta sobre os riscos ao Paquistão, que permanece sendo largamente feudal", o quê impediu os democratas liberais do Paquistão e dos Estados Unidos de, da mesma forma, "se aproveitarem" desses apuros e de tentarem ajudar os agricultores sem terra? Ocorre de as forças feudais no Paquistão serem aliados naturais da democracia liberal?
A conclusão inevitável a ser delineada é que a ascensão do islamismo radical sempre foi o outro lado do desaparecimento da esquerda secular nos países muçulmanos. Quando o Afeganistão é retratado como sendo o exemplo máximo de um país fundamentalista islâmico, quem ainda se lembra que, há quarenta anos atrás, ele era um país com uma forte tradição secular, incluindo um poderoso partido comunista que havia tomado o poder lá sem dependência da União Soviética? Para onde essa tradição secular foi?
É crucial analisar os eventos em andamento na Tunísia e no Egito (e no Iémen e ... talvez, com esperança, até na Arábia Saudita) em contraste com esse pano de fundo. Se a situação for eventualmente estabilizada de modo ao antigo regime sobreviver, apenas passando por alguma cirurgia cosmética liberal, isso irá gerar um intransponível retrocesso fundamentalista. Para que o legado chave do liberalismo sobreviva, os liberais precisam da ajuda fraternal da esquerda radical. De volta ao Egito, a mais vergonhosa e perigosamente oportunista reação foi aquela de Tony Blair noticiada na CNN: mudança se necessário, mas deverá ser uma mudança estável. Mudança estável no Egito, hoje, só pode significar um compromisso com as forças de Mubarak na forma de ligeiramente alargar o círculo do poder. Este é o motivo pelo qual é uma obscenidade falar em transição pacífica agora: pelo esmagamento da oposição, o próprio Mubarak tornou isso impossível. Depois de Mubarak enviar o exército contra os protestantes, a escolha se tornou clara: ou uma mudança cosmética na qual alguma coisa muda para que tudo continue na mesma, ou uma verdadeira ruptura.
Aqui, portanto, é o momento da verdade: ninguém pode arguir, como no caso da Argélia uma década atrás, que permitir eleições verdadeiramente livres equivale a entregar o poder para fundamentalistas islâmicos. Outra preocupação liberal é de que não existe poder político organizado para tomar o poder caso Mubarak parta. É claro que não existe; Mubarak se assegurou disso ao reduzir a oposição a ornamentos marginais, de forma que o resultado acaba sendo como o título do famoso romance de Agatha Christie, "E Então Não Havia Ninguém". O argumento de Mubarak - é ele ou o caos - é um argumento contra ele.
A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo fato de que se está dando uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Tsé-Tung é pertinente: "Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente".
Para onde, então, Mubarak deve ir? Aqui, a resposta também é clara: para Haia. Se existe um líder que merece sentar lá, é ele.
(*) Nota do Tradutor: o título original do livro de Agatha Christie é "And Then There Were None", conhecido aqui no Brasil como "O Caso dos Dez Negrinhos".
REFERÊNCIAS FEITAS PELO AUTOR:
http://www.guardian.co.uk/world/2010/feb/02/iran-mousavi-dictatorship-khameini-protests
http://www.nytimes.com/2009/04/17/world/asia/17pstan.html?_r=1
Fonte: http://www.guardian.co.uk
Traduzido por Henrique Abel para o Diário Liberdade.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17357
sábado, dezembro 04, 2010
quarta-feira, dezembro 01, 2010
UMA REFLEXÃO – Pr. Henrique Vieira
UMA REFLEXÃO
Pr. Henrique Vieira
As cenas que assistimos no Rio de Janeiro nestes últimos dias nos entristecem, nos amedrontam e movem nossas emoções. Uma mescla de medo, de pânico, de indignação, de revolta, de raiva, de desespero, de sede por justiça ou por vingança. Tenho procurado refletir bastante, atentar a tudo, orar e ouvir a fim de fugir de sensacionalismos, de opiniões irrefletidas e apenas pautadas na força de uma emoção.
O momento é de crise e de pressão e isto leva a necessidade de uma resposta rápida e eficiente do Estado a fim de controlar, contornar e reagir à situação. Ver pessoas não sendo mais dominadas pelos agentes do tráfico nas favelas de fato traz alívio. Todos sabem das atrocidades ali cometidas e o quanto o povo da favela sofre com esta criminalidade. Contudo a questão é muito mais complexa e não se resolve com a ocupação da polícia no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. O sensacionalismo midiático, especialmente global, é intencionalmente alienante.
A idéia de guerra me incomoda, embora as cenas apontem para tal realidade. A fraude midiática, como aponta Marcelo Freixo, nos faz acreditar que existe uma polaridade muito bem definida entre os marginais e o Estado e que a atual ação policial se assemelha ao chamado Dia D da Segunda Guerra Mundial. Um discurso bélico, retro alimentador da violência e que não compreende as causas multidimensionais do problema da insegurança no Rio e no Brasil.
O tráfico de drogas e de armas é internacional e altamente lucrativo e articulado e de forma alguma se restringe, se resume ou se que quer tem sua verdadeira liderança nas favelas do Rio. Ali está o varejo, a mão de obra farta e barata. Quero deixar bem claro que o dedo que aperta o gatilho de uma arma em uma favela deve ser enfrentado (é importante dizer isso em função da visão preconceituosa e forjada midiaticamente que muitas pessoas têm a respeito dos militantes dos direitos humanos), mas que o dedo que conta o dinheiro e contabiliza o lucro de todo este caos também deve ser enfrentado.
O discurso de guerra apontado pela mídia e abraçado com paixão por muitos reduz a questão e mais uma vez restringe a criminalidade ao espaço da pobreza. O que se é esperado são respostas rápidas, enérgicas, eficientes e vamos todos torcendo pelo Estado Puro, isento de corrupção e fraudes, representação máxima da pureza e do bem comum contra os maldosos e malvados. São atitudes meramente sensacionalistas que impedem que a segurança pública seja pensada de forma multidimensional e preventiva, não meramente reativa como afirma Luís Eduardo Soares.
Talvez seja preciso formular melhor as perguntas. Como, quem, onde e em que circunstâncias as armas e as drogas chegam ao Rio? Como apontou Marcelo Freixo “é preciso patrulhar a baía de Guanabara; portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e das drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e mais morre no mundo não resolve”.
Também é preciso com humildade, autocrítica e vontade política reconhecer que o crime que está sendo atacado não é paralelo ao Estado, mas infiltrado em suas próprias estruturas. Mas nesta hora nos esquecemos totalmente disso.
É preciso reconhecer que apesar dos muitos policiais honestos, íntegros, corretos e bem intencionados que arriscam suas vidas por um salário indigno e que trabalham em péssimas condições, a corrupção e o sistema da criminalidade passa pela policia.
Além dos arregos, da negociação de armas e de drogas ainda se tem as milícias, que inclusive são muito melhor organizadas e mais rentáveis economicamente do que o próprio tráfico “não institucional”. Isto porque as milícias não tiram seu lucro apenas das drogas, mas abrangem serviço de transporte, de gás, de televisão e muitos outros. Tudo dentro de uma lógica coercitiva, dominadora, cruel e que basicamente o indivíduo paga para não ser morto e ser protegido justamente por quem ameaça lhe matar.
Como afirmou Luis Eduardo Soares “ distinguir de fato crime e polícia deveria ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome”. Segundo ele não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de Janeiro de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes e é só por isso que ainda existe tráfico armado e milícias.
Outra lógica um tanto quanto esquisita e até um pouco engraçada é aquela do “está ruim porque está bom”. Ela aponta que por causa das UPPs o tráfico está reagindo e por esse momento de desespero e de pânico. Em primeiro lugar o modelo de tráfico teritorializado, dependente de aramas e drogas já vem em decadência e perdendo espaço para outras formas de criminalidade faz algum tempo. Como afirma Luis Eduardo Soares “ o tráfico no modelo em que se firmou no Rio de Janeiro, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar por sua própria irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais, predominantes me nosso tempo histórico. Incapaz inclusive de competir com as milícias...”
Em segundo lugar o Estado deveria prever e se antecipar a esse tipo de reação, já que é óbvio e tão óbvio que é o que está acontecendo. Em terceiro lugar o mapa da instalação das UPPs é muito revelador. Isto porque apesar dos maiores índices de criminalidade se situarem na Baixada Fluminense as UPPs estão sendo implementadas no corredor hoteleiro do Rio e na zona portuária, onde há grandes somas de investimento de capital.
E ainda se pode dizer que apesar do avanço de uma lógica policial mais comunitária respeitando a cidadania e a dignidade dos moradores das favelas as UPPs não trazem consigo creches, escolas, postos de saúde, distribuição de renda e acesso a outros tantos direitos. Está aí um ponto fundamental escondido atrás do discurso vitorioso de guerra. Uma política de Segurança Pública deve passar pela garantia de direitos básicos aos moradores das favelas.
As reformas neoliberais da década de 90 que tanto beneficiaram o mercado financeiro, os credores internacionais , os banqueiros, os grandes empresários causaram uma deterioração ainda maior nos serviços públicos, um sucateamento ainda maior do setor público, uma ineficiência acentuada do Estado em dar garantias sociais, um aumento da concentração de renda e da desigualdade social.
É o Estado mínimo do mercado livre na área econômica, mas que é Estado máximo da área penal para a população mais pobre. Boa parte desta gente moradora de favelas não conhece a dinâmica do direito que elas têm, pois o aparato do Estado que elas mais conhecem é sua veia penal, punitiva e repressora.
Percebe-se uma lógica de acentuação da pobreza e depois de criminalização da mesma, um Estado Mínimo na sua lógica econômica e financeira e na garantia de direitos, contudo máximo no seu aparato penal, especialmente voltado para os mais pobres.
Confesso que estou vivendo uma mescla de sentimentos. Oro e torço para que haja a preservação da vida e para que aquelas comunidades possam viver agora em paz longe de todas e quaisquer atrocidades, mas fico muito assustado com o discurso dominante que inflama tantas paixões.
Historicamente foi o discurso do medo que legitimou governos autoritários e ditatoriais. Reconheço que a dinâmica é diferente, mas apenas guardo esta reflexão e fico atento. Também me chama atenção a preocupação que agora aparece com os moradores da favela e que bom que pelo menos apareceu agora e espero que continue. Porque me parece que foi preciso o terror descer para o asfalto e desorganizar a vida aqui em baixo para haver uma comoção enorme e exigência de uma resposta eficiente.
Imaginem viver no pânico todos os dias!n Caminhando para o fim cabe lembrar que 99,5% dos moradores das favelas são trabalhadores reféns deste tráfico cuja estrutura transcende aquele espaço. Ali mesmo não há nenhum rime organizado, ali a linguagem é a da barbárie e não há nenhuma expectativa de vida para os que entram nessa vida.
Defender direitos humanos é uma caminhada árdua porque muitas vezes se ouve comentários altamente preconceituosos, mas faz parte da caminhada. Aceito e desejo diálogos que possam contribuir com a formação e a reformulação dos meus pontos de vista.
Que a súplica do nosso coração e dos nossos lábios seja: “corra justiça como um rio perene” (Profeta Amós).
VIOLÊNCIA É CASO PARA INTELIGÊNCIA - Dep. Marcelo Freixo
Violência é caso para inteligência
Dep. Marcelo Freixo
Quero conversar com os demais deputados para chamar a atenção para algumas coisas que fogem a obviedade. É claro que a situação no Rio é uma situação delicadíssima, inaceitável. Todos nós sabemos disso, mas cabe ao Parlamento um debate um pouco mais profundo, do que necessariamente faz, ou fazem os meios de comunicação. E, nesse sentido, quero pontuar algumas coisas. Primeiro, a venda fácil da imagem de que o Rio de Janeiro está em guerra. Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra.
Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes. As atitudes são bárbaras, são violentas, precisam ser enfrentadas, mas daí a dizer que é uma guerra, traz uma concepção e uma reação do Estado que, em guerra, seria matar ou morrer. Numa guerra a consequência e as ações do Estado são previstas para uma guerra. Hoje, inevitavelmente, o grande objetivo é eliminar o inimigo e talvez as ações do Estado tenham que ser mais responsáveis e mais de longo prazo.
É preciso lembrar que existem outras coisas importantes que temos que pensar neste momento. Primeiro, não precisa ser nenhum especialista para imaginar que as ações das UPPs teriam essa consequência em algum momento. Não precisa ser especialista para fazer essa previsão. Era óbvio que em algum momento, ou no momento da instalação, quando não houve, ou num momento futuro, uma reação seria muito provável. Então, era importante que o governo estivesse um pouco mais preparado para esse momento. Dizer que está sendo pego de surpresa porque no final do ano está acontecendo isso não me parece algo muito razoável, porque era evidente que isso poderia acontecer.
Neste sentido, seria fundamental que, junto com a lógica das ocupações – eu não vou aqui debater sobre as UPPs, mas tenho os meus questionamentos –, acontecesse o incremento de um serviço de inteligência. Na verdade, o governo do Rio de Janeiro investe muito pouco no serviço de inteligência da polícia, investe muito pouco na estrutura de inteligência.
Vou dar um exemplo. Quem quer visitar a Draco, a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, portanto, uma delegacia estratégica? Se alguém tem alguma dúvida de que a Segurança Pública não faz investimento nos lugares devidos, vá a essa delegacia, que deveria ser muito bem equipada e estruturada, com boa equipe, bem remunerada, com bons instrumentos. Essa delegacia é uma pocilga, é um lixo! Ela fica nos fundos da antiga Polinter, na Praça Mauá, sem qualquer condição de trabalho para os policiais. Estou falando da Draco, da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado, uma das mais importantes que tem o Rio de Janeiro.
Não adianta a Segurança Pública ser instrumento de propaganda política quando, na verdade, os investimentos mais importantes e necessários não são feitos nos lugares corretos, não atendem aos lugares corretos. Se o Governo do Estado do Rio de Janeiro investisse na produção de inteligência e na inteligência da ação policial, certamente, muito do que está acontecendo – não totalmente, para ser honesto, mas muito do que está acontecendo – poderia ser previsto. A ação poderia ser mais preventiva do que reativa.
As ações emergenciais diante uma situação como essa, é evidente que precisam ser tomadas. É evidente que a polícia tem que ir para rua, é evidente que você tem que ter uma atenção maior, tem que haver a comunicação com o Secretário permanente com a sociedade, isso ele está fazendo, eu acho que é um mérito, acho que ele não está fugindo do problema, está debatendo, isso é importante. Mas nós temos também que perceber nesse momento o que não funcionou porque não adianta nesse momento a gente falar: “a culpa é da bandidagem”, isso me parece um tanto quanto óbvio, mas, o que de responsabilidade tem no Poder Público que falhou e que não pode mais falhar? Uma boa parte dos prisioneiros do chamado “varejo da droga” foi transferida para Catanduvas, o que, diga-se de passagem, é um atestado de incompetência do nosso sistema prisional que transfere para Catanduvas, porque no Rio de Janeiro a gente não consegue manter os bandidos presos, afinal de contas, há uma série de problemas: de limitações, de uma corrupção incontrolável... agora, transfere para Catanduvas e aí a solução e o diagnóstico dados pela Secretaria de Segurança é que partiu de Catanduvas a ordem para que tudo isso aconteça. Enfim, agora que o problema é de Catanduvas, a gente transfere os delinquentes para Marte?
Então, qual é a solução? O que está acontecendo de fato nesse momento? Essa juventude do varejo da droga nunca se organizou em movimento de igreja; nunca se organizou em movimento estudantil - até porque nem para escola boa parte foi -, nunca se organizou em movimento sindical; não é uma juventude que tem uma tradição, uma cultura de organização, não tem. Agora, querer achar que eles passam a se organizar e organizar muito bem, que representam o tráfico internacional? É uma tolice. Essa juventude é uma juventude violenta que só entende a lógica da barbárie e é com a barbárie que eles estão reagindo a essa situação que está colocada no Rio de Janeiro, está longe, muito longe de ser o verdadeiro “crime organizado”.
Fica uma pergunta: quantas vezes a polícia do Rio de Janeiro, em parceria com a Polícia Federal, em parceria com a Marinha, em parceria com quem quer que seja, fez ações de enfrentamento ao tráfico de armas na Baía de Guanabara? Quantas vezes a Baía de Guanabara foi palco das ações de enfrentamento ao tráfico de armas e ao tráfico de drogas? Nunca! Não é feito porque não interessa o enfrentamento ao tráfico de armas, o que interessa é o enfrentamento aos lugares pobres, que são mais fáceis, mais vulneráveis para que essa coisa aconteça, e ficam “enxugando gelo”. Quem é que vende esse armamento para esses lugares? São setores que passam por dentro do próprio Estado, todo mundo sabe disso. A gente precisa interromper um processo hipócrita antes de debater qualquer saída de Segurança Pública. Nós temos que, nesse momento de grave crise do Rio de Janeiro, discutir as políticas públicas de Segurança que não estão funcionando. Não dá para o Governo chegar agora e dizer: “está ruim porque está bom”, “está um horror porque estão reagindo a algo que está muito bom”. É pouco e irresponsável diante do que a população está passando. Nós temos que, neste momento, ser honestos e mais republicanos e admitir onde falhamos para que possamos avançar, num debate que não pode ser partidário, mas responsável, com a população do Rio de Janeiro.
Fonte: http://www.marcelofreixo.com.br/site/noticias_do.php?codigo=114 acessado em 01/12/2010
sábado, outubro 23, 2010
Último Debate Lula X Collor 1989
O nível do debate político entre os evangélicos nestas eleições anda mesmo sofrível. Não aguento mais receber e-mails pintando a Dilma como o Diabo e recomendando o voto no Serra que, segundo os remetentes, é o candidato que vai salvar o pais da iniquidade institucionalizada lulopetista.
Estas mensagens, cuja maioria eu deleto sem ler, me recordam o ano de 1989, quando os evangélicos se mobilizaram para detonar a candidatura do Lula afirmando que, se ele fosse eleito, as igrejas seriam fechadas, a cor da bandeira brasileira seria alterada de verde, amarelo azul e branco para o vermelho comunista, etc.
Parte 2O cara daquela época era o Collor, caçador de corruptos, que ele chamava de marajás. Os pastores usavam o púlpito para conclamar os seus fiéis a votar no Fernando Collor de Melo pois ele era a grande esperança dos evangélicos para salvar o pais da iniquidade que o lulopetismo queria institucionalizar. Quem quiser ter uma idéia do ambiente político em que as eleições de 1989 aconteceram, é só assistir aos vídeos do último debate da campanha presidencial, daquele ano.
Parte 3O Collor foi eleito e todos sabem como esta história acabou em 1992. Em 2002 o Lula foi eleito, está aí até hoje e a nossa bandeira não mudou de cor e, nunca antes na história deste país, tantas igrejas foram abertas. Quer dizer, os temores de 21 anos atrás não tinham fundamento.
Parte 4Eu não estou muito animado para votar na Dilma, mas isto não é resultado desta "guerra santa virtual". Reconheço os benefícios da administração petista, citados pelo meu amigo Clemir Fernandes num e-mail:
- 1. O país cresceu e promoveu distribuição de renda,
- 2. Aumentou efetivamente salários;
- 3. Ampliou o número de postos de emprego e com garantias sociais, etc etc.
Mas não me agrada mais o estilo petista de governar e a maneira como foram tratadas as denúncias dos tantos escândalos que têm vindo à tona. Ninguém foi punido e os caciques do partido, envolvidos até o pescoço, estão aí dando as cartas nesta eleição.
Parte 6Também não quero votar no José Serra. Citando mais uma vez o Clemir, apresento os meus motivos: Ele representa o grupo que:
- 1. Entregou de bandeja as riquezas nacionais ao grande capital,
- 2. Destruiu postos de trabalho e aumentou vertiginosamente o desemprego,
- 3. Achatou salários, além de muitas outras cositas más.
No primeiro turno, eu me despenquei da minha casa, em Niterói, até o centro do Rio de Janeiro, apenas para ser + 1 a votar na Marina. Mas neste segundo turno estou pensando seriamente em justificar, pois não quero legitimar com o meu voto nenhum dos dois candidatos que me desagradam.
Parte 8Reconheço que a Marina não era a candidata perfeita, que o PV não é o partido dos meus sonhos e que possui algumas alianças indigestas. Mas eu não queria votar nem na Dilma nem no Serra.
Parte 9Se eu mudar de idéia, votarei na Dilma, pois a considero o mal menor diante da opção de ter o Serra como presidente. O fato de ela ter sido terrorista/ativista no passado, pouco importa para mim, são outros tempos e até o PT, em sua prática política, já admitiu isto ao manter boa parte dos fundamentos da política economica do Itamar/FHC, para garantir a estabilidade e ter condições para governar.
Parte 10 Não localizadaSe eu mudar de idéia, votarei na Dilma, pois a considero o mal menor diante da opção de ter o Serra como presidente. O fato de ela ter sido terrorista/ativista no passado, pouco importa para mim, são outros tempos e até o PT, em sua prática política, já admitiu isto ao manter boa parte dos fundamentos da política economica do Itamar/FHC, para garantir a estabilidade e ter condições para governar.
Parte 11Eu acho que esta discussão sobre aborto e casamento gay (sou contra ambos) está sendo utilizada pelos dois candidatos como cortina de fumaça para que eles fujam da discussão de temas relevantes da saúde pública, da economia, e outros, que exigiriam respostas mais elaboradas e a exibição de planos de governo consistentes.
Parte 12Evangélicos e católicos deveriam trazer para o debate eleitoral as questões da injustiça social que afetam o nosso povo. Para ser relevante a igreja precisa pregar às almas perdidas, mas sem se esquecer de cuidar dos corpos que sofrem. Como diz Leonardo Boff: “sem a pregação da justiça não há evangelho que seja de Jesus Cristo. Isso não é politizar a igreja: é ser fiel”. (Igreja Carisma e Poder – p. 65).
Parte 13Assistir ao último debate da campanha presidencial de 1989 é um exercício muito interessante para perceber a transformação que os candidatos sofrem ao longo dos anos. Naquela época Lula e Collor eram inimigos ferrenhos, trocavam sérias acusações entre si, cada um tentando demonstrar que se o outro fosse eleito, o país iria sofrer amargamente.
Parte 14O Collor se classificava como um candidato cristão, cujo plano de governo seria defender os valores da família cristã. Discurso é bem semelhante ao que vem sendo apresentado na propaganda do Serra, que acusa a Dilma de ser favorável ao aborto, enquanto ele defende a vida.
Em 1989, o portugês do Lula era bem ruim mesmo, se compararmos com os discursos atuais, e notório o progresso que ele obteve no domínio do idioma. O Collor falou que era contra o calote, contra mexer na poupança...
O Collor também falou do risco de se eleger um candidato que não tinha nenhuma experiência na administração pública. Ele, que tinha sido governador de Alagoas, era a melhor opção, porque sabia o que era governar. Parece bastante com os discursos que temos ouvido hoje, não?
Enfim, é importante prestar atenção no processo político que o nosso país vivencia. Ele não aconteceu de ontem para hoje, é fruto de um amadurecimento político e histórico que precisa ser aperfeiçoado sempre, para que nas próximas eleições possamos observar mais progressos do que retrocessos no Brasil.








