sexta-feira, fevereiro 11, 2011
sexta-feira, setembro 03, 2010
ISRAEL E A INJUSTIÇA SOCIAL
ISRAEL E A INJUSTIÇA SOCIAL
Oráculo do Senhor: Por causa do triplo e do quádruplo crime de Israel, não mudarei meu decreto. Porque vendem o justo por dinheiro, e o pobre por um par de sandálias. Amós 2.6
A preservação da dignidade do ser humano é um valor inegociável para Deus. Nada ofende mais à santidade divina do que a afronta aos direitos básicos de uma pessoa.
É por este motivo que, do conjunto de nações repreendidas nas profecias de Amós, Israel é cobrada com mais veemência. O povo que foi escolhido para ser o berço do Messias, o divulgador da mensagem de Deus para toda as criaturas, deixou de lado a sua missão, em troca de um projeto de poder, que se baseava na exploração do mais fraco.
A lei que Deus entregou ao povo, previa diversas garantias sociais que protegiam os mais carentes e cuidavam para que não existissem famintos entre o povo. Se ela fosse cumprida de forma correta, os pobres não precisariam mendigar o pão e teriam condições de sustentar dignamente as suas famílias.
Naquele tempo a justiça valia pouco. As pessoas não passavam de meros objetos que, manipulados de qualquer jeito, serviam para atender aos desejos dos poderosos. O dinheiro determinava o valor de cada um, perante aquela sociedade. Uma religião de aparências tratava de preservar os iníquos das consequências do seu pecado e condenava os justos por qualquer detalhe, aprisionando-os psicológica e financeiramente aos seus líderes corruptos.
Toda esta rebeldia causava tristeza a Deus, que havia se dedicado com amor ao seu povo e, como retribuição, foi desprezado. No capítulo 2 do livro do profeta Amós, Deus faz uma comparação entre os seus atos de cuidado ao libertar Israel do cativeiro no Egito, conduzí-los pelo deserto e sempre levantar profetas para levar-lhes a sua palavra e a absoluta indiferença do povo, que se esqueceu completamente daquele que o protegeu.
Os poderosos se julgam acima de qualquer lei. Quem terá a a ousadia de acusá-los? O seu dinheiro compra o favor das autoridades e a força do seu braço silencia os humildes, gerando uma perversa sensação de onipotência.
Mas o profeta declara que não haverá oportunidade de fuga para o homem mau e que diante de Deus não há poderosos que resistam ao peso de sua mão. “Não haverá mais fuga possível para o homem ágil, o forte não encontrará mais sua força, o valente não salvará sua vida, o arqueiro não poderá resistir, nem o homem de pés ligeiros poderá escapar, nem o cavaleiro salvará sua vida, e o mais corajoso entre os valentes fugirá nu, naquele dia - oráculo do Senhor”. Amós 2.14-16
A repreensão será dura, mas o objetivo é mostrar que a justiça não é um sonho inalcançável, mas uma possibilidade, quando homens e mulheres de Deus decidem segui-lo fielmente.
segunda-feira, agosto 30, 2010
O PROFETA E OS PODEROSOS
Oráculos de Amós, que foi um dos pastores de Técoa. Revelações que recebeu acerca de Israel no tempo de Ozias, rei de Judá, e de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do tremor de terra. Amós 1.1
É no meio desta situação complicada que Deus prepara uma surpresa para o profeta: Ele deveria sair de sua pequena cidade, em Judá, e dirigir-se à capital do Reino do Norte, para denunciar a hipocrisia que dominava o cenário político e religioso de seu país, e comprometia a mensagem dos sacerdotes oficiais, que dependiam da boa vontade dos governantes para permanecerem nos seus cargos.
Amós era um estranho no ninho dos profetas. Ele não havia cursado as famosas escolas de sua época, que o habilitariam a frequentar a corte e a falar com os governantes. A tarefa de pregar na terra de Jeroboão II se tornava ainda mais complicada, porque a riqueza e o poder político lançavam uma cortina de fumaça que escondia o pecado daquela sociedade.
Livre dos compromissos resultantes das alianças com o poder, Amós proferia, com tranquilidade, os juízos contra as grandes nações de seu tempo. Damasco, Gaza, Tiro, Edom e Amon, foram alvos da censura divina por atitudes impiedosas cometidas contra as populações indefesas que estavam sob seu domínio, motivadas por interesses econômicos. “Oráculo do Senhor: Por causa do triplo e do quádruplo crime de Edom, não mudarei meu decreto. Porque perseguiu seu irmão com a espada abafando toda a compaixão, e porque sua cólera não cessa de despedaçar, e persiste em guardar perpétuamente rancor”. Amós 1.11
Assassinatos, escravidão e perseguições. Crimes cometidos por nações poderosas, que despertaram a ira de Deus contra a crueldade imposta aos mais fracos. O nome das vítimas não é mencionado nos documentos históricos, mas o seu sacrifício não foi esquecido por Deus, que levantou o seu profeta para denunciar esta crueldade.
O livro de Amós fala do amor de Deus pelos seus filhos mais pobres e de sua dor ao vê-los explorados e deixa bem claro que não deixará impunes os que se aproveitam do poder para o benefício próprio, abandonando os necessitados à sua própria sorte, enquanto vivem confortavelmente em seus luxuosos palácios.
sábado, setembro 19, 2009
O DIA DO SENHOR
Naquele dia – Oráculo de Javé – ajuntarei as ovelhas estropiadas, reunirei as que foram dispersas, e aquelas que eu mesmo castiguei. Farei das estropiadas um resto e, das dispersas, uma nação forte; e no Monte Sião, Javé reinará sobre elas, desde agora e para sempre. Miquéias 4.6-7
O dia do Senhor é apresentado nas escrituras como o momento em que a justiça será estabelecida como o padrão para as relações entre as pessoas na Terra. Ele é esperado pelo povo como um dia de libertação política, onde o Messias viria para restaurar a glória do trono de Davi sobre as nações.
Os provetas apresentam duas perspectivas para este evento: a primeira diz que este dia produzirá terror para os pecadores e ruína para os que se utilizam do nome de Deus e do poder político, para oprimir o povo.
A segunda, fala da esperança que o julgamento do Senhor representará para o pobre, que vive desamparado e sujeito às dificuldades em qualquer regime político ou econômico.
A falta de condições econômicas relega numerosos setores da sociedade à condição de lixo humano. Os excluídos não têm poder aquisitivo para consumir, o seu nível educacional não lhes permite obter a capacitação para conseguir um emprego e conquistar um lugar na engrenagem que gira a roda do mercado. A existência destas pessoas não conta, e a visão de sua pobreza incomoda.
A justiça de Deus traz esperança aos excluídos, porque ele os vê como seres humanos e proporciona um novo significado para a vida pois ela é um projeto infinito, que oferece múltiplas chances de recomeço, mesmo para aqueles que receberam a marca de irrecuperáveis.
A bíblia apresenta o pobre como alvo preferencial da misericórdia divina, porque, como nenhum outro, ele sabe o que é a dependência. Por não ter ninguém a quem recorrer, a sua única opção é esperar pela provisão do alto. Os ricos se apóiam no seu poder econômico e em alianças políticas, por este motivo eles têm mais dificuldade para admitir que necessitam da ajuda de Deus.
Passo a passo, o processo de recuperação da dignidade vai se consolidando e a ovelha estropiada se une a outras na mesma condição e, juntas, elas se fortalecem para formar uma nação forte, cujo rei é o Senhor dos Exércitos.
Israel sofreu debaixo da opressão dos povos invasores, mas a esperança da redenção lhes permitiu sonhar com “Um futuro novo, quando Jerusalém se tornará a capital da justiça, e quando cada um viverá feliz e tranquilo na sua terra, sem guerras”.[1]
Nota
[1] BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral P.1197
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991