segunda-feira, julho 23, 2007

RITUALÍSTICA CRISTÃ – A EUCARISTIA

RITUALÍSTICA CRISTÃ – A EUCARISTIA


O cristianismo possui rituais que são celebrados periodicamente nas igrejas. A Eucaristia, palavra latina que significa ação de graças [1], é também chamada de Comunhão ou Ceia do Senhor e tem relação com outra cerimônia judaica muito importante: o “pessach” ou páscoa. Qual é esta relação e porque Jesus Cristo fez questão de celebrá-la antes de sua morte na cruz?

1. Páscoa: O memorial da libertação do povo que vivia no Egito. Êxodo 12.1-20 [2]

  • Pão sem fermento – Pressa na saída – A libertação veio de repente, era necessário alimentar-se antes de sair para a longa jornada e não havia tempo para esperar todo o processo de fermentação do pão tradicional.
  • Ervas amargas – Sofrimento na escravidão – Após a libertação e vivendo a nova vida confortável, é natural que o povo se esqueça de que antes havia grande opressão. As ervas amargas simbolizam a tristeza vivida diante da dominação egípcia.
  • Passagem da escravidão para a Liberdade – A peregrinação pelo deserto não foi somente um deslocamento populacional de um ponto geográfico a outro do planteta. Ela resgatou a dignidade de uma nação devolvendo-lhe o poder de decidir o seu destino e de usufruir, com sua família e amigos, o resultado do seu trabalho.


2. A Última Ceia – Mateus 26.17-35 [3]

  • Um ritual comum na religião judaica – Jesus não rebelou-se contra a sua herança cultural. Ele cumpria fielmente os rituais importantes de sua religião.
  • Jesus estabeleceu um novo significado para a páscoa a partir de seu sacrifício – Ele veio promover a reconciliação entre Deus e o homem. A sua morte na cruz nos libertou do poder do pecado abrindo o caminho para que este relacionamento se tornasse possível.
  • Êxodo e ressurreição, exemplos de redenção – Deus se importa tanto com a liberdade física de seus filhos quanto com a sua condição espiritual. Ambos os eventos mostram a redenção de uma situação de escravidão para a liberdade. A graça é demonstrada na disposição divina de ouvir o lamento de seu povo, providenciar um libertador e no ato de abrir-se para um relacionamento pessoal revelando-se em Cristo. A Resposta humana para este amor é receber pela fé o presente oferecido, e crer que Deus existe e abençoa a todos aqueles que o buscam. Hebreus 11.6 [4]


3. Os Símbolos da Eucaristia – I Coríntios 11.23-28 [5]

  • Celebração da libertação – A celebração permite compartilhar com aqueles que são mais importantes, as conquistas e alegrias que a vida proporciona. Ao Celebrar é o reconhecemos públicamente que fomos abenoçados.
  • Celebração da comunhão – Não é possível fazer festa sozinho. Precisamos de uma comunidade, de pessoas que dividam conosco a carga do tabalho e participem das alegrias por mais um ciclo completado. Festejar renova as forças e anima para obter novas e mais relevantes vitórias.
  • Lembrança de nossa dependência de Deus. Romanos 6.4-5 [6] – Diante de Deus não existe forte, fraco, analfabeto ou erudito, todos somos dependentes de seu amor e estamos unidos a ele como resultado da morte de Cristo na Cruz e de sua ressurreição.
  • Somos partes do mesmo corpo. I Coríntios 10.16-17 [7] – Esta união em Cristo revela que dependemos do nosso semelhante para continuar vivendo. A sabedoria divina nos fez complementares, ninguém é completamente forte que não precise de auxílio, nem tremendamente fraco que não possa ajudar alguém.


CONCLUSÃO

A função dos rituais da páscoa judaica e da eucaristia é contar a história do êxodo e do sacrifício de Jesus para as novas gerações, preservando o seu significado vivo na alma do povo. Desta forma, a celebração não será apenas uma repetição mecânica, mas uma festa onde levantaremos o cálice e repartiremos o pão para comemorar o presente recebido de Deus e a libertação de toda a forma de opressão que quer impedir-nos de desfrutar a vida abundante que ele nos oferece. Entender a importância destas práticas renova a nossa disposição para cultar a Deus em espírito e em verdade.

NOTAS

  • [1] Eucaristia - s. f. Do Lat. Eucharistia - Gr. eucharistía, acção de graças: Fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx – Data da obtenção do texto: 23/07/2007
  • [2] Êxodo 12:1-20. “Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito: Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro. O cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito; e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem; naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão. Não comereis do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo: a cabeça, as pernas e a fressura. Nada deixareis dele até pela manhã; o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis. Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor. Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito. Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. Sete dias comereis pães asmos. Logo ao primeiro dia, tirareis o fermento das vossas casas, pois qualquer que comer coisa levedada, desde o primeiro dia até ao sétimo dia, essa pessoa será eliminada de Israel. Ao primeiro dia, haverá para vós outros santa assembléia; também, ao sétimo dia, tereis santa assembléia; nenhuma obra se fará nele, exceto o que diz respeito ao comer; somente isso podereis fazer. Guardai, pois, a Festa dos Pães Asmos, porque, nesse mesmo dia, tirei vossas hostes da terra do Egito; portanto, guardareis este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo. Desde o dia catorze do primeiro mês, à tarde, comereis pães asmos até à tarde do dia vinte e um do mesmo mês. Por sete dias, não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado será eliminado da congregação de Israel, tanto o peregrino como o natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações, comereis pães asmos.”
  • [3] Mateus 26:17-35 “No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa? E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos. E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa. Chegada a tarde, pôs-se ele à mesa com os doze discípulos. E, enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. E eles, muitíssimo contristados, começaram um por um a perguntar-lhe: Porventura, sou eu, Senhor? E ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá. O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito, mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido! Então, Judas, que o traía, perguntou: Acaso, sou eu, Mestre? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste. Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados. E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai. E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas. Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia. Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.”
  • [4] Hebreus 11:6 “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”
  • [5] I Coríntios 11:23-28 “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice.”
  • [6] Romanos 6:4- 5 “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição.”
  • [7] I Coríntios 10: 16-17 “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.
  • Fonte: http://www.bibliaonline.net/scripts/bol.cgi - Versão: João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada – Data da obtenção do texto: 23/07/2007

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MEUS TEXTOS BÍBLICOS PREFERIDOS

Não é a lista definitiva, mas estes são alguns dos muitos versículos importantes para a minha espiritualidade.

"Não nos cansemos de fazer o bem; se não desanimarmos, quando chegar o tempo, colheremos." Gálatas 6.9

"Conheço meus projetos sobre vocês - oráculo de Javé: são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança. Quando vocês me invocarem, rezarão a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão, e me encontrarão se me buscarem de todo o coração; eu me deixarei encontrar e mudarei a sorte de vocês - oráculo de Javé." Jeremias 29.11-14

"Guardo triste essa lembrança e me sinto abatido. Mas existe alguma coisa que eu me lembro e me dá esperança: o amor de Javé não acaba jamais e a sua compaixão não tem fim. Pelo contrário, renovam-se a cada manhã: "Como é grande a tua fidelidade!" Digo a mim mesmo: "Javé é a minha herança" , por isso nele espero. Javé é bom para os que nele esperam e o procuram. É bom esperar em silêncio a salvação de Javé. É bom para o homem suportar o jugo desde a juventude. Que esteja sozinho e calado, quando cai sobre ele a desgraça; que ponha a sua boca no pó: talvez haja esperança; que entregue a face ao que o fere até fartar-se de insultos, porque o Senhor não rejeita para sempre. Embora castigue, se compadecerá com grande amor." Lamentações 3.20-32

quarta-feira, junho 27, 2007

PARA QUÊ SERVEM OS AMIGOS?

PARA QUÊ SERVEM OS AMIGOS?


Faz muito tempo que o tema dos relacionamentos me fascina. A sua influência em nossa vida é muito grande. Posso me considerar feliz, porque nos tempos de crise, sempre encontro ouvidos pacientes. Freqüentemente escuto pessoas que dizem: “tenho poucos ou nenhum amigo com quem sou capaz de me abrir e contar tudo o que sinto.” Para alguns amigos lhes conto as questões emocionais, para outros as profissionais e com outros compartilho os assuntos familiares.

Meus últimos empregos não vieram através de uma busca aos classificados de um jornal, mas por indicação de pessoas que me conheciam, sabiam que eu precisava trabalhar e conheciam pessoas que estavam precisando de contratar alguém.

Pessoas nos mostram caminhos, nos ensinam, nos repreendem quando falhamos e elogiam quando merecemos. Elas nos decepcionam também, mas a quantos nós já não decepcionamos ao longo da vida?

Eu sou que sou e cheguei onde cheguei porque tive mestres, amigos, líderes e familiares que me amaram, me acolheram, e que quando eu não acreditava ser capaz de alcançar uma meta, eles acreditaram por mim e me forçaram a seguir em frente. Agradeço muito a estas pessoas que têm sido resposta de oração e grande bênção de Deus para a minha vida. “O ferro se afia com o ferro, e a pessoa se afia com a presença do seu próximo”. Provérbios 27.17

ESPIRITUALIDADE E ECOLOGIA

ESPIRITUALIDADE E ECOLOGIA

Atualmente existe um ramo da teologia que cuida da ecologia. Estes teólogos consideram a preocupação com o meio-ambiente como evidência de maturidade espiritual. O planeta terra não é somente um amontoado de pedras, água e minerais, mas um organismo vivo que precisa de cuidado. É a casa comum que Deus nos deu. Nesta abordagem o homem não é visto como dominador, mas como parte integrante do sistema de vida e tem a responsabilidade de não esgotar os recursos colocados à sua disposição. A extinção do planeta terra corresponderá ao nosso fim também.

À igreja cabe a responsabilidade de alertar às pessoas sobre a urgência de preservar mares, rios, florestas, animais porque eles também são criação de Deus e porque quando bem cuidada, a natureza responde com prosperidade, fartura e beleza. Dimesão simbólica do amor divino[1]. Quando ela é maltratada, responde com violência e produz a morte. Dimensão diabólica da conseqüência do pecado [2].

Que culpa teve Deus pelo Tsunami que matou tantas pessoas na Indonésia e países vizinhos, que eles até desistiram de contar? Uma das razões para esta tragédia pode estar nos países “cristãos” altamente industrializados produtores de tanta poluição, que elevam a temperatura do planeta, causando o derretimento das geleiras, que provocam a alteração das correntes marítimas e o aumento do nível do mar. Quando acontece um terremoto, tão comum naquela área, a bagunça se complica. Existem lugares no Brasil que foram construidos em terrenos aterrados. Hoje, alguns destes locais estão desaparecendo, porque o mar está invadindo e destruindo tudo. É culpa e Deus que estas pessoas fiquem desabrigadas?

Precisamos cuidar da natureza. A maneira como utilizamos a água, a energia elétrica, o critério de separação do lixo e as formas para evitar o desperdício, podem parecer ações sem valor, mas quando multiplicadas, podem fazer grande diferença. A sociedade está preocupada com os efeitos das alterações climáticas de que forma a igreja e a teologia serão capazes de apresentar respostas para estes questionamentos? Esta responsabilidade é minha, é sua, é de todos nós.

NOTAS

[1] Símbolo / Simbólico – Sua origem provém do grego clássico symbállein ou symbállesthai. Literalmente significa: lançar (bállein), junto (syn). O sentido é lançar as coisas de tal forma que elas permaneçam juntas. Num processo complexo significa re-unir as realidades, congregá-las a partir de diferentes pontos e fazer convergir diversas forças num único feixe. (BOFF, Leonardo. O Despertar da Águia, o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade – Editora Vozes – Petrópolis – RJ – 1998 – p. 11.)

[2] Diabólico – Provém de Dya-bállein. Literalmene significa: lançar coisas para longe, de forma desagregada e sem direção; jogar fora de qualquer jeito. Dia-bólico como se vê, é o oposto do sim-bólico. É tudo o que desconcerta, desune, separa e opõe. (BOFF, Leonardo. O Despertar da Águia, o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade – Editora Vozes – Petrópolis – RJ – 1998 – p. 12.)

É POSSÍVEL SONHAR

É POSSÍVEL SONHAR


“Deleita-te no Senhor e ele te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e ele tudo fará”. Salmo 37:4-5

Sonhar é uma característica do ser humano. Considera-se que uma pessoa é feliz de acordo com a quantidade de sonhos que ela consegue realizar ao longo da vida. Mas existem aqueles que não tiveram a chance de concretizá-los, e outros que a desperdiçaram. Como os nossos ideais se relacionam com a vontade de divina?

As pessoas crêem que servir a Deus é abandonar por completo os seus sonhos, jogar fora tudo aquilo que construíram com o objetivo de tornar a sua vida melhor, para assumir uma tarefa muito pesada, e passar o resto da vida lamentando-se. Mas a realidade é outra. Servir a Deus é a maior expressão de liberdade que o ser humano pode experimentar, pois é a oportunidade para abandonar as suas fraquezas e viver na dimensão ilimitada do poder divino.

Deus criou homem como objetivo de vê-lo feliz. O pecado tornou-se um obstáculo para o relacionamento entre o criador e a sua criatura. Daí o ser humano passou a procurar um substituto para a compensar a saudade do cuidado do Pai amoroso. Mas o caminho de volta à casa paterna já foi preparado.

A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Mas quantas vezes, ao ver os corruptos prosperando sobre o sofrimento dos justos, não ficamos indignados? Deus desruirá todo o esplendor e fartura dos opressores, que acreditam poder viver eternamente ignorando os princípios do amor, da ética e da jusiça. “Mas um pouco e não haverá mais injusto, você bucará o lugar deles, e não existirá. Mas os pobres vão possuir a terra e deleitar-se com paz abundante.” Salmo 37.10-11.

Deus ama realizar os sonhos dos seus filhos. A Bíblia diz: “Deleita-te no Senhor (...) e ele te concederá (...)”; “Entrega... descansa... espera... pois, ele tudo fará”. Deleitar-se no Senhor significa deliciar-se, ter grande prazer em conhecê-lo, buscá-lo com alegria e não por obrigação. Quando fizermos isso descobriremos o seu grande prazer em presentear os seus filhos amados. Deus nunca desampara aqueles que o buscam.

É possível sonhar, quando sabemos que o Pai amoroso toma conta da nossa vida oferecendo-nos alegria, paz e a possibilidade de vivermos vitoriosos e realizados, não apenas no céu, mas a partir de agora.

sábado, junho 23, 2007

TEMPO DE BUSCAR A DEUS

TEMPO DE BUSCAR A DEUS


“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”. Isaías 55:6



Qual é o tempo adequado para buscar a Deus? Muitas pessoas quando questionadas sobre esse assunto respondem: “Ainda é cedo, depois que eu ganhar bastante dinheiro ou que eu for mais velho pensarei nisso. Desejo realizar muitas coisas antes de buscar a Deus”. Existe uma idéia de que sempre teremos um tempinho extra quando se trata das questões espirituais, mas o certo é que chega um momento onde as oportunidades cessam.


Ao longo da vida Deus nos presenteia com inúmeras oportunidades para nos aproximarmos dele e desenvolver um relacionamento. Quando o profeta recomenda: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar”, ele está deixando claro que existe um limite. Mas que limite é esse? Como reconhecê-lo para não correr o risco de deixar passar o tempo e perder esta chance?


As escolhas afetam seriamente a qualidade do nosso relacionamento com Deus. Muitas pessoas levam suas vidas de qualquer maneira sem pensar nas opções que fazem. Elas comprometem-se pesadamente com situações erradas e quando decidem voltar atrás, descobrem que perderam o poder de decisão sobre o seu futuro. “Portanto, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra firmemente em nós” Hebreus 12:1.


A morte marca outro limite no relacionamento com Deus. Em Hebreus 9.27 está escrito: “(...) aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo (...)”. Como aproveitar a disponibilidade do tempo Divino? No momento em que a boa nova do evangelho toca o seu coração, você deve abandonar aquilo que te afasta de Deus e pedir-lhe perdão, pois ele é misericordioso e ama restarar a vida dos que o procuram.


Não espere o último segundo de sua vida para voltar-se para Deus. Quando se trata das questões espirituais é muito perigoso andar no limite. Não desperdice o seu tempo, ele é muito importante. Portanto, enquanto você pode achá-lo, busque ao Senhor.

terça-feira, maio 01, 2007

O REINO DE DEUS V - UM REINO DE JUSTIÇA

UM REINO DE JUSTIÇA

“Portanto, não fiquem preocupados dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir? Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Pelo contrário, em primeiro lugar busquem o reino de Deus e a sua justiça, e Deus dará a vocês, em acréscimo, todas essas coisas."
Mateus 6.31-33.



Introdução

Viver custa caro. As despesas com aluguel, água, energia elétrica e tantas outras, precisam ser cobertas, pois são indispensáveis para uma vida digna. Jesus inovou a abordagem deste tema ao declarar que não devemos nos preocupara com o que iremos comer ou beber, pois disto Deus pode cuidar. A prioridade do cidadão do Reino deve ser a busca pela justiça. Mas o que é a justiça? Porque precisamos lutar por ela? A quem devemos demonstra-la? Responder adequadamente a estes questionamentos ajudará a igreja a ser bem sucedida no cumprimento de sua missão.


1) O Que é justiça?


A justiça não é apenas um conceito bonito para ser lido nos livros, ela precisa tornar-se prática no cotidiano. Isto acontece pela garantia da igualdade, onde o mais forte não se vale do seu poder para oprimir o fraco; pela preservação do direito que força o indivíduo a cumprir os seus deveres em relação ao outro. “A justiça é aquele mínimo de amor sem o qual a relação entre as pessoas deixa de ser humana e se transforma em violência”.1 Isto nos remete ao cuidado com a vida do necessitado que lhe garante a provisão necessária para o sustento com dignidade.

Para ser real a justiça depende do amor, que permite-nos olhar para o próximo como um ser humano e não como uma coisa. O amor torna nossa, a necessidade do outro e atiça no coração o clamor por justiça quando vemos seus direitos ignorados pelo poder público e pela sociedade.


2 – Porquê é necessário lutar pela justiça?


Porque esta é a vontade de Deus. Ela exige um culto com fé, mas abomina a solenidade hipócrita. A grande crítica dos profetas às autoridades religiosas de seu tempo era que havia um grande zelo em cumprir os rituais, mas nada se fazia para conter a escalada da injustiça que privilegiava os poderosos e deixava de lado aqueles que verdadeiramente precisavam de auxílio. “Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista o mal, aprendam a fazer o bem: busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. Então venham e discutiremos – diz Javé. (...). Isaías 1.16-18.

A justiça é fundamental para o estabelecimento do Reino de Deus. Como pregar o evangelho sem importar-se com a miséria do faminto, do sem teto, ou sem confrontar-se com as estruturas corrompidas da sociedade? À igreja cabe assumir a sua voz profética, denunciar o pecado e utilizar todos os meios legais disponíveis para forçar os governantes e os legisladores a cumprir as suas obrigações. Agindo assim, ela exercerá a sua função de sal da terra, plantará a semente do evangelho no coração das pessoas e glorificará o nome de Deus.


3 – Onde está a injustiça?


Para qualquer lado que se olhe é possível contemplar injustiças: A violência policial que invade as comunidades e agride indiscriminadamente os seus moradores. A violência dos criminosos que matam à luz do dia com a certeza da impunidade. A exploração do trabalho que enriquece poucos à custa do desgaste de muitos, que adoecem porque no fim do mês, não têm condições de comprar o alimento para si e para suas famílias.

O panorama da educação brasileira agrava esta situação ao não oferecer oportunidades iguais para todos os segmentos da população. O resultado é a desqualificação da mão de obra, a redução dos salários e a exclusão daqueles que não conseguem adaptar-se às tecnologias atuais.


4 – Quem precisa de justiça?


O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Esta essência o torna sagrado e qualquer injustiça cometida conta ele desrespeita a santidade divina. Jesus condenou veementemente a atitude dos fariseus que agiam com muito rigor na aplicação da lei de Moisés, mas deixavam até mesmo suas famílias desamparadas. As longas e belas orações proferidas em público não tinham valor, pois não eram acompanhadas de misericórdia.

A compaixão é um tema tão importante, que Jesus vinculou o cuidado com os necessitados à demonstração de amor a Deus. “(...) Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizerem isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.”


5 – Buscar o Reino de Deus e a sua justiça: o caminho para as demais bênçãos.


Deus supre as nossas necessidades generosamente e nos convida a anunciar aos oprimidos que em Cristo há esperança de salvação para a alma e de uma sociedade mais justa. Para atender ao chamado divino devemos abandonar as preocupações egoístas e compreender que o mundo é maior que o nosso universo particular. O mal feito ao semelhante tem a ver conosco também, pois foi cometido contra uma criatura amada por Deus e que precisa ter a sua dignidade restaurada.

Justiça e Reino de deus São dois conceitos inseparáveis: “sem a pregação da justiça não há evangelho que seja de Jesus Cristo. Isso não é politizar a igreja: é ser fiel”.2 Se queremos paz, alegria descanso e prosperidade, precisamos lutar pala justiça tanto individualmente, na condição de cidadãos do Reino, quanto institucionalmente, via Igreja de Cristo. As demais coisas serão o resultado desta fidelidade básica ao desejo divino expresso na palavra


Conclusão

A igreja precisa cuidar-se, no exercício de seu ministério, para evitar as armadilhas no meio de caminho. A primeira é fechar-se em si mesma crendo que somente a sua declaração doutrinária tem a verdade absoluta e que aquele que pensa diferente deve ser eliminado de seu meio. A segunda é reduzir a sua missão apenas a um projeto político e perder de vista o mistério da fé, que é a base para o relacionamento com Deus.

Ao buscar um mundo mais justo, a igreja luta pelo estabelecimento do Reino de Deus em nosso tempo e reforça a esperança da redenção, que será o momento em que a Justiça se manifestará naturalmente como conseqüência de um mundo transformado pelo amor divino.


Notas

1. BOFF, Leonardo. Igreja Carisma e Poder – p. 66
2. BOFF, Leonardo. Igreja Carisma e Poder – p. 65



Referências Bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991.

BOFF, Leonardo, Igreja: carisma e poder, Ed. Record – Rio de Janeiro – RJ – 2005

quinta-feira, abril 26, 2007

TEMPO: O PRESENTE DA VIDA

TEMPO: O PRESENTE DA VIDA


Debaixo do Céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: tempo para nascer e tempo para morrer. Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta. Tempo para matar e tempo para curar. Tempo para destruir e tempo para construir. Tempo para chorar e tempo para rir. Tempo para gemer e tempo para bailar. Tempo para atirar pedras e tempo para recolher pedras. Tempo para abraçar e tempo para se separar. Tempo para procurar e tempo para perder. Tempo para guardar e tempo para jogar fora. Tempo para rasgar e tempo para costurar. Tempo para calar e tempo para falar. Tempo para amar e tempo para odiar. Tempo para a guerra e tempo para a paz. Eclesisates 3.1-8


O TEMPO PRESENTE: LUGAR DE RELACIONAMENTO COM DEUS


Debaixo do Céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: Este é um dos pontos mais importantes do livro do Eclesiastes, pois nele, o Coélet realça a importância do tempo presente, mostrando-o como um lugar teológico por excelência, onde o homem pode encontrar-se com Deus. O passado já se foi, o futuro é uma probabilidade. O mais importante é o presente concreto onde de fato Deus se encontra e onde o homem poderá com ele se relacionar.
Ao introduzir a variável do tempo, o Coélet fala do ritmo da vida humana que deve adaptar-se à característica de cada tempo, mantendo o equilíbrio no movimento (como quem anda de bicicleta) e não de ficar sonhando com uma estabilidade imutável que simplesmente não existe.

Do versículo 2 ao 8, o autor apresenta uma série de 14 antíteses que pretendem representar todas as possibilidades que podem ocorrer durante a vida, transmitindo a idéia de que a existência humana se faz dentro de polaridades opostas que cobrem toda sua duração, desde o nascimento, (v. 2a) até a paz (v.8b).

Nesta alternância de situações boas e ruins, posso descobrir o relacionamento com Deus como algo possível já, independentemente do estado emocional em que eu me encontre. Isto me permite encarar os fatos da vida sob uma nova perspectiva: Minha vida é um projeto em construção. Em Deus eu sou maior do que meus erros e acertos, e sempre terei uma nova oportunidade para retornar à casa do Pai porque “O amor do Senhor não acaba jamais e a sua compaixão não tem fim. Pelo contrário, renovam-se a cada manhã.” Lm 3.22-23.

O PRESENTE E SUAS POSSIBILIDADES

Um encontro:
Que de alguma forma transformará minha vida.
Oferecerá orientação no tempo da dúvida.
Proporcionará a solução de um problema.

Uma amizade:
Para encorajar nos momentos difíceis.
Para celebrar na alegria.
Que me aceita do jeito que eu sou.

Um emprego
Trará a provisão para as necessidades.
Permitirá a construção de uma carreira.
Produzirá a realização pessoal.

Estas e incontáveis possibilidades estão ao seu alcance, neste exato momento. Para aproveitá-las basta estar aberto a relacionar-se com as pessoas, disposto a viver o momento, e sensível à voz de Deus que se manifesta das mais variadas formas ao seu redor.

O PRESENTE E A ETERNIDADE

Se pudéssemos escolher, todos iríamos preferir os momentos agradáveis aos ruins. Mas isto não é possível. A vida não permite a acomodação e a sabedoria consiste em assimilar a tensão que leva ao equilíbrio entre os opostos. A sabedoria do povo alcança este entendimento quando diz: “Não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe”, e a fórmula contrária é igualmente válida: “Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe.” G.K. Gibran diz isto de forma mais profunda quando se refere à alegria e à tristeza: elas “vêm sempre juntas; e quando uma está sentada à sua mesa, lembre-se de que a outra dorme em sua cama.” Por isso, a maior sabedoria está na tensão que nos leva ao equilíbrio da serenidade, sem que nos deixemos arrastar pelos extremos da alegria e da tristeza.

“O que existe, já havia existido; e o que existirá, também já existiu. Deus busca aquilo que foge.” v.15 Este versículo traz o ápice de toda a consideração sobre a temporalidade e eternidade em que está mergulhada a vida humana. Às vezes queremos nos refugiar no passado, mas não adianta: “o que existe já havia existido”. Outras vezes imaginamos que é no futuro que seremos felizes. Também não adianta. Sentimo-nos então constrangidos à única dimensão que nos resta: o presente. Isso, de início, nos parece pouco e limitado demais. Contudo, se olharmos bem a dimensão do presente, veremos que é nele que se realiza ou pode se realizar aquilo que mais buscamos, seja qual for o momento e o tempo (3.1-8) que nele estiver acontecendo. Porque no presente se manifesta o principal da vida humana: o encontro com a eternidade, a comunhão com Deus, porque “Deus busca aquilo que passa”. Nessas poucas palavras está o que de mais profundo se diz no livro do Eclesiastes.“Aquilo que passa” (literalmente, “aquilo que é perseguido” ou “aquilo que foge”) é o próprio presente, a dimensão fugitiva da vida, a dimensão extremamente efêmera. Todavia, é neste efêmero e fugitivo momento que Deus está presente, e em movimento: a eternidade toda está junto de nós, incidindo nesse ponto zero em que tempo e espaço se cruzam. Deus esteve no passado e também estará no futuro, mas, concretamente, aqui e agora ele se encontra neste momento, passando por este presente fugitivo. Se deixarmos de lado este presente, arriscaremos a nos perder na saudade ou na mera expectativa, deixando escapar pelo vão dos dedos o lugar e o tempo teológico por excelência, o presente no qual Deus se encontra.

CONCLUSÃO

“Viver o presente” pode soar para nós como algo extremamente óbvio. Contudo, não é exatamente no óbvio que está o maior mistério? A sabedoria consiste justamente em atentar para a extrema simplicidade do óbvio, procurando entendê-lo e compreendê-lo. Em geral, porém, imaginamos que a verdade é extremamente complexa e buscamos o complexo, perdendo-nos no meio de grandes complicações.


NOTA:

Este texto é uma síntese das páginas 54 a 60 do livro citado na referência bibliográfica, com alguns comentários pessoais do organizador.

RERERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

STORNIOLO, Ivo. Trabalho e Felicidade – O Livro do Eclesiastes – Paulus – SP – 2002.

terça-feira, abril 24, 2007

FÉ E OBRAS

FÉ E OBRAS
Numa conversa via e-mail sobre o tema acima, eu recebi esta mensagem do Prof. Ruben Marcelino. Gostei muito desta declaração e resolvi publicá-la aqui.
"Em minha opinião, fé e obras vivem em tensão dialética no que se refere à vivência da salvação. Não são as obras que salvam, tampouco a fé. Somos salvos pela graça de Deus, a qual recebemos pela fé e confirmamos pelas obras. Fé e obras são duas dimensões que se afiam enquanto vivemos a salvação que recebemos, de modo que, se uma quiser existir sem a outra, anula o sentido da gratuidade da salvação na vivência dela. Por que cremos? Justamente porque somos receptores e não doadores da graça divina. Por que agimos? Justamente porque somos distribuidores e não armazenadores da graça divina."

quinta-feira, abril 19, 2007

QUANDO A MORTE ENCONTRA A VIDA

QUANDO A MORTE ENCONTRA A VIDA

"Pouco tempo depois Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Os seus discípulos e uma grande multidão foram com ele. Quando ele estava chegando perto do portão da cidade, ia saindo um enterro. O defunto era filho único de uma viúva, e muita gente ia com ela. Quando o Senhor a viu, ficou com muita pena dela e disse: – Não chore".
Lucas 7.11-13

Certo dia, dois grupos que viviam situações completamente diferentes encontraram-se. Um vivia a dor da morte e o segundo, a alegria da presença de Jesus. No primeiro grupo, está uma mãe que perdeu o seu único filho. Sua dor é tremenda, a saudade e a certeza de que nunca mais o veria dilaceravam o seu coração.

Outros problemas também afligiriam aquela mulher: sendo viúva e, segundo os costumes da época, ela dependeria de seus filhos para sobreviver. Como o rapaz não tinha irmãos, suas perspectivas de uma vida digna eram pequenas. Mas esse quadro de tristeza iria mudar no momento em que o cortejo fúnebre se encontrasse com Jesus.

Ao ver o sofrimento daquela mulher, Jesus se encheu de compaixão. Deus não precisa de matéria-prima para criar, basta uma palavra e a vida se renova. A sua palavra tem poder para criar soluções e devolver a esperança de dignidade ao que está desesperado. Ele ordenou ao defunto para levantar-se no mesmo momento houve a ressurreição.

Eram dois grupos, duas situações opostas, mas a palavra de Jesus foi suficiente para juntá-los numa única multidão alegre, que saiu pelas ruas louvando a Deus. Esse poder não ficou restrito ao passado, ele está disponível ainda hoje aos que desejam encontrar-se com Jesus. Não vale a pena viver longe desse amor. Junte-se a ele e saia com de alegria, espalhando as boas-novas do evangelho por todos os lugares.

sexta-feira, abril 13, 2007

ENXERGANDO PESSOAS COMO ÁRVORES

ENXERGANDO PESSOAS COMO ÁRVORES

"Ele pegou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Então cuspiu, passou a saliva nos olhos do homem, pôs a mão sobre ele e perguntou: – Você está vendo alguma coisa? O homem olhou e disse: – Vejo pessoas; elas parecem árvores, mas estão andando".
Marcos 8: 23-24

O ministério de Jesus era caracterizado por milagres. Diante de sua presença endemoninhados foram libertos, mortos ressuscitaram, mudos começaram a falar e cegos passaram a enxergar.

O relato desse milagre apresenta uma característica que o destaca de todos os outros: ele aconteceu em duas etapas. Num primeiro momento, o homem começara a enxergar pessoas como árvores andando. Ele já não poderia dizer que era cego, pois via vultos apesar de não conseguir definir detalhes de feições ou formas. Para quem já tinha sido completamente cego, qualquer progresso representaria uma tremenda vitória. Recuperar ao menos um pouco da visão já faria uma diferença incrível na qualidade de vida daquele homem.

Para Jesus, o autor da cura, a história não havia terminado. Logo após a primeira imposição de mãos, ele perguntou ao homem: "Você está vendo alguma coisa?" e o homem descreveu a situação de sua visão. Será que houve falha no controle de qualidade desse milagre? Será que Jesus usou uma dose mais fraca do seu poder que não foi suficiente para curar o cego de uma vez? Diferentemente de outros milagres que ocorreram logo de primeira, nessa situação Jesus quis chamar a atenção para um fato bastante comum: algumas pessoas, ao ter um contato inicial com ele, recebem os primeiros benefícios, acostumam-se com o pequeno progresso e desistem de buscar a bênção completa. Acham que está tudo bem e não se preocupam em desenvolver um relacionamento com Deus, nem em conhecer melhor a Bíblia.

Jesus não se contenta com nada menos do que a perfeição. Aquele cego buscava a cura também e não queria a obra pela metade. Ele já ouvira relatos de outros milagres de Jesus onde as pessoas foram curadas completamente e não queria sair de lá enxergando vultos. O homem permaneceu firme enquanto Jesus punha outra vez as mãos nos seus olhos: "Dessa vez o cego olhou firme e ficou curado; aí começou a ver tudo muito bem" (v. 25). Quando Jesus age em sua vida, você não sai abençoado pela metade, mas fica completamente restabelecido e é capaz de enxergar muito bem cada detalhe da atuação de Deus em sua vida.

Qual é a sua situação neste momento? Você está como cego vivendo na escuridão, dependendo de todos para tudo sem encontrar esperança? Ou está como aquele homem na primeira etapa do processo de cura, que obteve uma resposta parcial para o mal que o afligia sem, contudo, ter o problema resolvido? Ou você assume uma atitude de fé persistente como esse mesmo homem que acreditou que apenas em Jesus ele encontraria a cura que ele tanto desejava? A terceira atitude é a decisão correta que traz cura, paz, alegria e nos faz compreender claramente todo o poder de Deus que se encontra à nossa disposição. Não permaneça na escuridão ou apenas enxergando pessoas como árvores. Jesus quer dar-lhe uma nova vida agora!

sexta-feira, março 30, 2007

O REINO DE DEUS IV - UM REINO DE AÇÃO

UM REINO DE AÇÃO

“Quando Jesus terminou de dar essas instruções aos seus doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles. João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras do Messias, enviou a ele alguns discípulos, para lhe perguntarem: És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro? Jesus respondeu: Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa notícia. E feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim.”
Mateus 11.1-6.


João Batista foi o profeta do Reino de Deus, anunciou a sua chegada e teve o privilégio de ver a profecia se cumprindo. Agora ele está preso em virtude do seu compromisso com o evangelho. O ministério de João baseava-se na crença de que Jesus Cristo estabeleceria a glória de Deus para o povo de Israel, mas o cárcere o impedia de contemplar o seu sonho tornando-se realidade.

Esta limitação trouxe-lhe uma dúvida: “Será que eu anunciei a mensagem correta? É Cristo aquele que deveria vir ou precisamos continuar esperando?”. O profeta não teve medo, mandou chamar Jesus para receber os esclarecimentos necessários.

As dúvidas fazem parte da natureza humana incompleta. Os questionamentos nem sempre são sinal de rebeldia, pois quem pergunta deseja obter uma resposta. Ao perguntar a pessoa sente-se a vontade para expressar o seu sentimento sem o medo de ser rejeitado.

“Será que Jesus é verdadeiramente o messias esperado? A resposta não é dada em palavras, porque o messianismo não é simples idéia ou teoria. É uma atividade concreta que realiza o que se espera da era messiânica: a libertação dos pobres e oprimidos.”1

O evangelho não pretende trazer apenas conforto para a alma, quer ir além. Ao mudar as condições de vida daqueles que não têm esperança. Cegos, paralíticos, leprosos e surdos não teriam qualquer possibilidade de obter uma vida digna nos tempos de Jesus. A cura das doenças os reinseria na comunidade. A nova vida espiritual correspondia tanto a uma esperança na eternidade quanto a novas perspectivas profissionais e familiares. Era uma ressurreição social que precisava ser testemunhada.

O Reino de Deus resgata pessoas das trevas trazendo-as para a luz da comunhão com Deus e do relacionamento com o seu próximo2. Não é possível pregar o evangelho do reino esquecendo-se da justiça social e do cuidado com os excluídos. Jesus deixou o exemplo que devemos seguir.

NOTAS

1 BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral P.1252

2 I Pedro 2.9 – “Vocês, porém, são raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as obras maravilhosas daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


THOMPSOM, Frank Charles – Bíblia de Referência Thompson – Edição Contemporânea – Tradução de João Ferreira de Almeida – Ed. Vida – São Paulo 1999.

BOFF, Leonardo – Tempo de Transcendências – Ed. Sextante – Rio de Janeiro

NOUWEN, Henri J.M. A volta do filho pródigo: a história de um retorno para casa - Tradução Sonis S.R. Orberg - São Paulo - Ed. Paulinas - 1997 - Coleção sopro do espírito.

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991.

Bíblia en Lenguaje Actual – Sociedades Bíblicas Unidas - Brasil

O REINO DE DEUS III - UM REINO DO ALTO

UM REINO DO ALTO

“Jesus respondeu: Eu garanto a você: se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus. Nicodemos disse: Como é que um homem pode nascer de novo, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre da sua mãe e nascer? Jesus respondeu: Eu garanto a você: ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nasce da água e do espírito. Quem nasce da carne é carne, quem nasce do espírito é espírito. Não se espante se eu digo que é preciso vocês nascerem do alto. O vento sopra onde quer, você ouve o barulho, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai. Acontece a mesma coisa com quem nasceu do Espírito.”

João 3.3-8

O ministério de Jesus despertava tanto o amor quanto o ódio. Aqueles que haviam sido curados declaravam abertamente que ele era o filho de Deus prometido pelas profecias, enquanto que as autoridades religiosas sentiam-se ameaçadas pelas idéias divulgadas em seus discursos.

Nicodemos, um judeu importante, estava interessado nos assuntos espirituais, mas esbarrava na tentativa de racionalizar os artigos de fé enquadrando o divino em suas convicções pessoais. Sua conversa com Jesus revelou-lhe que para relacionar-se com Deus é necessário abrir a mente e o coração para ir além e aceitar que as nossas definições não podem alcançar a eternidade do todo-poderoso. Elas apenas fotografam uma parte desta manifestação. Quando insistimos em aprisionar Deus em conceitos, matamos a fé e nos afastamos dele.

O compromisso com o evangelho exige uma transformação profunda, por isso o evangelista João indica que Jesus inicia o diálogo com uma afirmação controvertida: “se alguém não nasce do alto, não poderá ver o Reino de Deus”.

Nascer do alto é uma experiência pessoal e intransferível de abertura ao infinito. É o momento em que o ser humano se supera rompendo os seus limites e aproxima-se de Deus. A partir daí os seus valores se alteram e ele deixa de pensar somente em si mesmo passando a ver o outro como um irmão que foi amado e recebido pelo Pai.

Ao afirmar que quem nasce da carne é carne, Jesus evidencia que a vida é o resultado das escolhas que fazemos ao longo do caminho. Uma delas é abrir-se a um relacionamento com Deus, ou fechar-se em sim mesmo. Viver na dimensão da carne é olhar para os acontecimentos de forma limitada, negando-lhes a dinâmica da fé que aceita a intervenção de Deus e traz novos significados até para as situações mais difíceis.

Quem nasceu do espírito se reconhece dependente de Deus. Esta compreensão une o melhor das forças humanas ao poder divino. A bênção resultante desta parceria alcança a pessoa espalhando-se pela comunidade onde ela vive. Viver no Reino é descobrir a cada dia o seu valor pessoal e também saber que quem está desconectado do Pai não sobreviverá por muito tempo. 1

Para ouvir a voz de Deus é necessário acalmar o coração, calar as vozes interiores e silenciosamente contemplar o seu poder escutando as suas palavras. Jesus recomendou a Nicodemos que não se espantasse com as coisas que estava ouvindo, para que o medo não se transformasse num empecilho à livre comunhão com ele.

Uma das mais poderosas imagens para o Espírito Divino é a do vento. Ele é forte, refresca o calor do sol, produz movimento, energia e transporta a vida ao espalhara as sementes que germinarão no solo. Assim é o Reino de Deus, ele não se limita aos obstáculos humanos, mas os supera. Sua manifestação se revela soberanamente e não passa despercebida. Este é o grande mistério: que em sua liberdade e independência Deus tenha decidido acolher e abençoar os que abrem o coração para conhecê-lo.


NOTA

1 João 15.4-6 – “Fiquem unidos a mim, e eu ficarei unido a vocês. O Ramo que não fica unido à videira não pode dar fruto. Vocês também não poderão dar fruto se não ficarem unidos a mim. Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada. Quem não fica unido a mim será jogado fora como um ramo, e secará. Esses ramos são ajuntados, jogados no fogo e queimados.”


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


THOMPSOM, Frank Charles – Bíblia de Referência Thompson – Edição Contemporânea – Tradução de João Ferreira de Almeida – Ed. Vida – São Paulo 1999.

BOFF, Leonardo – Tempo de Transcendências – Ed. Sextante – Rio de Janeiro

NOUWEN, Henri J.M. A volta do filho pródigo: a história de um retorno para casa - Tradução Sonis S.R. Orberg - São Paulo - Ed. Paulinas - 1997 - Coleção sopro do espírito.

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991.

Bíblia en Lenguaje Actual – Sociedades Bíblicas Unidas - Brasil

quarta-feira, março 28, 2007

O DESAFIO DE AGIR PELA FÉ

O Desafio de Agir Pela Fé

“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei: Farei de ti uma grande nação, e te abençoarei e te engrandecerei o nome, e tu serás uma bênção.” Gênesis 12:1-2


Abraão vivia tranqüilamente em Ur dos Caldeus junto com a sua família. Ele tinha uma vida confortável, possuía muitas riquezas e provavelmente o seu objetivo seria administrar e multiplicar os seus bens até o dia da sua morte. Sua única tristeza era o fato de sua esposa ser estéril. Isto significava que ele não teria uma descendência do seu sangue e que toda a sua herança ficaria para um parente próximo ou um empregado de confiança.

O que Abraão não podia imaginar é que um encontro com Deus mudaria radicalmente o seu estilo de vida. Nesse encontro Deus ordenou-lhe que saísse da sua terra e da casa de seu pai e fosse para “...um lugar que havia de receber por herança...” Ele “...obedeceu e saiu, sem saber para onde ia.” Hebreus 11:8

Quando Deus fala ao homem ele o desinstala, retirando-o de seu lugar de conforto e o lança numa caminhada cheia de novas perspectivas muito maiores que as anteriores. Deus lançou três desafios a Abraão; o primeiro foi: Ver o invisível: Deus queria que Abraão saísse de sua terra para que ele se desligasse da idolatria que reinava em seu país mas não disse o destino final de sua jornada. As únicas certezas de Abraão eram que Deus iria mostrar a cada dia o caminho a seguir e que a nova terra seria o berço de uma grande nação. “Pela fé (Abraão) peregrinou na terra da promessa como terra alheia, habitando em tendas como Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Pois esperava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor”. Hebreus 11:9-10. A nova nação não era visível fisicamente, mas com os olhos da fé ele pode vê-la e por isso partiu na direção que o Pai mostrou.

O segundo desafio de Deus a Abraão foi: Crer no incrível: Abraão já era idoso, tinha setenta e cinco anos e Deus prometeu que ele seria pai de uma grande nação. Crer nessa promessa seria admitir uma impossibilidade, pois sua esposa além de estéril, também era idosa. “Mas Abraão não perdeu a fé nem duvidou da promessa de Deus. A sua fé o encheu de poder, e ele louvou a Deus porque tinha toda a certeza de que Deus podia fazer o que havia prometido. Por isso Abraão, por meio da fé, foi aceito por Deus.” Romanos 4:20-22.

O terceiro desafio de Deus a Abraão foi: Realizar o impossível: Deus tinha um grandioso plano para abençoar a humanidade: Ele iria formar um povo através do qual o Messias viria ao mundo para trazer o perdão do pecado ao homem e Abraão seria o pai deste povo. “...Em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gênesis 12:3. Através da obediência de Abraão todos nós fomos abençoados, porque antes era impossível que o homem se aproximasse de Deus, agora temos liberdade de acesso ao Pai através de Jesus Cristo, filho de Deus e descendente de Abraão.

O Deus que retirou Abraão de seu recolhimento e o fez contemplar toda a extensão de suas promessas quer fazer o mesmo com você, pois ele também tem um maravilhoso plano para a sua vida. Ao retirar-lhe de sua aparente estabilidade e lança-lo numa emocionante caminhada de fé, ele colocará à sua disposição todo o seu poder e amor. Deus nunca decepciona aquele que nele confia.

O desafio de agir pela fé é entregar todas as suas certezas visíveis ao Senhor, confiar em suas promessas e buscar em primeiro lugar o seu reino e sua justiça. Somente assim você poderá experimentar todo o poder de Deus que engrandecerá o seu nome e fará de você uma bênção.

QUANDO A FÉ VACILA

Quando a Fé Vacila

“Abraão respondeu: Ó Senhor, meu Deus! De que me vale a tua recompensa se eu continuo sem filhos. Eliézer, de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho, tu não me deste filhos e por isso um dos meus empregados, nascido em minha casa, será o meu herdeiro”. Gênesis 15:2-3 .


Se cremos num Deus todo poderoso porque nos entristecemos tanto com os insucessos e com as perdas que fazem parte desta vida? Porque perdemos a esperança e ficamos desanimados só porque as coisas não estão do jeito que nós queríamos que estivessem? Se cremos que as promessas de Deus têm nele o sim e o amém para a sua glória (II Coríntios 1.20) porque as nossas atitudes diante da vida algumas vezes não refletem esta verdade? Onde está a nossa fé?

Abraão estava passando por um momento de crise e estes questionamentos deviam estar povoando a sua mente. Depois de alguns anos sendo fiel e obedecendo as ordens do Senhor sem ver os resultados prometidos, ele se entristeceu e o seu coração começou a desanimar. Quando Deus aparece prometendo-lhe uma recompensa ele decidiu desabafar. Começa lamentando-se do fato de estar sendo obediente, aparentemente em vão, e mostra a sua desesperança dizendo que seu herdeiro, seria o seu empregado Eliézer, porque Deus não cumprira a sua parte no trato feito com ele.

Deus ouve pacientemente a queixa de Abraão e a sua resposta tem uma característica interessante: Ele não respondeu às reclamações, mas se preocupou em reafirmar a promessa feita a alguns anos atrás: “Então o Senhor falou de novo e disse: – O seu próprio filho será o seu herdeiro, e não o seu empregado: Eliézer”. Gênesis 15:4 ntlh. Parecia que Deus estava se atrasando, mas em sua agenda tudo estava acontecendo no tempo certo. Abraão não sabia, mas sua vida precisava ajustar-se à vontade de Deus e este período de aparente falta de resultados estava sendo utilizado pelo Senhor para construir a estrutura de sua personalidade de uma forma tal que o permitisse usufruir plenamente a bênção que iria receber.

Deus prossegue em sua resposta: “Aí o Senhor levou Abrão para fora e disse: Olhe para o céu e conte as estrelas se puder. Pois bem! Será esse o número dos seus descendentes”. Gênesis 15:5 ntlh. Ao levá-lo para fora Deus o retirou de uma perspectiva limitada pelas quatro paredes de sua tenda e o apresentou à perspectiva ilimitada de seu poder que faria aquele homem velho e sem filhos ter tantos descendentes que seria impossível contá-los.

É isto que Deus faz quando nós nos fechamos dentro de nossas frustrações, desanimados porque as coisas parecem estar dando errado. Ele não fica alimentando a auto-piedade, mas eleva os nossos olhos para que possamos contemplar o seu poder e as bênçãos que ele tem para nos dar.
“Abraão creu em Deus, o Senhor, e por isso o Senhor o aceitou.” Gênesis 15:6 ntlh. Apesar de ter atravessado momentos de crise e questionamento, Abraão foi aceito pelo Senhor porque o seu coração estava disposto a crer. Deus não nos condena quando a nossa fé vacila porque ele conhece as nossas limitações e as compreende.

Os momentos de questionamento podem ser uma importante ferramenta para nos aproximar de Deus. Se apresentarmos as nossas perguntas a ele receberemos todas as respostas e vamos sair fortalecidos da crise. Para obter a ajuda divina precisamos apenas ser humildes em admitir que precisamos dela: “Imediatamente o pai do menino exclamou: Eu creio: ajuda-me a vencer a minha falta de fé.” Marcos 9:24.

Não deixe que os momentos difíceis destruam a sua alma. Faça como Abraão que não teve vergonha de derramar as suas tristezas e dúvidas na presença de Deus. Ele foi aceito pelo Senhor. Deus também quer te receber e abençoar.

quarta-feira, março 07, 2007

O REINO DE DEUS - II - UM REINO DE GRAÇA

UM REINO DE GRAÇA


"Jesus Respondeu: Quando vocês rezarem, digam: Pai, Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de amanhã, e perdoa-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todos aqueles que nos devem; e não nos deixes cair em tentação"
Lucas 11.2-4


Todo o relacionamento precisa de diálogo para acontecer, pois sem comunicação entre as partes torna-se impossível o desenvolvimento da intimidade. O convívio entre o homem e os seus deuses sempre foi marcado pelo medo. Sacrifícios diversos eram oferecidos para aplacar a ira divina e sempre havia a desconfiança de que uma tragédia provocada por fenômenos da natureza era a vingança por alguma oferenda esquecida.


O evangelho anunciado por Jesus trouxe uma novidade estonteante: agora é possível chamar Deus de Pai. Os discípulos, acostumados com os rituais de sua religião pedem a Jesus que lhes ensine a orar. O Pai Nosso é chamado de oração modelo não porque deva ser decorado e repetido, mas porque apresenta os princípios que nortearão a vida de quem deseja fazer parte do reino de Deus. Neste artigo vamos analisar alguns destes princípios para obter uma melhor compreensão da mensagem que Jesus desejou comunicar.


Pai, Santificado seja o teu nome

A figura paterna representa o cuidado daquele que protege a família contra os inimigos, a orientação que indica o melhor caminho a seguir e a correção para evitar que as atitudes ruins se repitam causando uma tristeza maior. Quem chama pelo pai sabe que é filho e sente-se à vontade para abrir o coração e falar das alegrias, das tristezas ou simplesmente calar, e desfrutar de sua presença amorosa.

Na cultura hebraica os pais escolhiam para os seus filhos nomes que representassem o seu caráter. Quando alguém dizia o seu nome falava de si e da missão que deveria desempenhar. Jesus é o Deus conosco. O Deus que renunciou à sua glória para tornar-se conhecido por toda a humanidade. O seu nome também significa: "Javé (o Senhor) é ou dá a salvação "1


Venha o teu Reino

Deus respeita o desejo de seus filhos. Embora pudesse impor a sua vontade, ele prefere ser convidado a agir. Aí está a força da súplica "Venha o teu reino". Ela vem do coração e é fruto do desejo daquele que pede que chegue logo o momento em que Deus regerá o mundo de acordo com o seu propósito original.


Dá-nos a cada dia o pão

A palavra pão carrega um significado fortíssimo. Ele é o alimento que garante a vida, produz força para o trabalho e proporciona prazer quando é distribuído nas festas que celebram conquistas ou simplesmente comemoram a oportunidade de reunir os amigos. A ausência de pão traz fome, tristeza e morte. O ato de pedir a Deus o pão de cada dia representa a confiança absoluta de que ele cumprirá aquilo que prometeu e suprirá com fartura tanto as necessidades físicas quanto as espirituais.


Perdoa os nossos pecados, pois também perdoamos (...)

Perdoar significa doar completamente, de uma forma que não restará nada mais a acrescentar. Esta atitude se chama graça e é produzida por um coração que ama apaixonadamente as suas criaturas, o coração do Pai.

Se pudéssemos falar num passaporte para o Reino de Deus ele seria o perdão. O ser humano é imperfeito e nunca seria capaz de purificar-se a ponto de apresentar-se diante de Deus livre de pecado.

É a graça Divina que perdoa incondicionalmente sem cobrar pagamento nem exigir recibo. Sua única condição é ser transmitida por aquele que foi perdoado, ao seu semelhante também necessitado de acolhimento. Quando não compartilhada, a graça desfigura-se e se transforma em egoísmo. Perdoar o outro é a única resposta possível ao perdão que recebemos do Pai.


Não nos deixes cair em tentação

Precisamos de proteção nesta sociedade tão violenta e corrompida. As tentações apresentam-se como ofertas irrecusáveis que proporcionam prazeres intensos, mas são armadilhas das quais devemos nos afastar. Deus oferece proteção, apoio, força e a garantia de que nenhuma tentação será maior do que a nossa capacidade para suportá-la (I Coríntios 10.13). Enquanto aguardamos a manifestação do Reino de Deus, precisamos optar pela fidelidade e rejeitar o mal.

O Reino é de graça, pois é um presente e por ser presente não pode ser comprado, somente recebido pela fé de que Deus existe e abençoará aqueles que o buscarem (Hebreus 11.6).


NOTA


1) BOFF, Leonardo – O Senhor é o meu Pastor - p.90.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NOUWEN, Henri J.M. A volta do filho pródigo: a história de um retorno para casa - Tradução Sonis S.R. Orberg - São Paulo - Ed. Paulinas - 1997 - Coleção sopro do espírito.

BOFF, Leonardo - O Senhor é o Meu Pastor - Consolo divino para o desamparo humano - Rio de Janeiro - Sextante - 2004.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O REINO DE DEUS - I - Continuação

O Reino de Deus - I - Continuação


Um Reino de Libertação


"À tarde, depois do pôr-do-sol, levavam a Jesus todos os doentes e os que estavam possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu na frente da casa, Jesus curou muitas pessoas de vários tipos de doença e expulsou muitos demônios. Os demônios sabiam quem era Jesus, e por isso Jesus não deixava que eles falassem."

Marcos 1.32-34


O Evangelho proclama uma mensagem que alcança integralmente ao ser humano. Ele preocupa-se com a dimensão espiritual, mas entende que este espírito habita num corpo que precisa ser cuidado. Jesus dedicou uma parte especial de seu ministério aos pobres, doentes e endemoninhados, os rejeitados, pois não havia quem se interessasse por eles.

Marcos destaca que além de curar o corpo, Jesus também expulsava os demônios com o propósito de deixar claro que não são apenas as enfermidades físicas que abalam a vida de alguém, as espirituais também causam um grande prejuízo. Ao libertar as pessoas de suas possessões, Jesus lhes abria uma nova perspectiva de integração na sociedade. Agora elas poderiam relacionar-se com suas famílias, conquistar amigos, desenvolver uma atividade profissional, enfim, serem pessoas completas.

A saúde é fundamental para a boa qualidade de vida. A doença consome as forças, limita os movimentos e, não raro derrota o corpo levando-o à morte. Quem é saudável tem disposição e pode lutar para transformar os seus sonhos em realidade.

Jesus veio ao mundo para "...anunciar a boa notícia aos pobres (...) para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor". Lucas 4.18-21. Ele deixou com a igreja a responsabilidade de dar seqüência a este ministério. Para cumprir esta missão é necessário sair das quatro paredes do templo e envolver-se na comunidade para descobrir no pobre um semelhante, que precisa de Deus e é amado por ele tanto quanto eu ou você.



Um Reino de Inclusão


"De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram atrás de Jesus e, quando o encontraram, disseram: Todos estão te procurando. Jesus respondeu: Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza. Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim. E Jesus andava por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios".
Marcos 1.35-39
O homem é um ser de relacionamentos. Sua identidade pessoal se constrói a partir da família e dos amigos que o aceitam, valorizam o seu potencial e o ajudam a superar as limitações. Uma pessoa isolada perde as referências e pouco a pouco não conseguirá mais enxergar-se como gente, digna de amor e acolhimento.

Jesus teve um ministério curto. Ele ia de cidade em cidade curando e libertando os oprimidos com o objetivo de anunciar a boa notícia do Reino de Deus. Apesar de ver a sua popularidade crescendo, ele não se deixava seduzir por isto. Ao ser alertado pelos seus discípulos de que todos lhe procuravam, lembrou-se daqueles que ainda precisavam conhecê-lo.

A característica marcante do Reino de Deus é a inclusão. Independentemente de cor sexo, ou posição social, Deus recebe os seus filhos com alegria e sem discriminação. Incluir significa amar e considerar a felicidade do outro como essencial para a minha existência.

A sociedade atual vive sob o signo da exclusão. ela informa a todo o momento que "...a exclusão é o destino inevitável. A questão não é 'se' nas 'quem' e 'quando'. (...) todos são avisados que não têm capacidade de permanecer porque existe uma cota de exclusão que precisa ser preenchida" .(1) Este exclusivismo cria o fenômeno chamado de "pessoas descartáveis", que por não se adequarem aos padrões impostos, estão fora do mercado de trabalho, das escolas e transformam-se em "refugo humano". Um contingente enorme de pessoas sem perspectivas das quais a sociedade preferiria se esquecer.

Jesus veio para mostrar que não existem pessoas descartáveis no reino de Deus. Desde o mais humilde trabalhador braçal até o mais erudito professor universitário, todos são parte do mesmo corpo e têm colaborações importantes para oferecer. 1 Coríntios 12.12-31. Sua consciência da missão não o deixava ficar parado em apenas um lugar desfrutando das atenções dos admiradores, mas o levava "aos outros lugares, às aldeias da redondeza", que ainda não haviam ouvido a sua mensagem, "pois foi para isso que eu vim". Declarou Jesus.

À igreja cabe abrir as suas portas, levantar a sua voz profética contra as injustiças que acontecem em sua comunidade e tornar-se um local de acolhimento para todos os que desejam conhecer a Deus, especialmente para os rejeitados como "refugo humano". Assim eles descobrirão o seu valor enquanto pessoa e desenvolverão a capacidade de sonhar e ter esperança. É para isto que estamos aqui.


NOTAS

(1) PINHEIRO, Gustavo. O Lixo da Globalização - Entrevista com Zygmunt Bauman - Caderno Prosa e Verso - O Globo - 05/11/2005 - pág 1


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PINHEIRO, Gustavo. O Lixo da Globalização - Entrevista com Zygmunt Bauman - Caderno Prosa e Verso - O Globo - 05/11/2005.

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991.
BOFF, Leonardo, Saber Cuidar: ética do humano – compaixão pela terra – Vozes – Petrópolis – RJ – 1999.
BOFF, Leonardo, Igreja: carisma e poder, Ed. Record – Rio de Janeiro – RJ – 2005.

SOUZA, Ricardo Barbosa de. O Caminho do Coração – Ensaios sobre a Trindade e a Espiritualidade Cristã. Encontro Publicações - Curitiba – 2002.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Reino de Deus - I

O Reino de Deus - I

Introdução


No domingo - 04/02/2007 - iniciamos na EBD II da juventude da Igreja Batista Itacuruçá - Tijuca - RJ, um estudo sobre o Reino de Deus. O que é este reino? Quais são as suas fronteiras? O que a bíblia diz sobre ele? Ali pretendemos buscar as respostas para estas e outras perguntas que este assunto tão instigante desperta.

Os textos a seguir são observações sobre as passagens bíblicas utilizadas em sala de aula. Decidi escrevê-los para colaborar com o debate que realizaremos. A minha oração é que esta análise nos permita compreender o desejo divino para o estabelecimento do seu reino e que, apesar de nossas imperfeições, sejamos capazes de agir criativamente para torná-lo realidade em casa, na igreja e na cidade onde vivemos.


A Boa Notícia do Reino de Deus

"Começo da Boa Notícia de Jesus, o Messias, o Filho de Deus". Marcos 1.1


Uma boa notícia precisa ser espalhada para que muitas pessoas tenham a oportunidade de celebrar a alegria que ela proporciona.

Marcos anuncia a chegada de alguém muito esperado pelo povo de Israel. Ele já começa identificando o protagonista do seu evangelho como o Filho de Deus, o Ungido, para que não paire nenhuma dúvida sobre as credenciais de Jesus Cristo.

A esperança messiânica alimentava o coração dos israelitas, que viviam sob a opressão do domínio Romano. Eles resistiam duramente a qualquer império invasor porque confiavam na promessa de que Deus enviaria um libertador para derrotar o inimigo e restaurar a antiga glória experimentada durante os reinados de Davi e Salomão.

Saber que o filho de Deus já habitava nas terras da palestina era decididamente uma boa notícia, mas como conciliar a agenda divina, preocupada com as pessoas, e a agenda dos líderes religiosos, que se importavam apenas com o poder e a sua manutenção.? As decepções certamente aparecerão no ajuste destas prioridades, mas um fato não pode ser alterado: " Mais do que uma nova mensagem provinda de Deus referente a Jesus Cristo, o evangelho é a ação divina em meio aos homens." 1


Preparando o Caminho do Reino

"Está escrito no livro do profeta Isaías: Eis que eu envio o meu mensageiro na tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: Preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas estradas!"
Marcos 1.2-3.


Deus não guarda segredo de seus atos, ele os revela a todos quantos desejam conhecê-lo. Os profetas foram mensageiros enviados para denunciar a injustiça, o pecado, e chamar as pessoas ao arrependimento. A importância do ministério de Jesus está no fato de que o próprio Deus tornou-se humano para viver entre seus filhos e revelar-lhes o caminho para o seu reino.

Todo o caminho leva a algum lugar. Uns revelam lindas paisagens de recantos agradáveis, outros, têm como destino locais perigosos que escondem ameaças que podem levar à morte. Para tomar o caminho correto precisamos de orientações seguras, e esta era a missão de João Batista: dizer a todos os que andavam sem rumo, que agora havia uma esperança de encontrar a paz.

Para seguir em direção ao Reino de Deus é necessário optar por abandonar a antiga jornada, buscar o retorno e seguir por uma nova estrada. Esta decisão implica em rompimentos, em sacrifício mas, a sua recompensa está em aproximar-se de Deus e desfrutar da intimidade com ele.

Cada o caminho tem um ponto de partida e outro de chegada, as placas e os guardas rodoviários indicam por onde seguir. A bíblia aponta Jesus como o caminho que revela que o Reino de Deus está entre nós.



É Chegado o Reino de Deus

“O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na boa notícia”. Marcos 1.15.


Por que Deus esperou tanto tempo para manifestar o seu reino ao mundo? Sua condição de Todo-Poderoso não lhe garantiria poderes para revelar-se em qualquer época?

Deus não precisa de suas criaturas para afirmar-se, mas o seu amor levou-o a adequar-se de forma que a manifestação de seu reino pudesse ser assimilada por todos que fossem apresentados a ele.

Este reino tem características especiais: Ele não é político, é espiritual. Não tem fronteiras geográficas, mas abrange cada nação pela unidade do Espírito Santo. Não é um reino de força, mas de amor. Não possui um exército para fazer valer os seus interesses, pois a sua arma é a oração e a sua munição, a misericórdia para acolher ao necessitado.

Este reino está na contra mão de seu tempo que valoriza a agressividade e a arrogância como virtudes num mundo competitivo, enquanto Cristo prioriza a humildade e a sinceridade em detrimento da hipocrisia nos relacionamentos.

Em seu ministério Jesus valorizou mais as pessoas que os sistemas religiosos. Ele não hesitava em curar um doente no sábado, conversar com as prostitutas ou com os cobradores de impostos, mesmo que isto despertasse a ira das autoridades, apenas para afirmar o cuidado de Deus para com elas.

Para fazer parte do reino de é necessária a conversão, que é uma mudança de vida motivada pelo desejo de aproximar-se de Deus. A liberdade que o evangelho oferece ao ser humano é a possibilidade de abandonar tudo o que represente obstáculo ao relacionamento com Deus e descobrir nele o Pai amoroso que se importa com os seus filhos. Esta é a boa notícia que Cristo veio anunciar.

O Reino de Deus - Notas e Ref. Bibliográficas

NOTAS

1 - A Bíblia - Tradução Ecumênica - Edições Loyola - Paulinas - Direção da Ed. Brasileira: Gabriel C. Galache. P. 1233


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BOFF, Leonardo - O Senhor é o Meu Pastor - Consolo divino para o desamparo humano - Rio de Janeiro - Sextante - 2004.

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991.

Bíblia - Tradução Ecumênica - Edições Loyola - Paulinas - Direção da Ed. Brasileira: Gabriel C. Galache.

terça-feira, dezembro 26, 2006

NATAL: ESPERANÇA DE PAZ

"Então ele julgará as nações e será o árbitro de povos numerosos. De suas espadas eles fabricarão enxadas, e de suas lanças fabricarão foices. Nenhuma nação pegará em armas contra a outra, e ninguém mais vai se treinar para a guerra. Venha casa de Jacó: Vamos caminhar à luz do Senhor." Isaías 2.4-6
O natal representa a esperança que as pessoas nutrem por algo que proporcione a redenção dos males que afligem a esta sociedade: a guerra, a fome, a desigualdade social e tantos outros problemas que não pedem licença para aparecer.
Ao tornar-se humano e viver na terra, Jesus veio mostrar o caminho para a paz. Paz que não é apenas uma palavra que representa um sentimento utópico, mas que semeia a fraternidade, a justiça e alcança a pessoa integralmente, proporcionando-lhe a felicidade de saber que ela é amada por Deus e importante para o seu semelhante.
O amor de Deus é capaz de transformar o mal que nos aflige em bem. Das espadas ele cria as enxadas que preparam a terra para receber a semente, e das lanças ele cria as foices que colhem os frutos que alimentarão o faminto. Esta é a esperança que celebramos ao comemorar o natal: que haja justiça para o necessitado, pois não é possível conceber o estabeleimento do reino de Deus no meio da miséria humana.
FELIZ NATAL!