quarta-feira, junho 11, 2008

DEUS, VIDA E DIGNIDADE


JUSTIÇA SOCIAL TAMBÉM É VIDA DEVOCIONAL


Texto Básico: Amós capítulo 5.

Mensagem – 01 – Amós 5.4-7



DEUS, VIDA E DIGNIDADE

“Assim diz Javé à casa de Israel: Procurem a mim, e vocês viverão. Não procurem Betel, não façam romarias a Guilgal, nem corram para Bersabéia. Pois Guilgal irá toda para o exílio e Betel será reduzida a nada. Procurem a Javé, e vocês viverão. Senão, ele virá como um fogo sobre a casa de José e a queimará, e em Betel não haverá quem o apague. Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra.” Amós 5.4-7


O mundo é complicado, para qualquer lado que se olhe é possível observar que algo está fora da ordem. A grande expectativa das pessoas é perceber a intervenção de um poder superior, que promova num passe de mágica, aquilo que não temos sido capazes de produzir ao longo dos séculos: Justiça.

A bíblia registra em suas páginas episódios destas intervenções, e revela a sutileza da ação divina ao longo da história humana. Ao invés de buscar os holofotes e os poderosos do momento, Deus escolhe os mais simples, provenientes dos lugares mais afastados para, junto com eles, iniciar um processo de transformação que começa no dia-a-dia do povo, e produzirá um impacto espiritual profundo.

Amós era um simples vaqueiro que vivia tranqüilamente cuidando de algumas cabeças de gado em seu sítio, quando foi chamado por Deus para denunciar e “colocar em polvorosa todo um regime de injustiças”. O comprometimento do profeta em proclamar esta mensagem despertou o povo de Israel no século oitavo antes de Cristo, e ainda hoje toca os corações daqueles que consideram a justiça social como fator determinante da vida devocional da igreja e da sociedade. A mensagem de Amós incomodou aqueles que queriam que tudo permanecesse no mesmo lugar, porque ele ia direto ao assunto:


1. Amós Denunciava o Mal que Provocava o Afastamento de Deus. "Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra”.

Primeiro pecado: torcer o direito em favor dos privilegiados.

Como em todas as épocas, os ricos da terra de Amós, desfrutavam das facilidades que podiam comprar com o dinheiro que possuíam. Não contentes com isso, eles ainda buscavam comprar vantagens adicionais, subornando as autoridades para burlar a lei, que pretendia produzir a igualdade entre os diversos estratos sociais daquela nação.

A aliança entre o poder político e o religioso garantia o silêncio necessário para preservar a boa imagem dos poderosos na sociedade. Seria o plano perfeito, se não aparecesse um profeta impertinente para revelar com todas as letras possíveis o que estava sendo feito às escondidas: “Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra”.

O direito se transforma em veneno quando ele legaliza os meios de opressão e, ao invés de proteger o necessitado, amplia a miséria onde ele vive. Uma das formas de se lançar o direito por terra naquela época era o pesado sistema de impostos que sacrificava o povo, para sustentar os governantes e sacerdotes.


Segundo pecado: desprezar a justiça em nome da conveniência.

Quando acontece da notícia de um crime tomar proporções nacionais, é comum ouvir-se o clamor pela justiça contra os acusados, mas quantas vezes, em nosso dia-a-dia, permitimos que as injustiças aconteçam sem que isto nos incomode. O caso Isabela causou indignação, mas quantas outras crianças sofrem abusos, são feridas e mortas, sem que ninguém diga uma palavra em protesto? É necessário que a justiça seja feita neste crime, mas é fundamental que a partir daí, ela se espalhe como um rio de águas purificadoras, que procede do trono de Deus, para saciar a sede tantas famílias, que hoje padecem esquecidas.

O que a Igreja de Cristo pode fazer para encontrar caminhos para solucionar os problemas da comunidade em que ela vive? Como oferecer às crianças, em situação de risco, um futuro diferente do tráfico ou da prisão, ao qual elas parecem previamente condenadas?

2. Amós Alertou que Não Existem Atalhos no Relacionamento com Deus. “Não procurem Betel, não façam romarias a Guilgal, nem corram para Bersabéia. Pois Guilgal irá toda para o exílio e Betel será reduzida a nada. Procurem a Javé, e vocês viverão. Senão, ele virá como um fogo sobre a casa de José e a queimará, e em Betel não haverá que o apague”.

Os falsos profetas falavam o que o povo queria ouvir.

O sistema religioso é considerado a reserva moral de uma nação. Quando tudo falha, o povo espera de seus sacerdotes a atitude para trazer o equilíbrio necessário para restaurar a ordem. Como exemplos de líderes religiosos que lutaram pelo estabelecimento da justiça entre o seu povo é possível citar: Os monges budistas do Tibet, que se levantaram em protesto contra o domínio chinês, o arcebispo de Brasília, Dom João Brás de Avis, que durante um missa na câmara dos deputados, condenou o aumento que eles haviam se concedido.

“Como aceitar que um parlamentar ganhe R$ 800,00 por dia, quando boa parte das pessoas que representam é obrigada a viver com R$ 12,00 (por dia)? Como aceitar que o Judiciário legisle em alguns casos em seu favor, sem demonstrar sensibilidade para com o povo para o qual as leis são feitas? Atitudes como as que temos visto nestes dias matam o espírito de Natal”. 1

Como resultado daquela palavra corajosa denunciando um abuso, o aumento foi suspenso.

"Surpreendidos pela repercussão negativa nas ruas, na Igreja e nos movimentos sociais, deputados e senadores tentaram evitar o desgaste de votar, em plenário, novo percentual de reajuste para seus subsídios nesta legislatura. Envergonhados e pedindo desculpas à sociedade, e sem uma proposta de consenso que pudesse melhorar a imagem do Congresso Nacional, líderes e o presidente da Câmara, (...), desistiram, na noite desta quarta-feira, depois de muito bate-boca, da decisão de elevar os subsídios para o teto de R$ 24.500,00 - vetado na véspera pelo Supremo Tribunal Federal - ou mesmo aprovar um reposição inflacionária, que elevaria os atuais R$ 12.720,00 para R$ 16.475,00."(1)

Martin Luther King, lutou pelos direitos civis dos negros americanos e Mahatma Ghandi, com a sua resistência pacífica, lutou contra o domínio britânico e pela independência da Índia.

Quando os profetas se corrompem, eles ganham prestígio, por não entrar mais em confronto com os poderosos ao falar aquilo que eles desejam ouvir, mas a sociedade perde parte importante de seu poder de mobilização.

O pecado de Israel é quase sempre relacionado à idolatria, mas uma observação atenta à mensagem dos profetas, mostrará um Deus indignado com a exploração social que condenava os mais pobres, do povo que ele escolheu, a uma vida indigna e sem esperança.
Soluções superficiais produzem decepção.

Calar-se diante do mal traz benefícios imediatos, que podem durar bastante tempo, mas eles têm dia e hora para acabar. Soluções superficiais tendem a agravar um mal, que se fosse adequadamente tratado, teria uma solução mais rápida e eficaz. É mais fácil retirar os mendigos das ruas e esconde-los em albergues afastados, do que promover políticas que permitam a inclusão desas pessoas no mercado de tabalho.

O problema é que para encarar a sua estrutura corrompida a sociedade precisa encarar a si mesma e reconhecer a sua participação neste pecado. Isto fere o orgulho próprio, incomoda e exige o desejo se envolver com os excluídos, com o objetivo de inseri-los na comunidade. Este processo longo e tedioso favorece aos profetas de ocasião, valorizando as suas mensagens que falam muito sem nada dizer, mas aliviam as consciências culpadas.

A arte, que se expressa através da música, do teatro, da dança da pintura, etc, se apresenta como um instrumento importante para dizer a verdade, tocar os corações e promover mudanças na sociedade. O criador da logomarca da cidade de Nova York fez o seguinte comentário sobre a importância da arte: "É preciso fazer coisas que mexam com a mente, Se você diz algo diretamente, não será ouvido. A arte, pela música, pela poesia, etc, Faz com que as pessoas compreendam A mensagem que precisam ouvir."


3. Amós Mostrou o Caminho que Deveria ser Seguido. “Assim diz Javé à casa de Israel: Procurem a mim, e vocês viverão”.

Só Deus resgata a dignidade do ser humano.

Cada pessoa é um projeto infinito e precisa ser respeitada no seu direito de possuir condições para alcançar uma vida melhor para si e para a sua família.

Promover a dignidade do ser humano glorifica ao Senhor. Somos imagem e semelhança de Deus. Não podemos permitir que o nosso próximo seja humilhado, e que outros venham a obter lucros explorando a sua miséria.

Buscá-lo produz vida.

Vida abundante, porque a solidariedade humana se transformará num dos braços da providência divina no momento em que as dificuldades chegam. Nas comunidades carentes o sofrimento é amenizado porque as pessoas se importam com o drama das outras. Apesar de possuírem pouco, eles não se importam e dividir com o outro, quando sabe que isto poderá saciar a sua fome. É interessante perceber como esta atitude se aproxima do ideal de amor que Jesus requer daqueles a que ele chamará de “Benditos de Meu Pai” no dia do grande julgamento.

“Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Mateus 25.34-40


Buscá-lo produz paz.

Buscar a Deus resulta numa vida em paz por que a pessoa mantém a sua esperança na realização do Reino de Deus que foi prometido e que se estabelece à medida que a igreja levanta a sua voz profética em defesa da Justiça. “Abra a boca em favor do mudo e em defesa dos desfavorecidos. Abra a boca e dê sentenças justas, defendendo o pobre e o indigente”. Provérbios 31.8-9.

Conclusão

A igreja se torna relevante em sua comunidade à medida em que ela assume de corpo e alma o ministério de promover a dignidade de seus pobres de seus excluídos e lhes mostra o evangelho como um caminho que proporcionará a libertação espiritual do pecado, que os afasta de Deus e a libertação social, que os fará descobrir que eles podem ser protagonistas de suas vidas e não meros figurantes que se sacrificam, para produzir a riqueza de outros, sem nunca poder usufruir dos resultados do seu trabalho.
O Evangelho não é um projeto político, mas a sua vivência integral influencia todas as esferas da sociedade e faz da igreja um poderoso agente de transformação.

Nota e Referencias

quinta-feira, maio 29, 2008

CURSO CONTROLE SOCIAL



Há alguns dias eu recebi do Pedro Grabois, que escreve o blog Justiça Integral, o edital do "Programa Olho Vivo no Dinheiro Público" que está promovendo um curso para a formação de cidadãos para atuarem no controle social, fiscalizando os governantes. Esta é uma ótima oportunidade para as nossas igrejas assumirem um papel importante no combate à corrupção em nosa sociedade.

CURSO CONTROLE SOCIAL


APRESENTAÇÃO: A Controladoria-Geral da União (CGU) é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente ao Presidente da República quanto aos assuntos que, no âmbito do Poder Executivo, sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão, por meio das atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. Nesse escopo, a CGU desenvolve o Programa Olho Vivo no Dinheiro Público para incentivar o controle social. O objetivo é fazer com que o cidadão, no município, atue para a melhor aplicação dos recursos públicos. Diante dessa realidade e, dada a relevância do tema, a CGU, em parceria com a Escola de Administração Fazendária (Esaf), promove o curso Controle Social, com objetivo de incentivar o controle social e promover a cidadania.


OBJETIVO: Mobilizar cidadãos para que os mesmos atuem no controle social das ações do governo, promovendo melhor aplicação dos recursos públicos.


PRÉ-REQUISITOS: ·Ter disponibilidade de tempo para participação no curso;·Possuir conhecimentos básicos de informática: windows, Word e internet;·Possuir endereço eletrônico (e-mail);·Ter acesso à internet.


CARGA HORÁRIA: 40 horas.


PÚBLICO-ALVO: Agentes públicos municipais, conselheiros municipais, lideranças locais, professores, alunos e cidadãos em geral.


PERÍODO DE REALIZAÇÃO: O curso será realizado no período de 27 de maio a 27 de junho de 2008.


NÚMERO DE VAGAS: 1640 vagas, distribuídas em 41 turmas com 40 alunos cada.


INSCRIÇÃO: As inscrições serão realizadas no período de 16 a 25 de maio de 2008. Para inscrever-se, o interessado deverá acessar um dos seguintes sites:
Da CGU: http://www.cgu.gov.br/ no link "Olho Vivo no Dinheiro Público" na opção "Educação a Distancia"
ou no site da ESAF - http://www.esaf.fazenda.gov.br/ no link "Educação a Distância" na opção "Cursos Oferecidos".


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: O conteúdo programático está estruturado em 03 módulos:1- A participação popular no estado brasileiro. 2- O controle das ações governamentais. 3- O encaminhamento de denúncias aos órgãos responsáveis.


METODOLOGIA: O curso, desenvolvido na modalidade à distância, via internet, deverá ser acessado na Escola Virtual da Esaf, no endereço http://www.esaf.fazenda.gov.br/, no link Educação a Distância. Os alunos receberão uma senha de acesso, que será enviada para o email indicado no cadastro da Escola, realizado no ato da confirmação de sua matrícula.

AVALIAÇÃO: Participação no curso,participação nos fóruns,Questões objetivas,avaliação final.


CERTIFICADO: Receberá o certificado da ESAF o aluno que obtiver no mínimo 70% de aproveitamento geral, inclusive fórum.


INFORMAÇÕES: Para esclarecimento de dúvidas sobre o curso a distância ligar para: (61) 3412-6283 ou 3412-6164, ou enviar e-mail para ead.esaf9@fazenda.gov.br ou ead.esaf3@fazenda.gov.br

sábado, abril 19, 2008

UM NOVO OLHAR


UM NOVO OLHAR

Depois de várias semanas chovendo, o sol apareceu, brilhando num céu azul e sem nuvens. Acordei mais tarde, tomei o café da manhã, li o jornal e quando olhei pela janela, o vento convidou-me a sair, pois não era possível permanecer em casa num dia como aqueles. Fui à praia de Copacabana. Ao chegar comecei a caminhar na areia, à beira-mar. A água que comumente é fria estava morna e com ondas muito fortes.


Durante a caminhada eu olhava a paisagem recordando de quantas vezes já havia visto aquelas montanhas e o mar, em todos estes anos vivendo no Rio de Janeiro. Mas sempre me surpreendo com a nova perspectiva de luzes e cores que o sol e as nuvens podem lançar renovando este cenário a cada dia.


Não há nenhuma novidade no nascer e no pôr-do-sol, mas uma observação cuidadosa pode revelar que esta cidade esconde muitas surpresas a quem se dispuser a olhar e admirar as coisas belas que estão ao redor. Eu descobri isto hoje.(1)
NOTA
(1) Este texto foi escrito no dia 12/04/08 - Dia de muito sol.

sexta-feira, abril 04, 2008

SOBRE PÁSSAROS E GAIOLAS


SOBRE PÁSSAROS E GAIOLAS


Rubem Alves

Deus criou os pássaros.


As religiões criaram as gaiolas. As gaiolas criadas pelas religiões são feitas com palavras. Elas têm o nome de dogmas. Dogmas são gaiolas de palavras que pretendem prender o Pássaro. Guerra Junqueiro, poeta português, escreveu um longo poema que se tornou clássico sobre este assunto: “O Melro”. É bonito. Merece ser lido.


Escrevi, para minha filha pequena, uma estória sobre um Pássaro Encantado e uma Menina. Pássaro e Menina se amavam.Mas sempre chegava o momento quando o Pássaro dizia: “Preciso ir”. A menina chorava e dizia: “Não vá. Nós nos amamos tanto!” O Pássaro respondia: “Eu preciso ir para ter saudades. Porque o meu encanto nasce da saudade!” E partia. A Menina, então, teve uma idéia perversa: engaiolar o pássaro para que ele nunca mais partisse. E assim ela fez. Quando o Pássaro voltou, cheio de estórias para contar, cheio de penas de novas cores, enquanto ele dormiu, ela o engaiolou numa linda gaiola de prata. Ao acordar o Pássaro deu um grito de dor. “Menina, vou perder meu encanto. Vamos perder o amor!” E assim aconteceu. Foram-se as cores. Foram-se as estórias que ele contava. Foi-se o amor.


Escrevi esta estória porque eu ia partir para uma longa viagem e minha filha de quatro anos estava muito triste. Depois de publicada fiquei sabendo que meus colegas terapeutas a estavam usando para lidar com as relações amorosas, maridos engaiolando esposas, esposas engaiolando maridos, maridos querendo voar, esposas querendo voar... Aprovei. Aí um amigo me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” Perguntei: “Que estória?” Ele me respondeu: A da Menina e do Pássaro encantado. Pois o Pássaro Encantado não é Deus que as religiões tentam engaiolar?”.


Um Deus engaiolado nas gaiolas de palavras chamadas dogmas é sempre menor que a gaiola. Esse Deus não é pássaro que voa, é pássaro empalhado.

Deus mora na saudade.

Deus mora na nostalgia.


Pelo menos foi aí que Santo Agostinho o encontrou; num lugar obscuro e doloroso da memória, onde só há silêncio, não há palavras.


Deus não nos deu asas. Deu-nos o pensamento. Voamos nas asas do pensamento. A ciência, a literatura, a música, as artes plásticas, o balé, a culinária, os brinquedos, as coisas que nos dão alegria, são todas criaturas do pensamento. Primeiro voamos na fantasia para, a seguir, criar. Miguel Ângelo primeiro pensou a Pietá para depois esculpir a Pietá... O pensamento são as asas que Deus nos deu.


Assim, tudo aquilo que proíbe o vôo livre do pensamento é contrário ao nosso destino. A questão não é pensar certo ou pensar errado. Afinal, quem sabe o que é certo e o que é errado? A questão é simplesmente pensar. Sem pensamento livre a alma está engaiolada.


O fato é que a história do Cristianismo está cheia de gaiolas. Quantos foram mortos pelo crime de pensar diferente! Desse crime tanto católicos quanto protestantes são culpados. Os mortos foram pássaros que se recusaram a ficar dentro das gaiolas. Os hereges.



ALVES, Rubem, Dogmatismo e Tolerância – Edições Loyola – SP – 2004 – Pp 9-10.

quarta-feira, abril 02, 2008

COMO SERIA O NATAL SE CRISTO TIVESSE NASCIDO EM...


COMO SERIA O NATAL SE CRISTO TIVESSE NASCIDO EM...


Um dia eu comecei a pensar em como seria se Cristo tivesse nascido no Rio de Janeiro nos dias atuais e isto me trouxe a idéia de um projeto: saber como seria o cenário do Natal se Cristo tivesse nascido em Curitiba, Salvador, Belém, Buenos Aires, etc.
Inicialmente meu desejo era montar um presépio representando esta cena, mas a falta de habilidade nas artes plásticas fez com que eu o adaptasse à forma com a qual consigo lidar com mais facilidade: as palavras. Agradeço a todos os que dedicaram o seu precioso tempo para responder aos meus e-mails. MUITO OBRIGADO!
O artigo não se encerra aqui. Quem desejar, pode acrescentar a sua contribuição nos comentários e enriquecer a nossa percepção sobre como seria o nascimento de Jesus, caso ele acontecesse aí no lugar onde você nasceu ou vive atualmente.
Eu imaginei desta forma o cenário do nascimento de Jesus no Rio de Janeiro:
  • Estrebaria: Seria um barraco na entrada de uma favela. Na entrada e não no alto ou no meio da favela, para ser acessível a todos os que desejassem, pobres ou ricos.

  • Animais: Os animais típicos de toda favela carioca são: o cachorro, a galinha e o porco.

  • Pastores: Os pastores desempenhavam uma atividade importante, cuidavam dos rebanhos, mas eram desprezados pelos judeus. Aqueles que representam esta categoria no Rio são os trabalhadores da limpeza urbana chamados "Garis", que fazem um trabalho fundamental para a saúde do povo, mas que são igualmente desprezados pela sociedade.

  • Reis Magos: O personagem que melhor os simbolizaria seria um sambista, um jogador de futebol e um ator. Os presentes seriam respectivamente: um pandeiro, uma bola e as máscaras da alegria ou tristeza, que são o símbolo do teatro.


Thiago Azevedo - Belém – PA – Blog Descanso da Alma


  • Caro Marcos,

    Se Jesus nascesse em Belém-PA, acho que ele nasceria no Ver-o-Peso e os nossos amigos feirantes seriam os pastores, o presépio seria um paneiro revestido de palha da patichulim, o coral de anjos cantaria e dançaria um carimbó para louvar alegremente a Deus pelo nascimento do “minino mais pai d’égua” do mundo, os presentes seriam açaí, um brinquedo de miriti e uma cuia de tacacá.
    Abraços


Wesley Porfírio – Goiânia – GO


Eu imagino um Jesus nascendo não em Goiânia, mas no interioRRRRRRRRR de Goiás.

  • Estrebaria: Seria uma tapera, no meio do Cerrado, às sombras dos galhos de um pequizeiro. (o detalhe q o tronco tem pó-de-mico... mas isso a gente deixa pra lá).

  • Animais: Os animais atraídos pelo sobrenatural romperiam o medo da aproximação com o homem e iriam ver o menino Deus. Seriam eles o lobo guará, o tamanduá-bandeira, o tatu e o tucano.

  • Pastores: Os pastores seriam carvoeiros, que trabalham muitas vezes como escravos em fazendas cercadas por jagunços.

  • Reis Magos: O primeiro seria o Rei do Gado, o segundo o Rei da Soja e o terceiro o Rei do Sertanejo, com os respectivos presentes: um berrante, um carrinho de lobeira e uma viola caipira.


Evelyn Roxy Arrúa Sanders – Encarnación – Paraguay


Hola marcos!!


Buena pregunta de como seria o natal se Cristo tivesse nascido em Encarnación. pero esta dificil la respuesta, la verdad que no pense en eso nunca...

  • Creo que si nacia en encarnacion, seria en la zona rural, donde la gente es muy simple y que apesar de sus dificultades economicas, saben sonreir y tambien llorar porque son transparentes, y a veces hasta muy inocentes.

  • Los animales tipicos de alla son los perros, gallinas, chanchitos, caballos, las vacas lecheras, las gallinetas y los patitos.

  • Pastores, ... creo que serian los vendedores ambulantes, y los niños de la calle, porque estos son muy despreciados en la sociedad.

  • Los reyes magos........................ los 3 reyes magos seriamos mi esposo, mi hijita y yo... porque viviendo aqui tan lejos de encarnacion, si viesemos esa estrella anunciando su nacimiento, viajariamos como fuese, pero iriamos con todo lo que poseemos, para al REY ADORAR
  • Tradução:
    Olá Marcos!
    Boa pergunta esta sobre como seria o natal se Cristo tivesse nascido em Encarnación. É difícil responder, porque, na verdade, eu nunca pensei nisto...
    Creio que se ele nascesse em Encarnación, seria na zona rural, onde as pessoas são muito simples e, apesar das suas dificuldades econômicas, sabem sorrir e chorar, porque são transparentes e às vezes muito inocentes.
    Os animais típicos de lá são os cachorros, galinhas, porquinhos, cavalos, as vacas leiteiras, os pintinhos e os patinhos.
    Pastores: creio que seriam os vendedores ambulantes, e os meninos de rua, porque eles são muito desprezados na sociedade.
    Os reis magos: Seríamos meu esposo, minha filhinha e eu, porque vivendo tão longe de Encarnación, se víssemos esta estrela, anunciando o seu nascimento viajaríamos da forma que fosse possível, mas iríamos com tudo o que possuímos para ADORAR AO REI.


Nora Bouciguez – Buenos Aires - Argentina


Hola Marcos!


A ver si puedo responder tu pedido…

  • El pesebre creo que lo podemos armar en el establo de una casa de campo en el interior de la provincia.

  • Los animales alrededor serian algunas gallinas, patos, vacas, ovejas y caballos. Los pastores serian gauchos

  • Imagino que los mas representativos para el rol de reyes magos serian: Gaucho, un jugador de futbol y un tanguero.

  • Los regalos: un sombrero de ala ancha, una pelota y un pañuelo de compadrito (detalle infaltable en la vestimenta del tanguero)
  • Tradução:
    Olá Marcos!
    Vamos ver se consigo responder ao seu pedido...
    O presépio: Creio que poderíamos montá-lo no estábulo de uma casa de campo no interior de uma província.
    Os animais: Ao redor seriam algumas galinhas, patos, vacas, ovelhas e cavalos. Os pastores seriam os gauchos.
    Imagino que os que representariam melhor a figura dos reis magos seriam: Um gaucho, um jogador de futebol e um tangueiro.
  • Os presentes: Um sombreiro de aba larga, uma bola e o lenço da lapela (detalhe imprescindível na vestimenta do tangueiro).


Cláudio Luiz Mendes – Etiópia

Romão,

A idéia é muito boa. Mas confesso que depois de 11 anos longe da minha cidade natal (Curitiba), as coisas devem ter mudado bastante.Prefiro então falar sobre o pouco que conheço da Etiópia, é o que vejo diariamente.

  • Estrebaria: seria o que eles chamam de Sarbet; Com um detalhe: muitas vezes os animais que requerem maior cuidado (como vacas) ficam dentro da casa junto com os moradores.

  • Animais: cabras (você as vê por toda a Etiópia), burros e talvez umas vacas. Pastores: continuam sendo importantes, mas principalmente cuidando das cabras e dos rebanhos de vacas e bois (detalhe: em plena cidade no meio da rua ou no mercado de venda de cabras)

  • Os Reis Magos: seriam os motoristas de vãs ou de carros da ONU que andam aos montes na cidade e que acabam levando e trazendo coisas e pessoas.Acho que dá pra se ter uma idéia, ok?

Abração e me mande os resultados da pesquisa, ok?


Cláudio



Humberto Ramos – Pouso Alegre – MG – Blog Visão Integral


Olá, meu caro!

Bem, se Jesus nascesse hoje em Pouso Alegre, pode bem ser que ele nascesse:

  • Num casebre de um dos bairros rurais ou mesmo num barraco do Bairro São Geraldo ou São João (bairros periféricos, com algumas favelas).

  • Os animais típicos possivelmente fossem também cachorros, galinhas, porcos e cavalos, existentes tanto na zona rural quanto nas zonas mais periféricas - as favelinhas.

  • Os pastores poderiam muito bem ser trabalhadores rurais: caseiros, ordenhadores de vacas, ou pobres agricultores que vivem do seu próprio plantio.

  • Os reis magos poderiam muito bem ser um fazendeiro rico, um gerente de uma das indústrias aqui presentes e um bem-sucedido comerciante.

Abraços fraternos,

Humberto Ramos

quarta-feira, março 12, 2008

RELIGIÃO, RITUAL E LIBERTAÇÃO.


RELIGIÃO, RITUAL E LIBERTAÇÃO.

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar”.
Isaías 58.6-12

O profeta Isaías pregou esta mensagem a um povo religioso, que não se esquecia de suas obrigações rituais e que estava curioso pelo fato de não ver sua dedicação recompensada de forma satisfatória. Eles desejavam a prosperidade, ansiavam por ver a sua nação reconstruir o império da época de Davi e Salomão, mas as suas orações permaneciam sem resposta.

Nesta advertência, Isaías lembra que apenas participar das celebrações rotineiras não garante bônus espirituais para isentar do compromisso com a justiça e a libertação do faminto e do desamparado. É importante perceber que esta preocupação nasce como fruto do amor a estas pessoas que foram excluídas da sociedade e é vinculada à prática da verdadeira religião. De que adiantam as orações, os jejuns e os cultos solenes, se fora das quatro paredes do templo a dignidade humana é posta de lado em nome de conveniências econômicas e políticas.

Para ver a sua oração respondida e recuperar a grandeza de sua importância política, Israel teria que aprender a olhar para cada pessoa, independentemente da classe social, como um ser humano digno de cuidado. Somente assim o seu culto seria agradável a Deus.

Queremos ver a glória de Deus manifestando-se em nosso país, que a sua luz brilhe e que a sua cura se manifeste? Então está na hora de arregaçarmos as nossas mangas e partir para uma ação que permita aos nossos pobres, famintos, nus e abandonados perceberem que Deus existe para eles também. Esta não é uma tarefa fácil, pois o caminho esconde muitas armadilhas, mas Deus promete estar ao nosso lado e responder quando precisarmos de ajuda.


Não basta decretar que “Jesus é o Senhor desta nação”. Para reconstruir a nossa sociedade e torná-la um “jardim regado”, conforme diz o texto, precisamos sair do conforto de nossos templos, nos envolver e sentir como se fosse nossa, a dor daqueles que levantam todas as manhãs sem ter um motivo para sonhar com um futuro melhor.

sexta-feira, março 07, 2008

Para Pensar...


"Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto gostem de mim. Nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante é saber que eu, em algum momento fui insubstituível. E que esse momento será inesquecível!"

(Mário Quintana, poeta e jornalista gaúcho).

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O REINO DE DEUS VII – UM REINO ACOLHEDOR

UM REINO ACOLHEDOR

"Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve".
Mateus 11.28-30


Somos todos carentes. Uns mais, outros menos, mas todos necessitamos ser aceitos e de saber que alguém nos espera chegar em casa no final do dia. Jesus conquistou o coração da multidão porque as recebia com amor e demonstrava interesse sincero por suas aflições. Dois mil anos depois o mundo transformou-se completamente, mas esta carência permanece clamando por atenção.


A vida é composta de muitos cenários: trabalho, família, amigos, lazer, entre outros. Todos precisam ser bem administrados, pois o desequilíbrio de uma área certamente afetará a todas. O trabalho mal remunerado, ou que possua metas exorbitantes, fará a pessoa multiplicar as horas extras para complementar o salário a fim de fechar as contas no final do mês.

O excesso de trabalho rouba o tempo de convivência familiar. Marido, mulher e filhos não se encontram, porque quando um sai de casa, os outros estão dormindo e quando retornam, é tarde demais para estabelecer alguma conversa. A distância entre os familiares aumenta, até o ponto em que eles descobrem já não possuir nenhum interesse em comum.

A sociedade de consumo cria necessidades e a busca pela sua satisfação causa o acúmulo de dívidas, que encurtam a possibilidade de se alcançar um padrão de vida melhor, como fruto do trabalho. Este é o fardo da modernidade que produz cansaço, desanimo e depressão. Neste discurso Jesus apontou uma nova esperança para aqueles que achavam que a vida não oferecia mais nenhuma saída: O convite para fazer parte do Reino de Deus.

“Venham para mim”, disse Jesus, venham aprender que buscar a Deus é muito mais do que fazer pedidos de oração e receber a bênção tal qual um cliente que adquire uma mercadoria na loja. Para aprender, é necessário aproximar-se de Jesus, ouvir a sua voz, investir tempo na construção de um relacionamento e na prática dos seus ensinos. Aquele que se dispuser, descobrirá um Pai cheio de ternura e interessado em conceder o que há de melhor aos seus filhos: "Conheço meus projetos sobre vocês – palavra do Senhor: são projetos de felicidade e não de sofrimento, para dar-lhes um futuro e uma esperança. Quando vocês me invocarem, orarão a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão, e me encontrarão se me buscarem de todo o coração; eu me deixarei encontrar e mudarei a sorte de vocês – palavra do Senhor”. Jeremias 29.11-14

O descanso que Jesus oferece não livra dos problemas, mas os alivia porque traz sempre à memória a lembrança de que não estamos sós para suportar cargas da vida.

O Reino de Deus oferece alívio ao cansado porque o acolhe do jeito que está, sem cobranças, e trata de suas feridas físicas e emocionais restaurando-o integralmente para uma vida plena, onde a liberdade vence a opressão e a alegria de ser filho de Deus será compartilhada por todos os que foram alcançados pela boa notícia de que é possível viver com alegria neste mundo tão hostil.

domingo, janeiro 20, 2008

EU NÃO TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO



Eu considero o João Alexandre um dos melhores artistas cristãos brasileiros. Ele faz poesia e consegue passar a sua mensagem sem ser proselitista, toca bem o violão e proporciona a quem o ouve um momento de tranquilidade e reflexão. Num agradável bate-papo com a Zenaide, ela me enviou esta letra, que decidi compartilhá-la porque gostei da maneira como ele imaginou os nossos símbolos bíblicos transportados para a cultura nacional: "Imagine só: Maria fazendo uma feijoada; ver um cavaquinho nas mãos do rei Davi". Imaginei um pagode animado com o pessoal sentado em mesas no quintal sorrindo muito, saboreando uma deliciosa comida e trocando idéias com Jesus. Aliás, como seria o cenário do presépio, se ao invés de ter nascido na Palestina há dois mil anos atrás, Jesus nascesse no Rio de Janeiro hoje?
Curtam a letra,
Marcos Vichi
JOÃO BASILEIRO

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Sou mistura de negro, europeu e tupi guarani
Todo mundo já sabe meu nome é João, sou cristão.
Deus me deu minha voz pra quem quiser ouvir.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro não
Sou profeta do samba do frevo e do maracatu
Todo mundo já sabe as cores do meu coração.
Ele é verde, amarelo, branco e azul.

Imagine só: ver um cavaquinho nas mãos do rei Davi
Imagine só: S. Pedro pescando na praia de Itapuã
Imagine só: um frevo rasgado dos filhos de Levi
Imagine só: o apóstolo Paulo no Maracanã, já pensou...

Imagine só: Maria fazendo uma feijoada
Imagine só: Isaias pregando na Rocinha
Imagine só: Miriã dançando uma timbalada
Imagine só: Esaú se vendendo ao jabá com farinha...

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Sou mistura de negro, europeu e tupi guarani
Todo mundo já sabe meu nome é João, sou cristão.
Deus me deu minha voz pra quem quiser ouvir.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Quero mais florescer no lugar onde Deus me plantou
Tô aqui pra cantar minha história, meu povo, meu chão.
Brasil brasileiro que Ele tanto amou.

Imagine só: os salmos em moda de viola
Imagine só: os profetas virando repentistas
Imagine só: o Mestre e os doze batendo uma bola
Imagine só: a visão de Jacó pela voz de um sambista a cantar

Imagine só: os anjos tocando seus tamborins
Imagine só: cuicas nos braços dos serafins
Imagine só: pandeiros soando ao invés dos clarins
Imagine só: um céu brasileiro bem tupininquim.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro não...
É isso aí, eu não tenho vergonha de ser brasileiro...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

O REINO DE DEUS VI - O REINO DOS MAIS FRACOS



O REINO DOS MAIS FRACOS
“Naquele tempo Jesus disse: Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Meu pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar”. Mateus 11.25-27

Vivemos numa sociedade de fortes e habilidosos, que é voltada para o acumulo de bens. Nela se destacam os inteligentes e os que produzem muito gerando baixo custo. Qualquer sinal de fraqueza é tido como falha, que não pode ser admitida. Os que estão fora do padrão não têm escolha: ou se ajustam às regras do mercado, ou serão excluídos sem misericórdia.

O Reino de Deus inverte estas prioridades. Nele os fracos são privilegiados e aos pequeninos são revelados os mistérios do Pai. Por que os sábios e os fortes foram colocados em segundo plano nas questões espirituais? Existe alguma injustiça da parte de Deus?


1. Quem São os Pequeninos de Nosso Tempo?

Entre tantos que podem ser citados como pequeninos, um grupo significativo é o dos desempregados. Milhões de pessoas que por diversos motivos foram demitidas e agora enfrentam dificuldades para recolocar-se no mercado de trabalho. A falta de emprego compromete a estabilidade familiar, a qualidade de vida e dificulta o investimento no aprimoramento intelectual, que é necessário para obter as melhores colocações neste ambiente tão competitivo. A situação complica-se quando as contas começam a se acumular e as perspectivas de ingresso financeiro demoram a aparecer.

Outra categoria de pequeninos é a dos sem teto. Eles chegaram a um nível tal de pobreza, que perderam as suas moradias e hoje fazem da rua o seu lar. Algumas famílias já estão na segunda geração exposta a esta violência. Por estarem fora da cadeia produtiva, os sem teto não possuem poder de consumo. São considerados zero econômicos e, por isso, são tratados como refugo nesta sociedade excludente.

A terceira categoria a ser abordada é a dos enfermos. Quando prolongada, a doença desequilibra psicologicamente a família e o paciente. A enfermidade não escolhe classe social, idade ou nível cultural, mas une ricos e pobres, doutores e analfabetos na mesma dimensão da fragilidade do ser humano.


2. Por Que a Força Pode Atrapalhar?

Quem é forte acha que não precisa de ninguém. Esta atitude leva ao isolamento e traz problemas, pois se a crise fugir do controle a pessoa poderá não encontrar socorro disponível, pelo simples fato de que ninguém saberá de que ela precisa de ajuda.

Algo parecido acontece no relacionamento com Deus. Este relacionamento é alimentado pelo contato constante e pela renovação das experiências. Sempre que precisamos, recorremos à lembrança mais recente de seu amor e somos confortados. Quando não cultivadas, as experiências se tornam raras e chegará um momento em que elas serão esquecidas.

Jesus lidava com pessoas muito experientes em matéria religiosa, que possuíam autoridade para mostrar aos menos esclarecidos o caminho para encontrar-se com Deus. Estes líderes se tornaram fortes, política e religiosamente, mas esqueceram-se da misericórdia enquanto exerciam o poder e deixaram de se importar com a vida do seu rebanho.

Era contra estas distorções que Jesus protestava ao afirmar que o Pai escondeu a revelação dos seus mistérios aos sábios e inteligentes de seu tempo. Eles eram mestres na religião, mas não tinham condições de perceber a presença divina, pois tinham o seu coração fechado. O poder lhes trouxe a ilusão da auto-suficiência e os afastou de Deus.


3. A Vulnerabilidade que Abençoa

É entre os humildes que encontramos as demonstrações mais significativas de fé. Eles reconhecem que precisam de alguém e sabem que sozinhos não irão muito longe. Por isso estão dispostos a receber e oferecer solidariedade. Esta abertura de alma os permite identificar a atuação divina nos mínimos detalhes.

Os pequeninos desejam ouvir a voz de Deus, da mesma forma que a criança anseia pela presença dos seus pais. Conseqüentemente, eles desenvolvem um relacionamento fundamentado no amor e não na expectativa de receber algo em troca. É esta qualidade que os habilita a conhecer os maiores segredos que o Pai deseja lhes revelar.

Deus não se impressiona com títulos acadêmicos e cargos de autoridade nas esferas religiosas ou governamentais, mas a fé simples, exposta por um coração quebrantado, o emociona: “Quando ouviu isso Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: Eu garanto a vocês: nunca encontrei uma fé igual a essa em ninguém em Israel!” Mateus 8.10.

4. O Mistério é Revelado

As pessoas se aproximavam de Jesus com interesses diversos: uns desejavam a cura, outros estavam curiosos para conhecer a celebridade do momento, havia os que queriam ouvir uma mensagem de esperança, mas um grupo em particular o incomodava: aqueles que queriam utilizar-se do Reino de Deus como forma de obtenção de prestigio social. Jesus recusava-se a exibir demonstrações banais de poder. “Mas ele lhes respondeu, e disse: "Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas”. Mateus 12.39.

A condição primordial para conhecer os mistérios do Deus é crer que ele existe e que deseja comunicar-se com os que o procuram: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. Hebreus 11.6.

Os pequeninos, espiritualmente falando, são aqueles que reconhecem que dependem de Deus e desejam relacionar-se com ele simplesmente porque o seu coração se alegra por desfrutar de sua presença. A estes, o Pai se agrada em manifestar-se e tornar conhecidos os seus planos.

“Ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar”. Jesus, o filho, conhece o Pai integralmente. Sem o seu auxílio jamais conseguiríamos estabelecer a comunhão com Deus. A sua vinda ao mundo abriu um elo de comunicação fundamental entre o homem e o seu Criador. A revelação do mistério de Cristo não está oculta num esconderijo inviolável, mas só será disponibilizada àqueles que enxergam o Reino de Deus como um lugar onde ser forte, é demonstrar misericórdia e onde a vitória se realiza, quando a justiça é feita ao pobre e quando o rejeitado pela sociedade se sente acolhido e amado por Deus.


Conclusão

O Reino pertence aos fracos, porque não apresenta qualquer obstáculo a quem tenha um sincero desejo de relacionar-se com Deus. Ele representa a nossa esperança de que veremos a justiça triunfar e de que não será mais necessário fingir ser aquilo que não somos, pois o Pai nos aceita tal qual estamos.


Referências
BOFF, Leonardo - Ethos Mundial - Rio de janeiro - Sextante – 2003.

terça-feira, janeiro 01, 2008

FELIZ ANO NOVO



FELIZ ANO NOVO


“O Senhor te abençoe e guarde! O Senhor lhe mostre o seu rosto brilhante e tenha piedade de você! O Senhor lhe mostre o seu rosto lhe conceda a paz!”

Números 6.24-26.


Este seria apenas um feriado como outro qualquer onde acordaríamos mais tarde por não precisarmos ir trabalhar, se não fosse 1º de Janeiro. O ano novo chegou! Diversas simpatias estão aí para tentar garantir a felicidade em 2008. Pular as sete primeiras ondas, beber a água da primeira chuva do ano, comer lentilhas, etc. Mesmo alguns céticos que passam o ano todo longe das igrejas, aproveitam as comemorações para ir a uma missa ou culto a fim de assegurar a boa sorte.

O povo de Israel estava peregrinando pelo deserto após a fugir da escravidão sob o domínio egípcio. Ainda que aguardado ansiosamente, o caminho para a liberdade se apresentava mais difícil do que o imaginado. O cansaço, a limitação dos recursos, e a ameaça dos inimigos traziam desânimo às pessoas fazendo-as duvidar se deveriam seguir em frente. Após um ritual de consagração, o sacerdote Arão proferiu uma benção com o propósito de trazer a memória da presença de Deus àquelas almas exaustas.

O decorrer de um ano guarda muitas semelhanças com o deserto enfrentado por Israel no processo do êxodo para a terra prometida. Iniciamos com festa e muita expectativa, mas logo vem o dia 02 de Janeiro com suas lutas, contas para pagar e, ao longo dos meses, estamos cansados, necessitando de um oásis para reparar as forças.

“A bênção é um sinal da presença protetora e vivificante de Deus no meio do seu povo. (...) Tal bênção mostra que o povo pertence a Deus e que este o abençoa com a paz, quer dizer, com a vida plena, segundo o modo bíblico de entender a paz”. (1)

A palavra de Arão aos israelitas aborda conceitos importantes para alimentar a fé durante a caminhada em 2008 o primeiro deles é: “O Senhor te abençoe e guarde!”. O Senhor abençoe aos empregados para que eles desempenhem bem as suas funções, sejam promovidos e obtenham melhorias salariais. Abençoe aos desempregados para que eles encontrem caminhos que os levem a trabalhos dignos a fim de proporcionar o sustento às suas famílias. O Senhor nos guarde da violência que destrói vidas. Nos guarde das enfermidades físicas e emocionais que roubam as forças do corpo deixando-o prostrado.

Em seguida o sacerdote afirma: “O Senhor lhe mostre o seu rosto brilhante”. Ao revelar-se, Deus se faz conhecido por aquele que o busca. O brilho de seu rosto representa a glória que ilumina a mente, o coração e produz esperança ao apresentar novas perspectivas a caminhos que pareciam sem saída. “A esperança é aquilo que aposta no triunfo final da vida. Essa, talvez, seja a missão mais fundamental da fé: fazer-nos esperar, mesmo contra a esperança. A esperança, em grau maior ou menor, é que possibilita a preservação da vida”. (2)

Seguindo em frente, observamos a próxima declaração: “E tenha piedade de você!”. O ser humano é limitado. Ele deseja fazer o bem e realiza o mal.3 Precisamos da piedade divina que nos ama do jeito que somos e à medida que acolhe, realiza o seu propósito, enchendo a vida de alegria.

Finalizando Arão diz: “O Senhor lhe mostre o seu rosto lhe conceda a paz!”. Esta paz vai além da ausência de conflitos, pois ela permanece apesar dos problemas e confusões da vida, proporcionando um equilíbrio que beneficia aquele que confia em Deus e se espalha por sua família e comunidade.

Meu desejo para 2008, é que esta paz se torne real na sua vida. Acima de todas as superstições e simpatias, o que garantirá um ano feliz é a lembrança do cuidado de Deus. Recorra a ele todos os dias.

FELIZ ANO NOVO!



NOTAS



1 – Bíblia Sagrada Ed. Pastoral – 1991 - p.156.
2 – MARCELINO – Antes de o Ano Novo Chegar... Blog “As muitas Letras” – 2007.
3 – “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito, o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico”. Romanos 7.18-19





REFERÊNCIAS



BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991

MARCELINO, Ruben. Antes de o Ano Novo Chegar... - Blog “Asmuitas Letras” – 2007 - http://asmuitasletras.blogspot.com/2007/12/desde-ontem-tenho-estado-fim-de.html - Consultado em 01/01/2008.

http://www.shalomcampinas.com.br/significado.php – Consultado em 01/01/2008.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

ADEUS ANO VELHO

ADEUS ANO VELHO

“É BOM esperar em silêncio a salvação do Senhor”
Lamentações 3.26.

Eu vou guardar boas recordações de 2007. Neste ano viajei nas férias, experimentei um significativo desenvolvimento profissional, terminei a faculdade e, no apagar das luzes de Dezembro, consegui um emprego novo. Vou iniciar o novo ano com boas perspectivas e com a esperança de que ele será tão bom, ou até melhor do que o que está se encerrando hoje.

Não foi sempre assim. Houve um tempo difícil em que enfrentei um longo período de desemprego e de sub empregos. Os reveillons chegavam sem muita expectativa, pois os meses seguintes prometiam ser apertados. Nesta época, um versículo bíblico me trazia conforto e alimentava a minha fé “É bom esperar em silêncio a salvação do Senhor”

Eu esperava, em silêncio, porque faltavam palavras para definir o incômodo que sentia. Mas a esperança de que a salvação de Deus viria não me deixou desistir no meio do caminho. Continuei investindo, estudando, mesmo quando, ao redor, algumas pessoas diziam que era inútil tentar.

Foi bom esperar em silêncio, porque deixei de falar muitas palavras que me trariam arrependimento. Foi bom esperar pela salvação do Senhor, porque isto forjou o meu caráter, fortaleceu a fé e mostrou que existem limites a serem respeitados. Eu devo ir até certo ponto, a partir dali, Deus segue em frente e faz aquilo que está fora do meu alcance.

Hoje estes problemas fazem parte do passado, são histórias para testemunhar o cuidado de Deus que me permitiu vencer os obstáculos e chegar até o dia de hoje, com a saúde emocional preservada a ponto de poder comemorar mais um 31 de dezembro com alegria.
Ainda estou longe de realizar todos os meus sonhos, mas lembrar destas bênçãos me proporciona a certeza de que Deus seguirá cuidando de mim. Quando novas tempestades vierem, seguirei esperando, pois sei que: “O Senhor é bom para os que neles esperam e o procuram” Lamentações 3.25.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

UNA EXPERIENCIA ÚNICA

Ao ler o relato de minha amiga Nora sobre sua viagem à Índia, eu tive a sensação de estar caminhando pelas ruas movimentadas e barulhentas de Hyderabad e diverti-me com as diferenças culturais vividas por ela neste país tão exótico, para os nossos padrões. Para manter a fidelidade do texto, decidi publicá-lo em seu idioma original, o espanhol.

Boa leitura.

Marcos Vichi

UNA EXPERIENCIA ÚNICA

Por: Nora Bouciguez

Cuando supe que tenía la posibilidad de viajar a India comencé a recordar lo que me habían contado quiénes habían tenido esa oportunidad... Vinieron a mi mente anécdotas e imágenes, ahora sería yo quien viviría esa experiencia apasionante.

El viaje se concretó y después de muchas horas de vuelo, llegué a Bombay. Mientras esperaba en el aeropuerto doméstico el horario del próximo avión hacia Hyderabad, fui hasta el toillette... allí fue el primer impacto... el baño no estaba en las condiciones de higiene que esperaba, pero eso no era todo... las moscas hacían más desagradable el lugar y su zumbido se hacía más pesado aún por el calor y humedad reinantes; con asombro descubrí que en reemplazo del papel higiénico había una jarrita... que obviamente, era de uso común (esto se repetiría después en la mayoría de los baños públicos). Quedé pensando en ¿cómo sería el resto? Si esta era mi primera impresión y éste era el hall de entrada al país.

Finalmente, llegué donde me hospedaría... estaba desesperada por tirarme en una cama y recuperar horas de sueño. Entre las esperas de las conexiones y traslados llevaba casi 40hs sin estar en posición horizontal. Después de tomar un baño (con un balde, ducha no había), me zambullí en los brazos de Morfeo, mientras sobre mi cama un tul me protegía de mosquitos y demás insectos. Mi reloj biológico... no se que hora marcaba... aunque soñaba con dormir muchas horas seguidas, no lo conseguí, necesité casi 48hs para recuperar mi ritmo normal de sueño.

El próximo desafío me estaba esperando: las comidas super picantes!!! Encontrar sabores que no irritaran mi aparato digestivo, era una tarea nada fácil. Todo era picante. Un día sugerí , a mis compañeros de viaje, buscar un lugar donde tuviera la posibilidad de pedir alguna comida que no me produjera la sensación de fuego en mi boca. Ya en el restaurante, consulté con el mozo si el pollo al spiedo que ofrecía la carta era picante, “No, para nada”, me dijo. Para acompañar pedí un arroz blanco, sin ningún tipo de condimentos, como si tratara de comida para enfermos... y fue acertado de mi parte, ya que mezclándolo con el pollo (que sí era picante), pude comer algunos bocados.

Mientras esperaba que nos trajeran la comida observaba al resto de los comensales... estaban comiendo con la mano izquierda, sin cubiertos. Esto era todo un arte. Había que desmenuzar la comida (yo había pedido pollo) y hacer una bolita con el arroz y llevarlo a la boca sin chuparse los dedos... Ya estaba estresada y con suficiente hambre como para someterme a tal desafío, así que, corté por lo sano y le pedí al mozo un par de cubiertos, para disfrutar de mi porción sin tanto stress. Después de comer me acercaron un recipiente con agua con limón para lavarme las manos y unos granitos de anis para refrescar la boca.

No me di por vencida y pensé que tal vez, una pizzería sería una buena opción no picante. Entonces, para la próxima comida busqué una y estudié los sabores ofrecidos en la carta... elegí lo que creí que era la mejor alternativa...y nuevamente encontré que cada bocado iba aumentando la sensación de fuego en mi boca. Ja! Ja! ... Creo que bajé de peso como no lo había hecho en ningunas vacaciones anteriores. Eso sí, en los postres, encontré el aliciente para continuar.

En cuanto tuve oportunidad, salí a recorrer las calles y negocios de la ciudad. Fue divertido intentar entender por qué sonaban las bocinas de todos los vehículos simultáneamente, los códigos eran otros, aún para conducir. Las calles estaban llenas de autos, bicicletas, motos y alguna que otra vaca que se paseaba tranquila deteniendo el ritmo frenético. Yo viajaba en una especie de taxi/moto cuyo conductor era de lo más audaz para avanzar hacia el destino marcado. En India se conduce en sentido opuesto al nuestro, ya que han sido colonizados por Inglaterra, de manera que, hasta para cruzar la calle, implicaba una concentración extra.

Aquellas imágenes que había visto en otras oportunidades por fotos o películas se hacían realidad frente a mis ojos. Pobreza, miseria... niños vestidos con harapos y descalzos pidiendo limosnas, rostros que transmitían tristeza, los ojos negros no brillaban de vida sino clamaban por ayuda y una esperanza.

Quería captar con mis cinco sentidos todo lo que pasaba a mi alrededor... descubrí con asombro una mujer adulta con un manojo de paja a título de escoba barriendo la calle. Era una barrendera pública, lo que llamó mi atención era que su “escoba” no tenía la suficiente altura como para mantener su cuerpo erguido, de manera que la veía con su espalda lo suficientemente curvada como para dar el mensaje bien claro, de que ella pertenecía a la casta más baja de la sociedad, los dalits. Los dalits realizan las tareas más humillantes, no tienen acceso a la educación ni a la posibilidad de una vida mejor, ya que de acuerdo a la cultura, se nace y se muere en esa casta.

Si se trataba de experimentar otra cultura, no quería perderme detalle, así que, viajé en colectivo. Por lo general, los colectivos están llenos, como si siempre fuese “hora pico”. Pero en una oportunidad viajé en un colectivo casi vacío. La forma en que se ubican los pasajeros es la siguiente: en la mitad delantera del vehículo, las mujeres y en la trasera los hombres. Al subir, descubrí que había un solo lugar libre en la parte posterior, de manera que olvidando las costumbres del lugar hice uso del asiento... sentí el peso de varias miradas... pero continué descansando mi humanidad en el sector masculino.

¿Viajaste alguna vez en un tren cama de este lado del mundo? Esta fue otra forma interesante de conocer este pueblo. Me trasladaba desde Hyderabad a Bangalore eran alrededor de doce horas de viaje. Después de comprar el pasaje, llegar al andén y ubicar mi asiento/cama me dispuse a tomar un cafecito en el andén antes de partir. Las miradas de quienes viajaban, en su gran mayoría hombres, pesaban sobre mí. Era evidente que yo era extranjera y occidental por mi contextura y apariencia, pero continué disfrutando del café y compré algunas galletitas para el viaje ignorando lo que pasaba a mi alrededor, desafiando las reglas culturales.

El tren anunció su salida y comenzamos el viaje. No quería perderme de registrar con mi cámara todo lo que estaba viendo. Así que, me preparé para tomar algunas fotos, cuando por el pasillo no dejaban de pasar vendedores de comidas, bebidas, etc. Hasta que llegó un hombre que vendía jugos con una jarra. Con una sonrisa le agradecí esperando que siguiera su camino... pero él se paró frente a mi y dijo “foto, foto” repitiéndolo hasta que finalmente entendí que no se iría hasta que lograra una foto. (Aún hoy tengo la foto de aquel hombre desconocido y la anécdota para contar).

Como si se tratara de una ceremonia preestablecida, a las 21hs., las personas comenzaron a armar sus lugares para dormir y las luces del tren se apagaron, comprendí que era el momento de estirar mi metro ochenta sobre la cama cucheta. Como suponía... me faltaban (o sobraban) unos centímetros... pero me acomodé e intenté descansar.

Las luces del amanecer me despertaron y contemplé el cielo con los colores increíbles que dibujan las nubes mezcladas con los primeros rayos del sol.

Llegamos a Bangalore, era dónde debía bajar para continuar mi viaje. A la salida del tren nos esperaban los taxistas desesperados por conseguir un cliente para transportar. Me daba mucha risa ver como se peleaban entre ellos y con nosotros para regatear el precio. Hasta que finalmente, decidimos quién sería nuestro conductor.

Coincidentemente con mi paso por Bangalore, hubo elecciones. India, tiene un alto porcentaje de analfabetismo y por esa razón, las listas de los candidatos son identificadas no solo con nombres y números, sino también con dibujitos como: un paraguas, un autito, una balanza, una moto, etc. Para que todas las personas puedan distinguir a quien están votando.

Por los lugares donde estuve encontré varios templos hinduistas ubicados con poca diferencia de cuadras. Contemplé sus torres que llamaron mi atención por la cantidad de ídolos que las cubrían. En las mañanas siguientes supe que parte de la tradición es llamar a sus fieles, bien temprano en la mañana, con una música a todo volumen cuando aún la ciudad está en silencio... era un despertar bien diferente a lo que estaba acostumbrada!

Quise conocer más de esta cultura y su gente, así que, continué mi paseo hacia la feria para encontrar que allí existe la posibilidad de comprar carne fresca o pedir que frente a tus ojos sacrifiquen al animal elegido. El olorcito que rodeaba el lugar era nauseabundo una mezcla de corral y frigorífico. También vi frutas y verduras que nunca antes había visto y aproveché para comprar algo de lo conocido y aquí estaba segura que mi paladar no iba a ser agredido ¿o si?

Los roles que desarrollan mujeres y hombres también forman parte del impacto. En las construcciones son las mujeres quienes ayudan a cargar sobre sus cabezas las pilas de ladrillos y en algunos barrios son los hombres quienes ofrecen por unas rupias el planchado de la ropa en sus improvisadas tablas con sus antiguas planchas de carbón.

Mi viaje a India fue único, una experiencia enriquecedora, inolvidable e incomparable. Sus sabores, sus olores, sus tradiciones, la calidez de su gente y la elegancia de sus mujeres con las coloridas ropas y el delicado detalle de flores naturales adornando sus oscuros cabellos, imprimieron en mi los recuerdos más fascinantes.

Sin lugar a dudas India fue mi experiencia transcultural


Nora Bouciguez é agente de viagens e guia de turismo na cidade de Buenos Aires - Argentina - Visite o seu site BUENOS AIRES GUIADO

terça-feira, dezembro 11, 2007

SACIAR A SEDE DE ÁGUA E CIDADANIA

SACIAR A SEDE DE ÁGUA E CIDADANIA

"Por que nas edificações urbanas raramente se encontram equipamentos de captação da água da chuva, gratuita e potável?" Frei Betto

Como impedir que a população do semi-árido brasileiro prossiga vítima da seca? A melhor iniciativa é o Programa 1 Milhão de Cisternas, também conhecido por Programa de Mobilização e Formação para Convivência com o Semi-árido. Este mês, comemora-se o marco de 1 milhão de pessoas favorecidas pela construção de cisternas.
Quem o monitora, há quatro anos, é a Articulação no Semi-árido Brasileiro (ASA), ONG que conta com o apoio do governo federal, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), da sociedade civil e de vários parceiros nacionais e internacionais.
O programa parte da concepção de que o povo do semi-árido é capaz de dirigir seu próprio destino e encontrar meios de resolver seus problemas, desde que a ele sejam garantidos meios e políticas de convivência com a seca, e não de combate a este fenômeno natural. Assim como em outros países não se combate a neve, mas se aprende a conviver com ela, o mesmo se aplica à seca.
Até agora, o programa mobilizou cerca de 228.538 famílias e construiu 221.362 cisternas de placas para captação de água de chuva - via calha do telhado da casa -, para consumo humano. Nada mais potável que a água da chuva - que, nas cidades, irresponsavelmente desperdiçada, entope bueiros, causa erosão de encostas, alagamentos e enchentes.
Hoje, mais de 1 milhão de pessoas têm garantindo o acesso a água de qualidade para beber e cozinhar, o que significa, em termos de segurança alimentar e nutricional, efetiva revolução em suas vidas. Quando se sobrevoa o semi-árido notam-se pontinhos brancos esparsos na zona rural. São as cisternas alocadas nas casas dos agricultores, muitas em lugar de difícil acesso.
Um dos efeitos mais tangíveis é favorecer mulheres e crianças que, todo dia, deixam de caminhar quilômetros para buscar água, muitas vezes poluída. Agora, podem dedicar o tempo à educação, à família, à produção, ao lazer. Como muitas mulheres afirmam, sentem-se mais mães, mais esposas, mais companheiras, mais gente.
As crianças, agora mais saudáveis, já não são acometidas por doenças transmissíveis por recursos hídricos, entre as quais a diarréia; idosos e portadores de deficiências são atendidos; famílias inteiras, que anteriormente nunca tinham acesso a noções e cursos de tratamento da água e convivência com o semi-árido, agora usam essas informações para melhorar sua qualidade de vida.
As cisternas são construídas com, e não para as pessoas; essas se envolvem profundamente na obra, o que garante o seu cuidado. Como todo o processo é feito em comunidades, vê-se ali a erradicação da exclusão social e a afirmação da cidadania. São mais de 1 mil municípios do semi-árido que, mobilizados, compõem um novo cenário.
As cisternas, perfuradas ao lado da casa e revestidas de placas de cimento, são equipamentos simples, de tecnologia barata e fácil manejo. Têm longa vida útil quando cercadas de cuidados mínimos, de acordo com o que se aprende nos cursos. Ao visitar a região, notei em algumas girinos vivos, sinal de que a água é própria para consumo humano. Inaugura-se, assim, uma política pública não-clientelista, efetivamente voltada aos mais pobres.
Falta, agora, o governo federal dar mais apoio à ASA, para que se possa atingir a meta de construir 1 milhão de cisternas e favorecer 5 milhões de pessoas com acesso à água potável.E fica a pergunta que não quer calar: por que nas edificações urbanas raramente se encontram equipamentos de captação da água da chuva, gratuita e potável? O exemplo não deveria começar pelas obras do poder público?
Texto publicado no Jornal Estado de Minas, 15 de novembro de 2007
Texto extraído do Blog do FALE no dia 11/12/2007

domingo, dezembro 09, 2007

É PROIBIDO PENSAR

A nova música de João Alexandre está causando polêmica na internet, especialmente por alguns clipes postados no you tube, com montagens envolvendo pastores e alguns ministérios pentecostais. Decidi postar aqui a letra e o link contendo o áudio da música, para levantar o debate em torno do assunto.
  1. Esta letra representa a realidade da igreja evangélica brasileira?
  2. Você acha que ele pegou pesado demais?
  3. Será que é mesmo "proibido pensar" em nossas denominações?
Responda a estas perguntas, faça as suas e coloque o seu comentário, pois neste Blog, não é proibido pensar. hehehe.
Um abraço,
Marcos Vichi


Clique aqui para ouvir a música : É PROIBIDO PENSAR


É PROIBIDO PENSAR

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar nesse esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições.

A extravagância vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé, rompendo a fé dos cansados
que ouvem suas canções.

Estar de bem com a vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua Palavra
e é por ela que ainda guio o meu viver.

Reconstruindo o que Jesus derrubou
Recosturando o véu que a cruz já rasgou
Ressucitando a lei, pisando na graça, negociando com Deus.

No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquês universal
Se apossando dos céus

Estão distante do trono, caçadores de Deus ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras para nos escravizar:
É proibido pensar! É proibido pensar!


letra de "É proibido pensar", uma das músicas do novo CD de João Alexandre.

Extraído do Pavablog no dia 09/12/2007

segunda-feira, dezembro 03, 2007

A REVELAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO - O CHAMADO DE SAMUEL

A REVELAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO

O CHAMADO DE SAMUEL

I Samuel 3

1. Entretanto, o menino Samuel servia ao Senhor perante Eli. E a palavra do Senhor era muito rara naqueles dias; as visões não eram freqüentes.
2. Sucedeu naquele tempo que, estando Eli deitado ne seu lugar (ora, os seus olhos começavam já a escurecer, de modo que não podia ver),
3. e ainda não se havendo apagado a lâmpada de Deus, e estando Samuel também deitado no templo do Senhor, onde estava a arca de Deus,
4. o Senhor chamou: Samuel! Samuel! Ele respondeu: Eis-me aqui.
5. E correndo a Eli, disse-lhe: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Eu não te chamei; torna a deitar-te. E ele foi e se deitou.
6. Tornou o Senhor a chamar: Samuel! E Samuel se levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Mas ele disse: Eu não te chamei, filho meu; torna a deitar-te.
7. Ora, Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e a palavra de Senhor ainda não lhe tinha sido revelada.
8. O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel pela terceira vez. E ele, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o menino.
9. Pelo que Eli disse a Samuel: Vai deitar-te, e há de ser que, se te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o teu servo ouve. Foi, pois, Samuel e deitou-se no seu lugar.
10.Depois veio o Senhor, parou e chamou como das outras vezes: Samuel! Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve.
11.Então disse o Senhor a Samuel: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual fará tinir ambos os ouvidos a todo o que a ouvir.
12.Naquele mesmo dia cumprirei contra Eli, de princípio a fim, tudo quanto tenho falado a respeito da sua casa.
13.Porque já lhe fiz: saber que hei de julgar a sua casa para sempre, por causa da iniqüidade de que ele bem sabia, pois os seus filhos blasfemavam a Deus, e ele não os repreendeu.
14.Portanto, jurei à casa de Eli que nunca jamais será expiada a sua iniqüidade, nem com sacrifícios, nem com ofertas.
15.Samuel ficou deitado até pela manhã, e então abriu as portas da casa do Senhor; Samuel, porém, temia relatar essa visão a Eli.
16.Mas chamou Eli a Samuel, e disse: Samuel, meu filho! Ao que este respondeu: Eis-me aqui.
17.Eli perguntou-lhe: Que te falou o Senhor? peço-te que não mo encubras; assim Deus te faça, e outro tanto, se me encobrires alguma coisa de tudo o que te falou.
18.Samuel, pois, relatou-lhe tudo, e nada lhe encobriu. Então disse Eli: Ele é o Senhor, faça o que bem parecer aos seus olhos.
19.Samuel crescia, e o Senhor era com ele e não deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em terra.
20.E todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor.
21.E voltou o Senhor a aparecer em Siló; porquanto o Senhor se manifestava a Samuel em Siló pela sua palavra. E chegava a palavra de Samuel a todo o Israel.

INTRODUÇÃO
A liderança do profeta Samuel destacou-se na história do povo judeu, porque desde pequeno, ele foi capaz de perceber quando Deus queria dar-lhe um recado, num período em que poucos reconheciam a voz de Javé.

A vocação de Samuel inicia o ciclo dos profetas que possuíam a tarefa de anunciar à nação aquilo que Deus faria, de semear na comunidade um senso crítico a fim de impedir que ela fosse oprimida pelas autoridades e de levar a cada pessoa a reconhecer-se como um agente da proclamação da boa nova que transforma a sociedade e a história.

Quais são os caminhos percorridos pela revelação Divina para que ela chegue até nós, limitados seres humanos, que freqüentemente têm dificuldade de compreender seu semelhante a quem podem ver ouvir e tocar? O quanto podemos aprender com a experiência do jovem Samuel no momento de seu chamado?

1. A Revelação de Deus a Partir de Sua Manifestação.
“Entretanto, o menino Samuel servia ao Senhor perante Eli. E a palavra de Senhor era muito rara naqueles dias; as visões não eram freqüentes.” v.1

Tendo em vista que Deus é inisível, só podemos conhecê-lo a partir do momento em que ele decide manifestar-se. Este era o grande problema na época em que Samuel vivia no templo sob a orientação do profeta Eli. Deus estava calado. Este silêncio era o resultado da indiferença à sua vontade e da infidelidade que transformava o mal no padrão vigente naquela terra.

2. A Revelação de Deus a Partir do Conhecimento de que Ele Existe
“Ora, Samuel ainda não conhecia ao Senhor, e a palavra de Senhor ainda não lhe tinha sido revelada.” v.7

Samuel vivia cercado de símbolos que o remetiam Deus, ouvia sobre as manifestações do passado, mas não possuía um referencial presente para respaldar a sua fé. Ele compartilhava com os seus vizinhos desta sede espiritual que precisava ser saciada, com algo que trouxesse uma nova pesrpectiva e evidenciasse a relevância de sua crença em Javé, o Senhor dos Exércitos. É impossível manter um relacionamento com Deus sem conhecê-lo.
3. A Revelação de Deus a Partir do Entendimento
“O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel pela terceira vez. E ele, levantando-se, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, porque tu me chamaste. Então entendeu Eli que o Senhor chamava o menino.” v.8

Eli era um lider espiritual, responsável pela orientação do povo. Ele acolheu Samuel no templo para ensiná-lo a ser um profeta que no futuro assumiria as funçoes de comando da nação. Mas a rotina religiosa amorteceu-lhe a sensibilidade espiritual. Após tantos anos sem ouvir a voz de Deus, ele acostumou-se ao silêncio e não conseguia mais distinguir a manifestação Divina, quando ela acontecia.

4. A Revelação de Deus a Partir da Resposta ao Seu Chamado
“Depois veio o Senhor, parou e chamou como das outras vezes: Samuel! Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve.” v.10

Mesmo sem possuir uma experiência pessoal com Deus, Samuel tinha o coração aberto e estava disposto a obedecer, mesmo em situações aparentemente sem sentido. Levantar três vezes durante a noite para responder ao chamado que ele julgava vir de Eli, para ouvir dele a recomendação de simplesmente responder no seu quarto vazio: “Fala, porque o teu servo ouve.” a um Deus que ele nem conhecia. Esta disposição fez diferença na vida de Samuel

CONCLUSÃO
Até que ponto você tem sido capaz de diferenciar a voz de Deus entre outras vozes que ecoam na sua existência. Até que ponto o aparente silêncio de Deus não é um reflexo da insensibilidade produzida pelo hábito de viver mecânicamente um ritual religioso durante anos a fio? A revelação Divina acontece a cada momento, é necessário estar sintonizado com o Pai para poder percebê-la até nos mínimos detalhes.

Perguntas Sobre o Tema: (*):

1. Qual era a percepção de Deus que Samuel possuía?
2. Havia algum ritual que Samuel deveria seguir para buscar a Deus?
3. De que maneira Samuel demonstra confiar em Deus?
4. Que pontos na experiência de Samuel podem ser acolhidos por nós?
5. Existe algum ponto que deveria ser rejeitado nesta fé?

NOTA

* – Perguntas elaboradas pelo Prof. Ruben Marcelino

REFERÊNCIAS


http://www.bibliaonline.com.br/acf/1sm/3 - consultado em 01/12/2007

BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991

sábado, dezembro 01, 2007

O AMOR QUE INCLUI

O AMOR QUE INCLUI

5. Jesus estava entrando em Cafarnaum, quando um oficial romano se aproximou dele, suplicando:
6. “Senhor, meu empregado está em casa, de cama, sofrendo muito com uma paralisia.”
7. Jesus respondeu:”Eu vou curá-lo.”
8. O Oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e meu empregado ficará curado.
9. Pois eu também obedeço ordens e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: vai, e ele vai; e a outro: venha, e ele vem; e digo ao meu empregado: faça isso e ele faz.”
Quando ouviu isto Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Eu garanto a vocês: nunca encontrei uma fé igual a essa em ninguém em Israel!
11. Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó.
Mateus 8.5-11

Os escravos não tinham voz nem vez no Império Romano, apesar de fazer parte da maioria da população. Eles eram comprados, vendidos nos mercados e um recibo garantia ao proprietário direitos de vida e morte sobre aquele indivíduo que nem era considerado uma pessoa. A preocupação dos donos era fazer com que a sua aquisição produzisse cada vez mais a ponto de recuperar o investimento feito.

Esta cena sofre uma mudança quando, no caminho de Jesus, aparece um centurião, autoridade romana naquela terra dominada, suplicando pela cura de seu escravo enfermo. A princípio, parecia mais uma entre tantas solicitações de cura que Jesus recebia todos os dias, a qual ele respondeu prontamente: “Eu vou curá-lo”. A novidade acontece pela atitude do centurião que não queria aguardar a sua vez na lista de espera, pois sabia que estava na presença de alguém que tinha o poder de terminar imediatamente com o sofrimento de seu amigo enfermo.

A admiração de Jesus se dá pelo fato de perceber naquele homem, uma fé que nem de longe ocorria no povo chamado de escolhido. “Atendendo o pedido de um pagão, Jesus mostra que as fronteiras do Reino vão muito além do mundo estreito da pertença a uma origem privilegiada. A fronteira agora é a fé na palavra libertadora de Jesus” (Ed. Pastoral p. 1247).

Respondendo à esta fé, Jesus curou aquele escravo que, em virtude do amor do centurião, teve resgatada a dignidade de ser humano. O nascimento de Cristo, que comemoraremos neste mês, é um evento que manifesta o amor de Divino em relação aos seus filhos e o desejo de afirmar que não existe excluídos do Reino de Deus. Não importa a origem social, faixa etária, grau de instrução, todos são incluídos na condição de filhos amados e devem ser tratados como tal.

Como os excluídos de nossa cidade tomarão conhecimento desta boa nova? A igreja precisa assumir a sua tarefa profética de clamar por justiça, denunciar o pecado e levar ao oprimido o evangelho que liberta do pecado e o inclui na condição de ser humano digno de cuidado afeto e saúde. Desta forma, o nascimento de Jesus será deviamente celebrado.


REFERÊNCIA


BÍBLIA SAGRADA – Edição Pastoral – Tradução Ivo Storniolo, Euclides Martins Balancin – Paulus – SP – 1991

sábado, novembro 10, 2007

A IGREJA UNIVERSAL NÃO É PROTESTANTE NEM EVANGÉLICA

A IGREJA UNIVERSAL NÃO É PROTESTANTE NEM EVANGÉLICA

Dom Robinson Cavalcanti, bispo diocesano da Igreja Anglicana.

Diante de mim vinte e seis horas de viagem, entre vôos e aeroportos, entre Recife-Guarulhos-Miami-St. Louis. Costumo ler e/ou escrever para preencher o tempo. No aeroporto compro um exemplar do livro de maior tiragem da história editorial brasileira (700 mil exemplares): "O Bispo – A História Revelada de Edir Macedo", de autoria dos jornalistas Douglas Tavolaro e Cristiana Lemos (ambos funcionários da Record), Editora Larousse.

O texto é agradável de ler, com capítulos curtos e estilo narrativo. Uma biografia "chapa branca" de um empresário bem sucedido, nos ramos imobiliário, de comunicação e eclesiástico, que mora nos Estados Unidos e tem residência nos diversos continentes, para onde viaja em jato particular.

Em 35 anos de um galpão de uma antiga funerária no Rio de Janeiro para 172 países ( 4.748 templos e 9.660 pastores somente no Brasil) e a propriedade da segunda rede de televisão em audiência.

Um oriundo da Igreja de Nova Vida, do saudoso bispo Roberto MaCalister, juntamente com o seu cunhado Romildo Ribeiro Soares (o R.R. Soares da hoje Igreja Internacional da Graça de Deus) para a criação de algo peculiar em nosso cenário religioso: a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

O mais difícil no livro foi achar referências a pessoas e a obra de Jesus Cristo. Fala-se de Deus, da Igreja, do Bispo, dos Pastores. A Teologia é centrada em dois eixos: a troca entre oferta e bênção e os descarregos das entidades espirituais negativas, e só. Dentre as opiniões heterodoxas, a defesa do aborto.

Fui membro da Banca Examinadora da Dissertação de Mestrado em Sociologia da Religião, defendida pelo pastor Estevão Fernandes, da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba, e fui membro da Banca do Exame de Qualificação da Dissertação na mesma área pelo reverendo anglicano Washington Franco, na Universidade Federal de Alagoas, ambas tendo como tema a Igreja Universal. Li textos e o jornal "Folha Universal". Assisti aos padronizados programas de televisão, desde o antigo "25ª. Hora".

A minha conclusão serena é que a Igreja Universal do Reino de Deus não é uma Igreja protestante ou evangélica, por não ter nenhuma relação teológica, confessional ou ética com qualquer das expressões da Reforma, mas se constitui em uma seita para-protestante (muito menos protestante do que a Igreja Adventista do Sétimo Dia), porém não uma seita para-cristã como as Testemunhas de Jeová, os Mórmons ou a Ciência Cristã.

Não é uma igreja pentecostal, e não deve ser chamada de neo-pentecostal, porque além dos pentecostais serem protestantes, não há qualquer semelhança entre os dois grupos, antes posições até antagônicas. Daí o uso da expressão pós-pentecostalismo ( Paulo Siepierski), iso-pentecostalismo (sociólogos argentinos) e pseudo-pentecostalismo (Washington Franco).

O problema é que a Igreja Universal do Reino de Deus se apresenta como "evangélica" confundindo o já esfacelado e caótico quadro das Igrejas reformadas entre nós, e infiltrando suas crenças e práticas exóticas entre os nossos membros mais desavisados.

Ler o livro foi importante para mim, ratificando o que já percebia. A IURD é isso mesmo. Ainda vai dar muito o que falar. Ponhamos as nossas reformadas barbas no molho e ensinemos a verdade da Palavra ao nosso povo.

Tesxto extraído do Pavablog: http://pavablog.blogspot.com/2007/11/igreja-universal-no-protestante-nem.html

sexta-feira, novembro 09, 2007

A MELHOR PIADA RELIGIOSA DE TODOS OS TEMPOS

A MELHOR PIADA RELIGIOSA DE TODOS OS TEMPOS

Os visitantes do site: http://www.shipoffools.com/ elegeram o que consideram ser a melhor piada religiosa de todos os tempos.

Certa vez eu vi um homem querendo jogar-se de uma ponte, então eu lhe disse:
– Não faça isso!
– Ninguém me ama – ele respondeu.
– Deus te ama. Você acredita em Deus?
– Acredito – ele respondeu.
– Você é cristão ou muçulmano?
– Cristão.
– Eu também! – eu lhe disse. – Protestante ou católico?
– Protestante.
– Eu também! De qual denominação?
– Batista.
– Eu também! Batista da convenção batista do norte ou batista da convenção batista do sul?
– Da convenção batista do sul.
– Caramba, eu também! Batista da convenção batista regular do sul ou da convenção batista independente do sul?
– Da convenção batista regular do sul – ele respondeu.
– Eu também! Batista da convenção batista regular reformada do sul ou da convenção batista regular pioneira do sul?
– Da convenção batista regular reformada do sul.
– Eu também! Batista da convenção batista regular reformada pentecostal do sul ou da convenção batista regular reformada carismática do sul?
– Da batista regular reformada pentecostal do sul.
– Então morra, herege! – e empurrei o sujeito.

Esta piada foi extraída do blog: http://www.baciadasalmas.com/2005/a-melhor-piada-religiosa-de-todos-os-tempos/ que citou como fonte o site: http://www.guardian.co.uk/g2/story/0,3604,1580452,00.html